November 08, 2013

Seminário aponta desafios para ampliar o acesso à tecnologia

Fonte: www.administradores.com.br - 7/11/2013 - 15h47

# Representantes de instituições como CNPq e Sebrae avaliam caminhos para difundir a inovação no Brasil

Débora Cronemberger, Agência Sebrae

Mais parcerias e investimentos públicos para levar conhecimento tecnológico às micro e pequenas empresas em todas as regiões do Brasil. Essa foi uma das principais avaliações entre os conferencistas que discutiram nessa quarta-feira (6), em Brasília, os desafios institucionais para a extensão tecnológica no país. O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, apontou como grandes desafios no cenário nacional a sensibilização quanto à importância de investir em tecnologia e a difusão do conhecimento, o acesso a serviços tecnológicos e a prospecção de práticas de vanguarda.

Carlos Alberto alertou que os produtores e empresários não possuem mais uma concorrência restrita à região em que atuam. “O horizonte não é mais local ou regional, é global. Se o empreendedor não der o passo em direção à inovação e tecnologia, não vai sobreviver à concorrência”, afirmou. Para apoiar os pequenos negócios nesse contexto, o aporte do Sebrae em inovação entre 2014 e 2017 será de quase R$ 1 bilhão, cerca de 28% do total de investimentos institucionais. O diretor-técnico apresentou as ações de apoio às micro e pequenas empresas em inovação e tecnologia, destacando o Sebraetec e o programa Agentes Locais de Inovação (ALI).

O Sebraetec disponibiliza uma plataforma de cerca de 1,2 mil fornecedores cadastrados para oferecer soluções tecnológicas aos pequenos negócios. O investimento institucional foi de R$ 362 milhões, entre 2012 e 2013, para subsidiar em até 80% a implementação das soluções sugeridas pelos consultores. O ALI, realizado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), viabiliza atendimento gratuito a pequenas empresas por até dois anos. Foram disponibilizados, no período 2012/2013, cerca de R$ 239 milhões para o programa.

“Temos no Brasil uma história muito recente de incorporação de ciência e tecnologia. O CNPq foi criado em 1951, quando 85% da população vivia no campo. Mesmo assim, o Brasil era um importador de alimentos. Hoje, ocorre exatamente o inverso: temos apenas 15% da população vivendo no campo e o Brasil é o maior exportador mundial de alimentos. Como conseguimos produzir tanto? Com a incorporação de tecnologia, com grandes investimentos em escolas de Agronomia e a criação da Embrapa, por exemplo”, ressaltou o presidente do CNPq, Glaucius Oliva.

As avaliações de Carlos Alberto e de Glaucius Oliva integraram a programação do Seminário Extensão tecnológica: o conhecimento a serviço da população, realizado no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, por iniciativa do deputado federal Ariosto Holanda (PROS-CE). Além do diretor-técnico do Sebrae, também participaram do painel sobre desafios institucionais o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Alexandre Netto, e o reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense), Luiz Augusto Caldas Pereira.

“Atualmente, temos um quadro bem mais favorável aos pequenos negócios do que há dez anos, mas ainda há um grande déficit de políticas públicas e de ambiente legal para apoiar o segmento. Muito já foi feito para a extensão tecnológica e inovação, mas ainda estamos muito longe do que queremos. O mais difícil já passou, que foi implementar programas de apoio, mas agora temos de inovar para fazer mais e melhor”, avaliou Carlos Alberto. O deputado Ariosto Holanda, organizador do seminário, defendeu mais investimentos públicos e maior parceria entre instituições de ensino, pesquisa e Sebrae para aumentar o conhecimento tecnológico no país.

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