May 27, 2013

Não basta ser criativo

Adolfo Menezes Melito - Presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da Fecomercio SP

Ambição, profundidade e paixão por resultados são muito possivelmente os principais ingredientes que podem levar empresas, instituições e governos para o topo da liderança.

Embora pareça relativamente óbvio que o modelo de engajamento é a única solução eficaz nesse processo, a transição entre os sistemas de gestão baseados em subordinação, comando e controle e o de autonomia, excelência e propósito parece letárgico. Este é um dos fatores que justificam a ascensão de empresas jovens, cujo desenho organizacional não consideram o status quo.

No Brasil e em todo o mundo, especialistas pesquisam modelos arrojados e descomplicados, que permitam desatar o nó que emperra o desenvolvimento das suas economias. Os principais obstáculos têm sido o legado, os aspectos culturais e os desequilíbrios socioeconômicos.

Um movimento que ganha força em todos os países é o do empreendedorismo como talvez única opção para um volume decrescente de empregos. Nesse movimento, predominam os países que fizeram a lição de casa a favor da educação de qualidade e que estimulam, há mais tempo, o espírito empreendedor. Também se beneficiam os países com economias saudáveis e ambiente de negócios estável e desembaraçado.

O empreendedorismo no Brasil nasce, assim, dentro de um ambiente muito pouco amistoso: excesso de governo, baixa qualidade da educação, baixa competitividade, protecionismo e cultura hierárquica. Estamos no pior dos mundos.

Não basta acelerarmos o desenvolvimento de empresas de baixa produtividade. Uma boa ideia de negócio necessita de liderança de conhecimento, brilho nos olhos e muita ambição para conduzir o negócio a um papel relevante no cenário internacional.

Assim, não basta parecer criativo, tem que conquistar de fato a posição de empresa inovadora, reconhecida pelo mercado e com grande potencial de desenvolvimento futuro.

Um primeiro grande passo nessa direção é ter a consciência de que há obstáculos enormes a serem superados, elencar dois ou três cuja superação é vital e trabalhar incessantemente para desobstruir os canais de desenvolvimento de negócios no país. 

Segundo o consultor Vicente Falconi, a etapa mais importante em todo o processo de definição da estratégia, processos e sistemas de gestão é identificar a métrica mais adequada, que não gere distorções ou desvios ao longo do caminho.

Durante alguns anos, a revista Business Week apresentou o ranking das empresas mais inovadoras no mundo, trabalho agora desenvolvido de maneira mais segmentada pela revista Fast Company. 

As empresas assim classificadas sempre tiveram algo em comum: a forte orientação ao cliente ou consumidor e uma forma muito diferente de tratar os seus talentos: rigor na seleção e retenção, ambiente e políticas internas que estimulam a criatividade, com autonomia, excelência forte compartilhamento de propósitos. 

A boa notícia é que essa orientação age de maneira positiva em qualquer cultura: a empresa Tsinchuan, uma dentre as mais de 200 montadoras de veículos chinesas que nasceram num ambiente de baixíssima produtividade sob a gestão do governo, adquirida em 2002 pelo Grupo BYD (Build your Dreams) é hoje líder mundial em veículos híbridos e baterias. 

Em 2008 atraiu investimentos do megainvestidor Warren Buffett e na última edição do ranking da Business Week figurou dentre as 10 empresas mais inovadoras do mundo.

Adolfo Menezes Melito é presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da FecomercioSP

Fonte: Brasil Econômico / 27/5/2013

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