May 22, 2013

Pandemopolis: "cidade-mundo"

Miguel Setas - Vice-presidente da EDP no Brasil

No próximo dia 4 de Junho, São Paulo acolherá a próxima edição da importante conferência “New Cities Summit”, organizada pela “New Cities Foundation”, que reúne líderes de todo o mundo, para debater os desafios do urbanismo e o papel das cidades. Este ano o tema será “A cidade humana”.

A urbanização progressiva está ocupando cada vez mais tempo de antena. A revista CEO Exame dedicou este mês uma edição inteira ao futuro das cidades. As estatísticas desta tendência econômica e demográfica são avassaladoras.

Hoje mais de metade da população mundial já vive em aglomerados urbanos. No início do século XIX as cidades albergavam apenas 2% da população mundial. Até 2050, projetam-se mais de dois terços de toda a população mundial a viver em cidades. Hoje chegam diariamente aos polos urbanos mais de 180 mil pessoas em todo o mundo!

Ou seja, está se formando aquilo a que poderíamos chamar uma "cidade-mundo"; aquilo que tomei a liberdade (e o atrevimento) de chamar "pandemopolis", inspirado no grego ("pan" significa "todo", "demos" significa "povo" e "pólis" significa "cidade"; "pandemopolis": "toda a população na cidade").

Atualmente há cerca de 4500 cidades com mais de 100 mil habitantes. No entanto, de acordo com um estudo da consultoria McKinsey & Co., dois terços do crescimento econômico, até 2025, estarão concentrados num grupo de 600 destas cidades. 440 ficam em países emergentes, das quais 250 estão na China.

A América Latina tem 57 cidades nesta lista, sendo 10 no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Campinas, Salvador, Recife e Fortaleza).

A conclusão é que as cidades serão cada vez mais o motor do crescimento mundial, em particular, as cidades de média dimensão situadas em países emergentes. A conclusão é também que os grandes desafios da governação (federal, estadual e municipal) se concentram nos problemas postos pelas cidades: geração de emprego, "favelização", mobilidade, impacto ambiental da concentração urbana, entre outros.

O surgimento do grupo C40 (Cities Climate Leadership Group), fundado em 2005, para coordenar políticas ambientais em 40 das maiores cidades do mundo, é uma evidência de que as cidades já entenderam o poder que lhes está atribuído pela dimensão que tomaram na economia mundial. A prazo, será mais importante o G20 ou C40?

A agência londrina de atração de investimento estrangeiro - Think London -, que inspirou a agência carioca - Rio Negócios -, é outro exemplo notório do papel que as cidades querem assumir na definição dos seus próprios destinos.

Já hoje Fernando Haddad, Eduardo Paes e outros prefeitos das principais cidades brasileiras têm em suas mãos importantes instrumentos de desenvolvimento, com um peso fundamental no crescimento econômico do Brasil. O que esta realidade nos leva a concluir é que o modelo administrativo vigente terá que evoluir a par da transformação demográfica mundial.

O mundo mudou. Está mudando muito. A relação entre os poderes federal, estadual e municipal terá de ser profundamente repensada para lidar com a nova realidade: bem vindo à "pandemopolis".

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Miguel Setas é vice-presidente da EDP no Brasil

Fonte: Brasil Econômico - 22/5/2013

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