October 11, 2013

Ponto Final - A taxa do mundo é nossa

Fonte: Brasil Econômico / 11/10/2013

O Banco Central conseguiu. A taxa básica de juros praticada no país voltou a ser a maior do mundo

Com 9,5% ao ano ou 3,5% em termos reais, desbancamos a China e o Chile e não perdemos para mais ninguém. A crer nas previsões dos especialistas, não corremos o risco de entregar o caneco nos próximos meses.Diante do sucinto comunicado do Copom, que copia o dos meses anteriores, o mercado financeiro concluiu que haverá novo aumento de 0,5 ponto percentual na reunião de novembro.

O departamento econômico do Bradesco vai além e prevê ajuste também em janeiro. A Selic deve subir para 10,25% e assim se manterá até o final de 2014. Esse seria o arremate do atual ciclo de alta de juros que começou em abril.

Na visão do Bradesco, os aumentos da Selic vão consolidar o ciclo de normalização monetária no Brasil. Na mesma linha, o Banco Central explica que a decisão do Copom contribuirá "para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano".

Os empresários discordam e consideram que já é tempo de encerrar o ciclo de aperto monetário. Para a Firjan, a alta é equivocada. Paulo Skaf, da Fiesp, também protesta, avaliando que o novo ajuste pode prejudicar a retomada da atividade econômica que começa se esboçar.

Não houve, porém, dissenso na diretoria de Banco Central. Continua a prevalecer o raciocínio da ata da reunião do Copom de agosto. É preciso dar combate à inflação, o resto é acessório. A inflação provoca aumento de riscos, depressão de investimentos, encurtamento dos horizontes de planejamento das empresas, do governo e das famílias, com perda do poder de compra dos salários, além da deterioração da confiança dos empresários.

Teria, portanto, efeitos daninhos nos meses que antecedem o início da disputa sucessória. Daí a necessidade imperiosa de elevar os juros. Há quem diga que a presidenta Dilma não só endossa essa política como já teria autorizado o BC a ultrapassar a barreira dos 10% ao ano.

O Bradesco está comemorando de véspera. Diz que o BC "quebra a percepção do mercado de ‘tabu político' de que os juros não poderiam voltar a dois dígitos". Mas não se trata exatamente de um tabu político. Vale lembrar que a própria Dilma Rousseff prometeu fazer todo o possível, em sua gestão, para reduzir os juros abaixo dos 10% ao ano.

Na época, chegou a ser acusada de interferir na autonomia do BC, que estaria cedendo aos desejos do Planalto. Quando a Selic baixou para 9,75% em janeiro de 2012 houve comemoração e depois o governo tratou de mudar a regra de remuneração da poupança para permitir redução ainda maior dos juros.

Hoje, porém, o BC faz questão de enaltecer a ortodoxia. E, em suas análises, não dá maior peso aos efeitos colaterais da alta da taxa de juros. Sabe-se, porém que a Selic ajuda a combater a inflação na medida em que abala a expectativa de consumidores e empresários. Juros elevados provocam desaquecimento da economia e juros baixos, como se vê nos EUA e na Europa, servem de incentivo ao crescimento.

 

Tanto assim que Janet Yellen, indicada para a presidência do Fed, antecipou que não muda por enquanto a política de estímulos monetários porque sua prioridade é o combate ao desemprego. A turma do Copom, entretanto, confia na sorte e aposta tudo no recorde mundial de juros. Sob aplausos do mercado financeiro.

 

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