June 04, 2014

Por uma ponte entre os investimentos público e privado

Fonte: InfoMoney - 3/6/2014 - 11h55

Sérgio Goldman

A Jornada do Empreendedor

O sócio de uma startup e o sócio de uma grande empresa deveriam ter pelo menos um objetivo em comum: a maximização do valor do negócio investido. Chegaria até a dizer que investir o capital próprio em uma startup ou em uma empresa que está fazendo seu IPO é se envolver com a empresa em estágios diferentes estágios de um mesmo processo. Por isso defendo fortemente uma aproximação maior dos mercados públicos (Bolsas de Valores) e privados (crowdfunding, investimento anjo, venture capital, private equity) de investimento do capital próprio.

Não é à toa que em mercado desenvolvidos como nos Estados Unidos, a grande maioria das startups criadas de forma organizada considera o IPO como um evento a ser seriamente considerado na estratégia futura do negócio.

Aqui no portal Infomoney temos vários especialistas escrevendo sobre estes diferentes tipos de investimento.

Apesar de diferentes, todos têm um ponto fundamental em comum; todos se originam na decisão de se investir capital próprio. Precisamos nos aproximar.

Um tema que pode ser usado para aproximar todas os diferentes tipos de investimento do capital próprio é mercado de acesso ou mais objetivamente, o que fazer para tornar mercado de acesso em Bolsa no Brasil uma opção real para pequenas e médias empresas e para empresas que façam parte do portfólio de fundos de venture capital e fundos de private equity.

Muitos consideram que mercados de acesso são bem sucedidos apenas em mercados desenvolvidos como Inglaterra onde o AIM possui 1.096 empresas listadas, sendo 226 empresas não Inglesas, ou no Canadá onde o TSVX, mercado de acesso da Bolsa de Toronto, tinha 2.109 empresas listadas em março de 2014.

Mas o que falar então das bem sucedidas experiências na Coréia do Sul e na Polônia?

No KOSDAQ da Coréia do Sul haviam 1.004 empresas listadas em maio deste ano.

No New Connect, mercado de acesso na Polônia, houve 42 novas listagens em 2013. Em maio deste ano, havia 438 empresas listadas.

O tema mercado de acesso no Brasil vem esquentando nos últimos meses. As propostas que fazem parte do Programa Brasil + Competitivo, série de medidas visando incentivar o empreendedorismo e facilitar o acesso de pequenas e médias empresas a capital para crescimento, devem ser votadas no Comitê de Finanças e Tributação do Congresso em 4/06.

São medidas extremamente bem-vindas para o empreendedor e para a economia como um todo e devem receber apoio de toda sociedade.

Acredito que até o final de 2014 poderemos ver a aprovação de uma série de medidas que incentivem o crescimento do mercado de acesso no Brasil.

Entretanto, vale enfatizar que esforços adicionais para disseminar de forma mais efetiva a cultura da renda variável no Brasil serão necessários.

Para empresas que desde já consideram abrir o capital, seja em mercado de acesso ou seja diretamente no mercado principal da Bovespa, vale ter em mente a importância do esforço de relacionamento com o mercado após o IPO.

Recentemente escutei uma analogia que a meu ver ilustra de forma bem eficiente os diferentes estágios do processo de abertura de capital.

A analogia é com o nascimento de uma criança. O IPO deve ser visto como o parto, tremendamente importante mas apenas o começo. O pós-IPO é o crescimento e educação da criança, esforço tão importante e talvez bem mais complexo do que o do nascimento

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