May 20, 2013

O investimento e seu custo no Brasil

Júlio Gomes de Almeida - Professor de Economia da Unicamp e Ex-Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda


O custo dos bens de inversão não é o único fator levado em conta e muito menos é preponderante nas decisões de investir.


Os empresários avaliam o futuro e se a rentabilidade esperada é favorável podem tender para a efetivação do investimento mesmo com custos altos dos bens de capital e de construção. 
No Brasil, onde o custo do investimento não para de crescer, a força do seu mercado interno e as perspectivas de ganhos em atividades domésticas é fator para que a inversão progrida, embora a um ritmo que todos sabem é insatisfatório.


Mesmo assim, o país perde porque diante de alternativas de aplicação de capital em outras economias de menor custo o Brasil especializa-se em atrair inversões para as últimas etapas das cadeias produtivas, visando as vendas de bens finais em seu mercado. 


Um recente estudo do IEDI mostra o seguinte percurso do custo do investimento no Brasil, sempre avaliando o preço da formação bruta de capital fixo dos diversos países em termos do preço do PIB dos EUA (preço do PIB dos EUA igual a 100 em todos os anos):


- Há quase trinta anos, em 1985, o Brasil tinha o menor custo relativo do investimento dentre 52 países (índice de 30,8), menor inclusive que o da China;


- Em 2000, o preço do investimento situava-se em 48,9, o trigésimo nono mais alto de um total de 54 países. O índice já superava os patamares observados pelos países do BRICS, bem como pelos países do ASEAN-4 - Filipinas, Indonésia, Malásia e Tailândia, denotando que já se afastava do eixo mais dinâmico do investimento e do comércio mundial;


- De 2003 em diante o custo do investimento passou a crescer, mesmo com uma forte apreciação cambial, a qual costuma baratear os bens de capital importados, de modo que, em 2008, alcançou 83,4, então o segundo maior patamar registrado desde 1950, ficando aquém apenas do observado em 1953;


- Em 2010, o último ano para o qual os dados estão disponíveis, o preço da inversão atingiu 94,3, colocando o Brasil como um "país caro" para se investir, posicionando-se no décimo terceiro mais elevado entre 54 países. 


Para se ter ideia, na atualidade o custo relativo brasileiro supera o de quatro países do G7 (EUA, Alemanha, Itália e Reino Unido), é maior também do que o dos Tigres Asiáticos, dos integrantes do ASEAN-4 (exceto Indonésia) e dos países do BRICS, configurando um caso seguramente muito singular no processo de internacionalização da grande empresa nas últimas três décadas: ao invés de manter sua atratividade para o investimento que foi formando as cadeias de produção ao longo desse período, o Brasil caminhou no sentido oposto, sendo esse um fator muito importante para o seu afastamento das cadeias globais de valor. 


Os dados mais recentes das contas nacionais brasileiras mostram incremento do preço da formação bruta de capital fixo, indicando que o encarecimento da inversão vem tendo continuidade. 


O país deve redobrar esforços para baratear o investimento em máquinas e equipamentos e compensar o real menos valorizado através de políticas de redução de custos tributários em bens de capital e da depreciação acelerada para máquinas e equipamentos, dando especial atenção para os custos em construção e instalação, que vêm aumentando mais do que o custo em equipamentos. 


Terão também papel decisivo o barateamento das linhas de financiamento do BNDES e o desenvolvimento de fontes voluntárias de longo prazo.


Júlio Gomes de Almeida é professor do Instituto de Economia da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda


Fonte: Brasil Econômico / 20/5/2013

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