November 04, 2016

PORTO: Setor portuário insiste em renovar contratos vencidos

Fonte: Valor Econômico

Parte do setor portuário, que em 2013 teve uma revisão no marco legal,tentou incluir no texto da medida provisória das concessões, prestes a ser publicada, a possibilidade de prorrogação de contratos vencidos, o que daria sobrevida aos chamados pré­1993 ­ um dos esqueletos do setor. Mas está praticamente descartada a incorporação dessa "solução" na versão que o Executivo enviará ao Congresso, apurou o Valor.

Durante a tramitação no Legislativo, contudo, o setor deve fazer nova investida. Caso os contratos pré­1993 recebam mais prazo, cairá por terra partefundamental do programa de arrendamentos listados pelo PIL (Programa deInvestimento em Logística), composto basicamente por áreas vencidas queseriam leiloadas.

O PIL prevê aglutinação dessas áreas ­ hoje muito pequenaspara viabilizar sozinhas o negócio ­ e a realização da licitação de glebas maiores, em consonância com os padrões mundiais de ganho de escala. As empresas com contratos portuários vencidos conseguiram incluir na tramitação da MP dos Portos, entre 2012 e 2013, uma emenda que dava umprazo a mais aos contratos, pelo mesmo tempo do original ­ quase sempredez anos ­ mas o governo vetou alegando que a matéria deveria passar peloCongresso.

O grande problema é a falta de lastro jurídico para dar mais prazo a empresas que exploram áreas do porto público sem nunca terem passado por licitação.Esses contratos tinham validade de dez anos, geralmente, mas ocupam asáreas há quase 30 anos, em alguns casos. A maioria pendurada em liminares. Eles são anteriores à lei de 1993, quando foi sancionada a primeira Lei dosPortos, que estabeleceu a licitação como regra para exploração de áreaportuária pública limitada a 25 anos, renovável uma só vez.

Em paralelo está em curso no governo um trabalho para destravar investimentos no setor portuário via mudanças pontuais no decreto que regulamentou a lei e nas portarias e resoluções subsequentes. Uma dasprincipais é a desburocratização das autorizações de instalações de usoprivado.

Existem hoje na Agência Nacional de Transportes Aquaviários(Antaq) 62 pedidos de autorização de instalações privadas (sobretudoterminais e estações de transbordo de cargas) que somam R$ 7,4 bilhões em investimentos."Se houver uma facilitação no regramento, em mais um ano e meio dois anos [os 62] podem ser autorizados", disse ontem o diretor­geral da Antaq, Adalberto Tokarski, durante evento sobre as oportunidades do setor.

Apesar de a nova Lei dos Portos ter tornado mais complexa as outorgas dessas instalações, aumentou a segurança jurídica ao acabar com a exigência de essas instalações movimentarem carga própria.

Desde então, foram autorizados 57 empreendimentos portuários privados.São R$ 13,4 bilhões em investimentos em curso. O sistema conta hoje com183 instalações privadas. No lado dos arrendamentos, o ritmo é mais lento.Após só conseguir arrendar três áreas ainda no PIL, o governo deve lançar ainda neste ano os editais para licitação de três terminais portuários da primeira etapa do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Outros três já foram escolhidos: dois em Paranaguá (PR), outro em Itaqui (MA).

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