March 17, 2014

Segundo a V. SHIPS, fretes para contâineres estão defasados

Fonte: NetMarinha/ 17/3/2014

 Diretor Robert Bishop está no país

No Rio, a V. Ships, maior empresa de gestão de navios do mundo, recebeu a comunidade marítima, em evento no Copacabana Palace. O diretor executivo do grupo, Robert M. Bishop, ao lado do presidente no Brasil, Eduardo Bastos, manteve contatos com o mercado local. A esta coluna, Bishop declarou que dificilmente o mercado de fretes irá, um dia, se aproximar dos altos níveis verificados antes da crise de 2008.

 - Naquela época, o comércio crescia muito e a frota era limitada. Hoje, o mundo cresce menos, a frota internacional é maior e ainda há muitos navios em construção. Não vejo, no horizonte, possibilidade de retorno aos altos níveis de fretes praticados até a crise de 2008, embora nada impeça alguma alta moderada. Definitivamente, estamos em período de baixos lucros para as empresas de navegação.

 Segundo ele, uma exceção é o mercado específico para atendimento a plataformas de petróleo, o chamado “offshore”. “É a jóia da coroa”, afirma o escocês, que, a propósito, informa ser absolutamente contrário à saída da Escócia do Reino Unido. “ Seria loucura”, diz.

 

Destaca que, em navegação, como em todo negócio, é essencial a credibilidade e que o Brasil conta com empresas sérias atuando nessa área. A V. Ships se instalou no Brasil em 1984 e hoje conta com inúmeros clientes, entre os quais a estatal Transpetro. Há três anos, foi criada a V. Ships Brasil Offshore, que já controla nove embarcações, sendo que duas com gestão total e, nas demais, atua na área de pessoal, com recrutamento e controle da operação. No mundo, a empresa gere nada menos de 1.200 navios, o que engloba 30 mil tripulantes. A maioria é de filipinos, seguindo-se pessoal da ex-União Soviética – russos, croatas etc – e indianos.

 

Comenta Bishop que, no Brasil e no mundo, um dos desafios é atrair gente para o mar. Admite que o charme da profissão não é o mesmo de antes. Mesmo assim, a empresa usa sua rede mundial para recrutar pessoal especializado e colocá-lo da melhor forma possível na frota que gere. Em relação a poluição, afirma que o problema não está no mar, mas em terra.

- A navegação é um meio barato e seguro. Nos últimos tempos, os navios de petróleo, por exemplo, passaram a dispor de excelentes meios para evitar poluição, o que inclui, é claro, pessoal treinado.

 Sobre a possibilidade de o Brasil criar sua própria frota de navios porta-containeres, como vem sendo discutido, Bishop afirma ser um direito absoluto do país, mas ressalta dois entraves: a queda nos níveis de fretes, que afasta novos investidores e o Custo Brasil.

 - A gente sente o Custo Brasil não apenas na navegação, mas no dia a dia. Grande parte das atividades apresenta um valor superior ao de outros países em desenvolvimento e até mesmo de nações plenamente desenvolvidas – diz.

 

Em relação à possibilidade de o Brasil obrigar armadores estrangeiros a se registrarem no país, Bishop considera isso irrelevante e custoso:

 - Os navios movimentam importação e exportação brasileira. Qualquer obstáculo representaria aumento de custos, que acabaria sendo repassado aos clientes. Os Estados Unidos impõem uma série de obstáculos à navegação, que, no fundo, só fazem aumentar o custo para movimentação de suas cargas, especialmente na cabotagem.

 Desde 2010, a V. Ships tem 75% de suas ações de posse do fundo canadense de investimentos Omners – com o restante na mão dos executivos que fundaram o grupo. A sede técnica é em Glasgow e as principais unidades administrativas estão em Londres e Mônaco.

 Em relação ao setor de apoio marítimo, o diretor comercial, Leonardo Freitas, frisa que o crescimento da nova subsidiária tem sido intenso. Dos nove barcos hoje geridos pelo grupo, um deles é uma espécie de hotel flutuante, um flotel, com capacidade para 450 pessoas, além dos 42 tripulantes. Esse flotel em geral passa seis meses ligado a uma plataforma da Petrobras e, no momento, se encontra acoplado à P-39, na Bacia de Campos. Para Leonardo Freitas – que passou 4 anos e meio se especializando em Glasgow – no momento há menos dificuldade para se contratar marítimos do que há um ano e meio. No Brasil, a V. Ships Brasil é responsável pela gestão do trabalho de 2.600 marítimos. Dos marítimos contratados pela V. Ships no Brasil, cerca de 400 são estrangeiros, o que está de acordo com a legislação brasileira.

