Fonte: A Tribuna - 3/3/2015, página C-1, Porto & Mar
# Após o bloqueio das estradas pelos caminhoneiros, retomada das operações ocorre sem congestionamentos
LEOPOLDO FIGUEIREDO
EDITOR
Os primeiros carregamentos da safra agrícola começam a chegar ao Porto de Santos. E, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária, os resultados iniciais mostram que deve ter sucesso a estratégia do Governo para evitar a formação de congestionamentos nas estradas de acesso à região, nesses meses de escoamento da produção de grãos – soja e milho principalmente.
Um primeiro desafio já foisuperado. Com o protesto dos caminhoneiros da semana passada, havia o temor de que, quando os bloqueios nas estradas fossem encerrados, o volume de veículos de carga com destino a Santos aumentaria, gerando filas nos acessos ao Porto.
O movimento dos motoristas na região já foi dissolvido, as cargas deram entrada nos terminais e, de acordo com a Docas, não houve qualquer transtorno.
Esse batismo de fogo do Plano Safra 2015, do Governo, e as expectativas positivas para o transporte dos grãos foram alguns dos assuntos discutidos em uma reunião na última sexta-feira, em Brasília, para debater o escoamento da produção agrícola até Santos. Estavam presentes dirigentesda Codesp, da Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP), do Ministério dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Santos é estratégico para as exportações agrícolas brasileiras. Tradicionalmente, o complexo santista responde por dois terços dos embarques de açúcar no País. E dados do Governo Federal apontam que, em 2014, os terminais da região carregaram 18% da soja exportada pelo Brasil. Segundo projeções da Docas, neste ano, Santos deve movimentar 17 milhões de toneladas de açúcar (1,7%a menos do que no exercício anterior), 16,76 milhões de toneladas de soja (1,8% a mais), 8,3 milhões de toneladas de milho (6,5% a menos). A soma das três cargas representa 37,4% das 112,44 milhões de toneladas previstas para 2015.
AGENDAMENTO
No encontro de sexta-feira, os principais dados sobre o Porto foram apresentados pelo diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp, Luís Cláudio Santana Montenegro. Ele destacou a necessidade de um controle rigoroso sobre a chegada dos caminhões e a importância de se continuar cumprindo as regras de agendamento.
“Nessa reunião, avaliamos como foi esse início da safra e repassamosas medidas adotadas para garantir o acesso ao Porto de Santos sem problemas. Estamos acompanhando todo o transporte e vamos continuar. Vamos manter um controle forte e não iremos tolerar o descumprimento das regras de agendamento. Mas posso dizer que, em relação a Santos, estamos tranquilos”, afirmou Montenegro, em entrevista a A Tribuna logo após o encontro.
Codesp prevê maior uso de trens
Fonte: A Tribuna - 3/3/2015, página C-2, Porto & Mar
# Para diretor da Docas, utilização de ferrovias, monitoramento e respeito à regulamento ajudam no sucesso do Plano Safra 2015 de Santos
LEOPOLDO FIGUEIREDO
EDITOR
A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) promete rigor na fiscalização do sistema de agendamento de caminhões e no monitoramento de seu tráfego das regiões produtoras do Centro-Oeste até o complexo portuário. O próprio diretor de Planejamento Estratégico e Controle da estatal, Luís Cláudio Santana Montenegro, considera tais medidas essenciais para que não ocorram congestionamentos nos próximos meses e o Plano Safra 2015, elaborado pelo Governo para conter essas filas, seja um sucesso.
Mas o executivo afirma que está “tranquilo” em relação às operações em Santos. E cita três motivos para tanto. O primeiro deles é que a Codesp registrou um maior uso das ferrovias no transporte das cargas agrícolas até a Baixada Santista. Em janeiro, a Docas contabilizou um crescimento de 40% nos volumes de grãos transportados por trens, na comparação com o mesmo mês no ano passado. A expectativa do Ministério dos Transportes é que, em Santos, nesta safra, esse aumento fique entre 15% e 20%.
Considerando que o movimento das cargas agrícolas deve ficar praticamente estável – segundo a Codesp, os carregamentos de açúcar, soja e milho devem somar 42,14 milhões de toneladas neste ano, 1,3% a menos do que em 2014 –, esse crescimento das ferrovias indica uma maior participação do modal.
De acordo com a SEP, no ano passado, 58% dos granéis vegetais escoadas por Santos utilizaram as ferrovias para chegar ao complexo marítimo.
MONITORAMENTO
O segundo fator para embasar as expectativas positivas do diretor é o sistema de monitoramento da chegada das cargas agrícolas ao cais santista, tanto na Baixada Santista como nas estradas que ligam as zonas produtoras do Centro-Oeste até a região. Conforme as regras estabelecidas pela Codesp em 2013, caminhões transportando a safra agrícola devem agendar com antecedência sua chegada a Santos. Se estiverem fora do prazo, eles ou seus terminais são advertidos e, depois, multados.
