Fonte: O Estado de S. Paulo - Link - 20/2/2014 - 10h40
Procura-se - Klaus Junginger
Não é raro ver comentários e afirmações sobre a influência das redes sociais no SEO. Com base nessa supostamente estreita relação, foi concebida uma palavra chave que ditaria a tendência do searchmarketing mundo afora. SoLoMo – a saber: Social, Mobile, Local. A tríade seria a base do ‘novo’ SEO; a otimização de sites, invariavelmente, estaria ligada à esses três fatores, os sinais de redes sociais, os dispositivos móveis e a localização a partir da qual são conduzidas as buscas.
No post de hoje, vamos nos concentrar apenas nos sinais sociais. Teriam número de seguidores no Twitter, volume de likes em fan pages do Facebook e outras métricas alguma influência na constituição do ranking de resultados orgânicos do Google? Estar em uma segunda posição nos resultados universais para pesquisas por determinada palavra chave poderia ser influenciado pelo sucesso que uma marca faz nas mídias sociais digitais?
Há vários anos, digo a uns 3 ou 4, o que para o universo digital é uma geração inteira, o Foresquare era o ‘pão quente’ quando a relação de sinais sociais eram comentadas como grande influenciador do ranking. Em 2012, se não me falha a memória, o acordo entre o Twitter e a Google chegaria ao final. O microblog exigiria 30 milhões dólares da Google para continuar dando-lhe acesso ao seu feed. Naquela época era certo que um post poderia ser indexado com maior velocidade se repercutisse no Twitter com bastante força. Mas isso era para fins de indexação, não teria – a priori – nenhuma relação com a qualidade da informação; logo, não serviria para aumentar o ranking de um conteúdo.
Bom, para iluminar um pouco essa dúvidas, convidei os SEOs Pedro Dias e Diego Ivo para um mashup de opiniões sobre esse assunto: complicado e interessante (essas palavras não são minhas).
Antes de tudo, ou antes de mais nada, insiro aqui o vídeo de Matt Cutts, do Google. Neste vídeo, Cutts responde que o número de followers (seguidores) e de fans das redes sociais não são usados no cálculo do ranking:
Relação direta entre ranking e mídias sociais
“Em SEO, podemos analisar tendências e buscar correlações entre uma coisa e outra. É verdade que certas conteúdos que recebiam muitos likes ficavam mais bem posicionadas que outros.” , conta Diego Ivo.
A resposta de Pedro Dias convida para outro raciocínio. Para o ex-Google, a questão não passa por ‘se é bom ou ruim para o SEO, ter muitos likes etc’.
“Você é responsável pelo maior motor de busca no mundo e, para aprimorar os algoritmos de classificação você tem todos os dados possíveis e imaginários à sua disposição”, diz Pedro, para quem achar que não há nenhuma influência entre um e outro ser sinal de grande ingenuidade.
Ao passo em que Diego Ivo aponta para correlação em vez de causa, ou seja, o fato de um resultado bem posicionado ter muitas curtidas não pode ser apreciado como causa e efeito, Dias prefere provocar. “Não seria um pouco ingênuo acreditar que nunca houve oportunidade — mesmo que por um período de tempo limitado — de testar sinais sociais nos resultados de busca?”.
Curadoria de conteúdo?
Desde que essa palavra chave começou a circular, lá pelos idos de 2010, ela não me desce – insiste em fica entalada em minha garganta. O que são links de entrada afinal de contas? Um link é sinal de curadoria; ponto. No vácuo da curadoria de conteúdo entram os likes e outros sinais sociais – existe um mercado enorme para tal, assim como há para links: vendidos à granel ou em pequenas porções, essas interações fazem a água brotar na boca de muito profissional de marketing digital.
“As pessoas cada vez mais usam as redes sociais para partilhar a sua opinião sobre os tópicos que lhes interessam e que se aproximam da sua comunidade social. Repare que eu escrevi comunidade social e não rede social, isto porque dentro de uma rede social podem existir várias comunidades com gostos e interesses diferentes”, opina Dias sobra a dita curadoria. Quando o assunto é o comércio de sinais sociais e de links, Dias é enfático: Como disse, tudo pode ser comprado… Mas a questão é: até que ponto você irá conseguir segurar a máscara?
