February 12, 2014

O chute e o preço internacional do café

Fonte: http://www.administradores.com.br/ - 11/2/2014

# O artigo estabelece uma reflexão sobre a importância da estatística para a geração de informações consistentes visando a formação do preço e a tomada de decisão gerencial no âmbito do agronegócio café.

Mara Luiza

Ao escrever este artigo voltado ao agronegócio café, tomo como referência um ditado muito popular que diz “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. No país do futebol, num ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo, os chutes envolvendo estatísticas sobre a safra do café ou o volume de perdas relacionadas à estiagem, ao que parece, é um legado cultural. É como chute em canela, durante uma partida com os amigos no final de semana: infelizmente faz parte.

A assimetria de informações é um ingrediente importante, quando se trata do conceito de risco em mercado financeiro. É em torno da informação que o mercado de café gira, não em torno do físico. O mercado físico só interessa, na verdade, para as torrefações do mundo todo, que antes do consumidor, são os clientes finais da cadeia em termos de volume de aquisição de matéria-prima. Como se sabe, o café é tido como um papel interessante.

Quanto investimento, em termos de rentabilidade, pode ser comparado ao petróleo, quanto opção de investimento. Somente em 2013, negociou-se na ICE Exchange o equivalente a 5 safras 2012/2013 e talvez, nesse ano, os volumes de aquisições de contratos de café na bolsa estadunidense sejam similares ou superiores. Desde que a estiagem começou a dar o tom no mercado, tornou-se corrente a discussão sobre as taxas de quebra da safra 2013/2014. Já ouvi percentuais que variam de 5% a 45%. Eu gostaria de ler os estudos estatísticos que fundamentaram esses indicadores.

Pessoalmente, acredito que se trabalha na base do olhômetro. E isso, do ponto de vista de negócio é um inferno, a medida que a especulação não é boa para ninguém. Altas de preços da saca ao longo de um pequeno ou médio período, historicamente, sempre redundaram no chamado ‘efeito manada’ no campo. O preço conduz ao plantio, a renovação de lavouras e num espaço de 3 a 4 anos, à super safras, que levam à baixas dramáticas do preço. Já se ultrapassou o momento de se profissionalizar o assunto, com informações tecnicamente amparadas em matemática e estatística.

Não sei quem cuidará desse assunto, visto que se trata de pauta estratégica de Estado. O Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (infelizmente terei que citar o conselho aqui, porque por hora não tem outro conselho com as mesmas incumbências jurídicas para tratar do assunto de Política Cafeeira. Desculpem-me, mas é necessário), precisa definir um interlocutor necessário para tratar do assunto de forma profissional. Duvido que alguém no mercado hoje, dada a assimetria de informações, consiga dizer no curto prazo, para onde irá.

Não é possível se permitir que os números de um negócio estratégico sejam uma decorrência do ‘achismo’, ainda que por algum tempo, isso gere um pequeno lucro. É necessário avaliar e oferecer informações precisas para o mercado, para que as  tomadas de decisão de cada um dos entes, no curto, médio e longo prazos, sejam consistentes e gerem de fato, o desenvolvimento sustentável.

Chute, somente rumo ao gol, dentro de campo.

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