Fonte: Folha de S. Paulo - 24/3/2015 - 13h49
SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu nesta terça-feira (24) um ajuste fiscal "focado e rápido", para que os resultados dessas medidas sejam sentidos mais rapidamente, com menor custo para a sociedade.
"Quanto mais tempestiva a implementação [do pacote de medidas], menor o custo para a sociedade e mais rápido começaremos a ver os resultados disso."
Para Tombini, as medidas que o Congresso está para analisar, como mudanças nas regras de acesso ao seguro-desemprego, auxílio-doença e abono salarial, não representam perdas de direito. "Estamos ajustando instrumentos, não tirando."
O presidente do BC voltou a defender que o sucesso da política de alta de juros no combate à inflação será mais eficiente com a condução, em paralelo, do ajuste fiscal, que prevê corte de gastos e elevação de receitas.
Segundo Tombini, passados os efeitos mais intensos da alta dos preços administrados pelo governo, como energia elétrica, e do dólar elevado, é "factível" que a inflação chegue ao centro da meta, de 4,5% ao ano, em 2016.
CONTAS NA SUÍÇA
Tombini afirmou que o Banco Central está trabalhando com a Polícia Federal, Receita Federal e outros órgãos para apurar possíveis irregularidades nas contas de brasileiros em agências do HSBC Suíça.
O Senado instalou na manhã desta terça-feira a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que vai apurar as denúncias do chamado "Swissleaks". Tombini disse que a autoridade monetária vai colaborar com a comissão caso necessário e que espera que esse caso não tenha repercussão sobre o sistema financeiro brasileiro.
"Não somos protagonistas, são questões de outra natureza em jurisdições que não alcançamos. Esperamos que não haja problema algum ao sistema financeiro."