March 23, 2015

Moody’s: Brasil é o terceiro país mais vulnerável à alta do dólar

Fonte: O Globo - 23/3/2015 - 13h27

# Segundo agência de classificação de risco, Turquia e Chile estão à frente

RIO - Um relatório da Moody’s mostra que nem todos os países emergentes estão sentindo da mesma forma a onda de valorização do dólar. De acordo com o documento, citado pelo “Financial Times”, a Turquia é o país mais vulnerável à alta da moeda americana, seguido de Chile e Brasil.

Segundo a analista Marie Diron, mais vulneráveis são os países muito dependentes da entrada de capital estrangeiro para financiar o déficit fiscal ou de conta corrente. As perspectivas de crescimento e o aumento das taxas de juros dos EUA poderiam reduzir significativamente os fluxos de investimento e de capital na Turquia e na África do Sul, segundo a analista, que cita também, mas em menor grau, Colômbia e Brasil, que podem enfrentar dificuldades para financiar seus déficits.

O dólar mais forte, acrescenta o relatório citado pelo “FT”, também é ruim para economias com grandes dívidas na moeda, como Turquia, Malásia e Chile, pois os pagamento do que devem ficará mais caro.

Com base em quatro indicadores — saldos em conta corrente, dívida externa total, pagamento da dívida externa em no curto prazo frente às reservas cambiais e parcela da dívida em moeda estrangeira na dívida total do governo — a Moody’s considera que a Turquia é a mais vulnerável à desvalorização da moeda. Chile e Brasil aparecem em seguida.

“No Brasil, onde a inflação é elevada, a pressão externa impede a flexibilização da política monetária e limita a habilidade dos políticos para sustentar o crescimento”, afirma a Moody’s no documento.

Já o relatório do Goldman Sachs afirma que o banco acabou de realizar um visita de três dias ao país e que o sentimento é muito negativo devido à deterioração do ambiente macroeconômico, político e social nos últimos dois, três meses. Além disso, destaca que a “visão dominantes nas três esferas é de que pode piorar em vez de melhorar”. O documento também destaca que uma série de incertezas persiste no país, como a crise de água e energia, assim como os desdobramentos da Operação Lava-Jato.

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