Fonte: InfoMoney - 05/03/2015 - 9h15
Portas ficaram abertas com novo comunicado lacônico e muitos acham que podem haver mais elevações, mas ainda há quem veja Selic em 12,75% no fim do ano
Por Ricardo Bomfim
SÃO PAULO Com mais uma elevação da Selic, o Copom (Comitê de Política Monetária) já deixou a taxa básica de juros do Brasil no maior patamar desde 2009, mas isso ainda não é o fim do ciclo de aperto iniciado em outubro para a maior parte do mercado. As dificuldades políticas encontradas pelo governo para realizar o ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a inflação acima do teto da meta e a depreciação cambial podem fazer com que mais juros venham por aí.
Veja o que 4 economistas e instituições financeiras pensam sobre a nova reunião do Copom:
1. Santander
Em entrevista para a Agência Estado, o economistachefe do Santander, Mauricio Molan, afirmou que a repetição do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) mostra que a autoridade monetária segue aberta para continuar o ciclo de aperto. "Aos olhos de hoje, o BC não sinaliza a intenção de parar de subir os juros", afirmou ao Broadcast.
2. LCA
Apesar disso, a LCA Consultores vê fim do aperto monetário nesta reunião, acreditando que a Selic se manterá em 12,75% até o final de 2015. "Nos parece que o comunicado lacônico teria mais o objetivo de deixar as portas abertas para a continuidade do ajuste do que propriamente sinalizar o seu prosseguimento", disse a consultoria em relatório. Para a instituição, o crédito já vem minguando em uma economia enfraquecida e com perspectivas de inflação em prazos mais longos reduzida. Logo, o ajuste não seria mais tão necessário.
3. Rosenberg
Para a Rosenberg Associados, a Ata do Copom na semana que vem e o relatório de inflação serão duas oportunidades para o Banco Central mostrar ao mercado se na próxima reunião o Copom elevará a Selic em 50 pontosbase ou 25 pontosbase. No entanto, a casa continua apostando em uma alta de 0,25 p.p., que encerrará o ciclo e deixará a Selic em 13% em 2015. "Hoje a inflação foi o que pesou, mas talvez até a próxima reunião já tenha algum sinal mais favorável do ajuste fiscal, que teve um contrapé com o Renan Calheiros’’, disse a instituição.
4. Capital Economics
A Capital Economics citou a depreciação do real, com o dólar batendo R$ 3,00 ontem como principal motivo para mais este aumento da Selic. Elevações futuras parecem mais prováveis para o agora, disse a instituição. "Se o real se estabilizar em R$ 2,95, a próxima elevação pode ser de 0,25 p.p., mas se ele subir mais 0,5 p.p., a poderíamos esperar mais um aumento de 0,5 p.p."
5. Ativa Capital
"Se o ajuste fiscal ajudar a política monetária, ele [o Copom] pode parar na próxima, mas se em abril ele não estiver favorável, ele pode fazer mais elevações", afirma Arnaldo Curvello, da Ativa Investimentos. A devolução da Medida Provisória 669 das desonerações pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, revelou que o clima político deve tornar mais difícil o trabalho do governo para implementar cortes de gastos e aumento na arrecadação de impostos. "Em um cenário de não cumprimento da meta fiscal, o juro passa a ser não só um movimento de combate à inflação, mas uma ferramenta para reduzir a aversão ao risco", disse Curvello. Para ele, os juros voltaram a ser necessários para atrair capital.