 

CONGELAMENTO NA PRATICAGEM

 A Comissão Nacional para Assuntos de Praticagem (Cnap) passou um ano sem emitir qualquer ato público- só em trabalhos internos. Em dezembro último, lançou uma pré-resolução, para ser debatida e virar direito positivo, fixando valores máximos para esses serviços, que correspondem à entrada e saída de navios nos portos. No entanto, os práticos conseguiram mandado de segurança, que não foi sustado e, portanto, tudo continua como estava, ao menos até o julgamento do mérito do tema.

 A esta coluna, uma fonte ligada à armação disse que os comentários dos empresários do setor foram no sentido de se esmiuçar a planilha de custos, para saber como se chega ao preço final. Os armadores acham os valores cobrados altos e são a favor da fixação de um teto, mas a fonte disse saber ser difícil implementar uma redução, mesmo que venha a ser imposta pelo governo, pois o serviço de praticagem é muito específico. É realizado a todo momento, por profissionais que são levados por lanchas para bordo dos navios e indicam a correta posição para entrada e saída dos portos. Nenhum país do mundo conseguiu um sistema que agradece a práticos e armadores, seus clientes.

 Segundo se sabe, a Marinha do Brasil estaria lutando para retirar valor à liminar. No entanto, informalmente, o que se comenta é que, para a Marinha, o importante é a segurança da navegação, que é bem atendida pelo serviço de práticos. Formalmente, a Marinha se diz interessada em ajudar os armadores a obterem redução nos valores, mas acredita-se que não haja muito empenho nesse sentido.

 UNIÃO DEVE A ARMADORES

 O Governo federal continua a dever aos armadores, por conta de disposições da lei 9432, que determina ressarcimento anual, a ser pago pelo Fundo de Marinha Mercante. O atual débito é de R$ 700 milhões. A boa notícia é que este ano deverão ser pagos R$ 220 milhões, valor que consta do orçamento e não deverá ser cortado pelo Ministério da Fazenda. A má notícia é que, ao fim do ano, serão acrescentados R$ 300 milhões, por conta do movimento previsto para 2014 e, portanto, em janeiro de 2015, o débito deverá subir para R$ 780 milhões.

 Nas últimas semanas, um fato gerou intensa movimentação dos armadores, pois a alfândega de Manaus institui a cobrança de R$ 100 por cada container a ser escaneado – e todos estariam obrigados a isso. Após muitas negociações, foi mantida a cobrança para o longo curso e retirada para a cabotagem. Uma fonte declarou que, para a cabotagem, cada centavo a mais pode representar a perda da carga para o caminhão.

 A mesma fonte comentou que, em recente estudo, o transporte de um container, por navio, de Santos (SP) a Suape (PE) implica gasto de R$ 150. Segundo a análise, no mesmo trajeto, o subsídio ao diesel usado por um caminhão significa dispêndio, pela Petrobras, de R$ 170, ou seja, aí está mais um absurdo nas contas nacionais.

 

O FIM DA MAESTRA

 Fontes do setor comentam, com tristeza, o fim das operações da empresa Maestra. Criada há cinco anos pela Triunfo Participações, a empresa não gerou os resultados esperados. A Maestra iniciou atividades com muito entusiasmo, e, além de dois navios nacionais, afretou dois estrangeiros. Começar a operar com quatro navios é algo expressivo. Diante de resultados modestos, o grupo Triunfo Participações – que tem interesses em estradas pedagiadas e terminais – optou por paralisar os serviços na cabotagem. Os dois navios nacionais estão parados e os dois estrangeiros já foram devolvidos a seus donos.

 Os empresários do setor acham que o Governo deveria analisar esse fato e concluir que o negócio da navegação não é atraente, em comparação com outras atividades. Assim, o fim da Maestra é a prova de que o programa Pró-Cabotagem, que ganha pó nas gavetas federais, deveria ser posto em prática de imediato ou, no mínimo, rediscutido.

 TARIFAS

 A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) reverteu os aumentos de tarifas promovidos pela Libra Terminais no início do ano, informa o site de usuários do Porto do Rio, de André Seixas. Os usuários elogiam a intervenção da Antaq, mas comentam que, como há em vigor reajustes de até 46% – em comparação com inflação abaixo de 6% ao ano – a luta vai continuar. No dia 11 de abril, no Rio, haverá seminário promovido pelos usuários, coordenado pelo professor Osvaldo Agripino, da Univali-SC.

 EVENTOS

 Meton Soares foi o principal homenageado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Em solenidade em Brasília, recebeu a Grã-Cruz da Medalha JK. A CNT é presidida por Clésio Andrade. No Rio, a Comunidade Empresarial Marítima e Portuária reuniu-se em almoço de despedida ao superintendente da Navegação Marítima e de Apoio da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), André Luiz Souto de Arruda Coelho, cuja superintendência está em processo de transferência para Brasília. A homenagem foi comandada pela presidente do Sindicato dos Agentes Marítimos (Sinda-Rio), Marianne Lachman e a placa foi entregue a Arruda Coelho pelo presidente do Sindicato dos Armadores (Syndarma), Bruno Rocha.

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