December 02, 2014

Monteiro defende fortalecimento da indústria e critica sistema tributário

Fonte: Folha de S. Paulo - 1.º/12/2014 - 17h02

Atualizado às 22h59

MÁRCIO FALCÃO

SOFIA FERNANDES

VALDO CRUZ

DE BRASÍLIA

Em meio a críticas ao intrincado sistema tributário brasileiro, à burocracia, infraestrutura precária e a outros fatores que desestimulam o investimento, o novo ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, disse ter sido escolhido pela presidente Dilma para fazer uma maior interlocução com o setor produtivo.

Em seu primeiro discurso como ministro oficializado, nesta segunda-feira (1º), Monteiro afirmou que o que mais preocupa no resultado da balança comercial brasileira, que periga terminar o ano em deficit, é a queda na exportação de produtos manufaturados, que foi de 10% este ano.

"A indústria tem papel central na agenda de crescimento do país. Não há como crescer mais sem que a indústria tenha dinamismo. Crescer pela indústria é sempre o melhor caminho", afirmou, destacando a relação da atividade industrial com criação de empregos de qualidade e desenvolvimento tecnológico.

Monteiro foi o quarto ministro escalado oficialmente para compor a equipe do segundo mandato de Dilma, e passa a despachar, desde já, ao lado do ainda ministro Mauro Borges.

Na semana passada, foram escalados Joaquim Levy para a Fazenda e Nelson Barbosa para o Planejamento, que, por ora, trabalham no Palácio do Planalto. Alexandre Tombini foi convidado a permanecer no comando do Banco Central.

Monteiro é senador pernambucano, pelo PTB. Foi presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) de 2002 a 2010 e perdeu, neste ano, a disputa pelo governo do Estado de Pernambuco para Paulo Câmara (PSB).

Em seu discurso, reforçou que o desafio central de sua gestão será promover a competitividade, reduzir custos e elevar a produtividade da indústria brasileira.

EIXOS

Monteiro destacou que irá buscar medidas que não demandem "muito esforço fiscal", mas que podem melhorar a competitividade da indústria brasileira, como desburocratização e aperfeiçoamento do ambiente regulatório e tributário.

"Acho que há espaço para fazer política industrial como aliança entre o setor produtivo e o governo para promover a competitividade."

Ele citou cinco eixos de atuação. O primeiro vai na direção de reformas para reduzir impacto fiscal, com desburocratização e simplificação dos processos para facilitar o comércio exterior.

Outro eixo se refere a uma "política de comércio exterior mais ativa", com ampliação dos acordos comerciais com parceiros estratégicos.

Investimento e renovação do parque fabril, com o apoio de bancos públicos, será outra prioridade.

Os outros dois eixos são um "arranjo institucional" que favoreça e estimule a inovação e um aperfeiçoamento do sistema de governança, no sentido de ampliar a competitividade.

FINANCIAMENTO

Monteiro destacou ainda a necessidade de um novo modelo de financiamento que possa estimular a produtividade e a competitividade da indústria brasileira.

Após a coletiva, ele falou a jornalistas que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) continuará tendo um papel de destaque.

"O BNDES sempre terá um orçamento importante, porque o próprio retorno de suas operações ativas já garante ao banco um orçamento muito expressivo."

O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou que dentro dos ajustes da nova política econômica está a redução dos aportes da União ao banco estatal.

CÂMBIO

Monteiro afirmou que o real valorizado resultou, ao longo da última década, em perda na competitividade da economia brasileira, mas que "teremos um realinhamento cambial em situações naturais, sem nada que pareça movimento brusco".

O novo ministro prometeu trabalhar na construção de acordos para destravar o comércio com Chile, Colômbia e outros países da América do Sul além do Mercosul e reduzir o tempo de despachos nas aduanas brasileiras, simplificando as operações.

Sobre Mercosul, afirmou que há sempre "necessidade de ajustes" e assimetrias entre os países membros, mas que o bloco oferece vantagens, como relacionamento com outros blocos.

O novo ministro disse ser possível concluir o acordo entre Mercosul e União Europeia nos "próximos meses".

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