Fonte: A Tribuna - http://www.atribuna.com.br/ - 19/5/2015, página A-2, Editorial
Desde o final da década passada, a construção civil em nossa região passou por um surpreendente crescimento que agora vive por uma correção de rumos. A economia brasileira perdeu fôlego nos últimos anos, estimulada por erros do governo, e era previsível que essa desaceleração chegasse ao setor imobiliário, inclusive na Baixada Santista. Porém, um empreendimento leva de três a cinco anos para ficar pronto, desde a aquisição do terreno e aprovação do projeto até a entrega dos imóveis ao comprador.
Portanto, o segmento não pode ficar parado esperando a crise passar. Como o imóvel é um produto de longa maturação, a construção civil tem sempre que olhar para frente.
Nesse sentido, começa hoje o Fórum da Indústria da Construção de Santos e Região (Ficon), uma iniciativa do Sistema A Tribuna de Comunicação.
Esta é uma excelente oportunidade para discutir possibilidades e alternativas, abrindo perspectivas para a retomada da atividade na região.
O momento é especialmente desafiador para a construção civil no Brasil. A alta dos juros, com redução dos financiamentos, combinada com a retração dos gastos públicos, faz com que a construção civil enfrente o seu maior desafio dos últimos anos. Por exemplo, as obras de infraestrutura, um filão importante, que já enfrentam atrasos, agora estão na mira dos cortes do Palácio do Planalto.
No setor imobiliário, tanto os imóveis destinados à classe média e aos segmentos de renda alta quanto aqueles inseridos no Programa Minha Casa Minha Vida, enfrentam retração da demanda. Os problemas estão ligados aos mecanismos de financiamento: por um lado, os recursos disponíveis captados pela caderneta de poupança tiveram queda brusca; por outro, houve elevação dos juros cobrados, primeiro pela Caixa Econômica Federal, o principal agente financiador no País, seguido pelas demais instituições bancárias. A Caixa ainda reduziu a cobertura do financiamento dos imóveis usados, o que obriga o comprador a dar uma entrada maior.
A consequência é que, em 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve encolher 5,5%, o pior desempenho desde 2003. Se isso se confirmar, essa retração trará um efeito negativo no PIB nacional de 0,3%. Diante do cenário adverso, impõem-se políticas e ações públicas e privadas. As crises são sempre momentos importantes para a criatividade e o engenho, principalmente dos empresários.
A construção civil já viveu momentos especialmente difíceis no passado recente, com intensidade ainda maior do que a atual. Mas soube resistir e avançar. Obras de infraestrutura e construção de moradias são um imperativo do desenvolvimento, e precisam ocorrer em ritmo crescente.
Mas para que isso aconteça, é fundamental encontrar caminhos e soluções, e esse deve ser o objetivo dos governos e da iniciativa privada em diálogo franco e aberto.
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