Na perspectiva de Diego, a curadoria não é diretamente responsável por bons os por maus posicionamentos. “Um conteúdo novo, que explode nas redes sociais, tende a ficar mais bem posicionado rapidamente. Mas, do mesmo modo, ele poderia ficar bem posicionado se não houvesse sido divulgado – com ou sem publicidade – nelas. Portanto, no meu entender faz sentido e é saudável entender que uma coisa não tem relação direta com a outra”, diz. Para o diretor da Conversion, o fato de ser pago ou não é de menor importância. “Mas é importante ressaltar que, se o like – pago ou gratuito – é verdadeiro, intencional, deve ser entendido como positivo. O grande desafio é compreender o peso de cada ação que fazemos, quando há múltiplos canais de tráfego…”
O Google Plus, ou G+ para os íntimos
Mais de dois anos depois de surgir, o Google Plus permanece malinterpretado por muitos; não fujo à regra. Para mim, o Google Plus é uma central de coleta de dados e de mapeamento de atividades e de preferências dos usuários que mantém conta de email no Gmail e usam o Google para pesquisas na internet, ou seja, quase ninguém, certo?
Perguntei aos dois SEOs como veem a influência do G+ no layer social, usado por mecanismos de buscas para olhar, mas não para julgar a qualidade de conteúdo.
Pedro Dias confessa responder com analogia extrema – concordo. Mas vejam qual é a opinião de Dias sobre o G+.
“Um layer social sem as “palas” do Facebook. O Google+ é algo com uma filosofia totalmente diferente do Facebook, enquanto o Facebook pretende ser uma plataforma, o Google+ pretende ser um layer social. Usando uma analogia com o mundo real, eu vejo o Facebook como o colégio onde todo o mundo só pode conviver dentro das 4 paredes, você até queria ir para o jardim brincar porque está sol lá fora, mas o professor não deixa. Já o Google+ é o oposto, você brinca e aprende no jardim e de vez em quando vai para dentro porque começou a chover”, e aí, extrema ou não?
Em meu modo de ver, se for seguir a linha de raciocínio de Dias, o Google Plus é uma casa com várias paredes: o buscador, o email, a rede blogspot, o Google Analytics, o Picasa, Translate, Maps, Earth etcetera etcetera etcetrea. Não há para onde ir, boggie man Google Plus saberá.
Para Diego Ivo, a plataforma Google Plus é um experimento, uma tentativa. ”Para mim, o Google Plus é uma tentativa ainda incipiente de integrar as buscas, a navegação social e a vida digital em uma coisa só – que seria um grande Google. E vai entrar nisso o bigdata de que falei na resposta anterior. Imagine o Google dar as respostas antes de você fazer a pergunta? E, olhe, mesmo assim SEO continuaria existindo!”, responde.
Uma dica final
Parabéns, você aguentou ler este post até aqui. Pedi aos dois entrevistados que dessem uma dica final sobre o assunto.
Pedro Dias:
“Acho que de uma vez por todas temos que entender uma coisa em relação a social: O que se faz em casa, não se diz na rua, ou em bom inglês, “you don’t sh*t where you eat”. As pessoas não querem engajar com marcas, ninguém quer ter a marca X, Y ou Z como melhor amigo e partilhar fotos. As pessoas querem das marcas um tipo de comportamento diferente daquele que têm com os amigos.”
Diego Ivo:
“Do que adiantaria se quanto mais likes uma empresa tivesse, mais recebesse visitas orgânicas? Ela começaria a postar fotos de cachorro? E a reputação da marca, como ficaria? Eu recomendo que as pessoas utilizem as redes sociais para se comunicar. Mídia social é mais um lugar de fidelizar e conversar com sua base do que posicionar no Google, vender ou mesmo gerar tráfego”
Midias Sciais e SEOo
Os SEOs dão a dica final sobre o assunto sinais sociais em ranking do Google
Os entrevistados:
Diego Ivo:
Diego Ivo, 27 anos, é CEO da Conversion. Iniciou graduação em Letras na Universidade de São Paulo (USP), abandonando o curso para empreender. Possui artigos publicados em diversos sites, é auto-didata e ministra treinamentos de SEO on-line e presenciais.
Pedro Dias é Licenciado em Design e Pós-Graduado em Comunicação e Imagem pela Escola Superior de Design de Lisboa. Após ter completado seus estudos trabalhou durante 7 anos em agências de publicidade e comunicação lidando com todos os tipos de criação e exposição de marcas, desde o mundo impresso ao mundo digital.
Entre 2006 e 2011 trabalhou como Analista de Qualidade de Pesquisas no time de Webspam do Google, onde diariamente liderava os esforços de combate ao spam para a língua portuguesa. Apaixonado pelas áreas de Search, Usabilidade, UX e Design; atualmente é Sócio-diretor da apis3, uma consultoria de performance para o mundo digital.