“Estamos realizando um intenso controle sobre a chegada das cargas e o cumprimento das regras de agendamento. São três centrais de monitoramento na Codesp e o pessoal da ANTT ainda está na estrada, informando sobre a passagem dos caminhões vindo para o Porto”, informou Luís Cláudio Santana Montenegro.
De acordo com o diretor, nas estradas entre o Centro-Oeste e Santos, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem cinco pontos fixos e cinco móveis de monitoramento.
No total, 60 fiscais estão em campo. Atualmente, as informações dos caminhões são repassadas à Docas pelos próprios agentes. Mas a Autoridade Portuária pretende automatizar esse serviço até o final do ano. O processo licitatório para isso já foi iniciado.
REGRAS RESPEITADAS
O terceiro motivo para o representante da Docas acreditar no sucesso do plano safra engloba a estrutura do Porto de Santos e o fato de, até agora, terminais e motoristas terem respeitado as regras de agendamento.
As instalações de granéis vegetais do complexo marítimo têm capacidade para receber até 3 mil caminhões veículos de cargas por dia, de acordo com o diretor.
No ano passado, quando não ocorreram problemas de congestionamento no escoamento da safra, o maior movimento diário foi de 2.300 caminhões, registrado em março.
“Os números mostram que Santos tem capacidade excedente (para receber caminhões). Mas temos de ficar atentos a qualquer concentração de veículos. O importante, sob qualquer situação, é mantermos o controle e a organização sobre a chegada dos caminhões. Não pode haver concentração na chegada das cargas”, destacou Montenegro.
Para evitar o caos e garantir a ordem, o diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp explica que é essencial acompanhar a vinda dos caminhões ao cais. “O raciocínio é simples. Quando o agendado não chega, quando recebo menos do que estava esperando, tenho o alerta. Isso é um problema, pois se o veículo não está no Porto na hora que deveria, ele pode chegar em um momento para o qual não estava programado. É quando começa
a concentração e há o risco de filas”, explicou.
Nessas situações de atraso, a Codesp entra em contato com o terminal de destino do carregamento para saber o motivo de o agendamento não ter sido respeitado. E busca-se reorganizar sua vinda, de modo a não criar problemas na zona portuária, disse Montenegro.
# Os meses da safra
Os primeiros carregamentos da safra agrícola chegaram aos terminais marítimos do Porto de Santos por volta do último dia 15. Nesses primeiros meses, os caminhões trazem principalmente a soja. De acordo com o diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Luís Claudio Santana Montenegro, o movimento começa tímido e vai se intensificando. Atualmente, o volume diário de caminhões com o grão chegando a Santos está entre 50% e 60% do que será registrado no pico da safra, previsto para os meses de abril e maio. “Em junho, começa a enfraquecer e vai até a safrinha, em agosto. É quando começa a safra do açúcar. Isso, na verdade, é uma vantagem para o Porto.
Quando a soja começa a diminuir em Santos, o açúcar começa a aumentar e vai assim até o último trimestre”, explicou o diretor.
Montenegro destaca que a safra deste ano está atrasada em um mês, em relação à do ano passado. Em 2014, o mês de pico da safra da soja foi março (quando, em um único dia, o complexo recebeu o volume recorde de 2.300 veículos). Agora, será abril.
Alerta
“Quando o agendado não chega, quando recebo menos do que estava esperando, tenho o alerta. Isso é um problema, pois se o veículo não está no Porto na hora que deveria, ele pode chegar em um momento para o qual não estava programado. É quando começa a concentração e há o risco de filas”
Luís Claudio Santana Montenegro, diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp
# Quebra de regras ameaça planejamento
Para o diretor da Codesp Luís Claudio Montenegro, o maior risco para o sucesso do Plano Safra é “quando você começa a tolerar o descumprimento das regras”. Ele cita casos ocorridos no início do ano passado, no começo do período da safra 2014, quando alguns motoristas anteciparam a chegada ao terminal.
“Os caminhoneiros tentavam vir mais rápido e descarregar antes do programado, pois assim faziam mais viagens, ganhavam mais. O problema é a contaminação da organização. Imagine que esse motorista chegue antes, seja atendido e não cause nenhum problema. Os outros percebem e começam a fazer o mesmo e, de repente, você não tem mais agendamento, os caminhões começam a chegar em um mesmo horário e voltam as filas”, afirmou Montenegro.
Quando um veículo de carga chega fora do horário marcado, mesmo que não haja problema, a Codesp adverte o terminal de destino, destaca o diretor.
Se o caso se repete, representantes da instalação são chamados para se explicar e a empresa pode ser multada. Para o diretor da Companhia Docas, “essa organização é essencial para o Porto de Santos”.