Fonte: Conferência Internacional Cidades Inovadoras - http://cici2014.com/ - 8/5/2014
# Palestras mesclaram empreendedorismo, inovação e novas tecnologias na educação em prol de uma sociedade mais benéfica
As discussões econômicas sobre startups e inovação dominaram as palestras da tarde na Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2014). Dois palestrantes internacionais, o português Marco Bravo e o americano Shaun Abrahansom, abordaram o empreendedorismo sob diferentes perspectivas, enquanto Enio de Aragon, responsável pelo segmento de Tecnologia Educacional da Positivo Informática, e o professor da Unicamp Renato Dagnino focaram, respectivamente, nas novas formas de ensino e na economia solidária. A CICI2014 segue até sexta-feira e as inscrições gratuitas podem ser feitas no local.
Bravo se baseou na experiência de Austin, nos Estados Unidos, para avaliar a criação dos “Ecossistemas de Inovação”. De acordo com o engenheiro industrial, o bom resultado do município se deve à interação entre vários fatores. “É preciso haver excelência em todos os setores. Não basta haver uma universidade referência, uma ótima administração pública ou grandes empresas isoladamente”, afirmou. Devido a isso, Austin deixou de ser uma exportadora de talentos para se tornar, em cerca de uma década, um dos principais ambientes de negócios dos Estados Unidos. “Mais do que a estrutura, é preciso engajar as pessoas nesses objetivos”, ressaltou.
O norte-americano Shaun Abrahamsom lidera o Urban.us, uma espécie de investidor anjo de startups engajadas em benefícios para a comunidade. “Lançamos o Urban.Us com o propósito de criar companhias que possam gerar benefícios financeiros para os acionistas, mas, simultaneamente, criar melhorias para a população como um todo. Entre os exemplos de startups apoiadas, estão a Handup, de San Francisco, que direciona doações a pessoas desabrigadas das vizinhanças, e o Whatupbridge, que monitora a infraestrutura do seu bairro e acompanha atrasos nessa melhoria.
No Fórum iCities, focado em empreendedorismo, os debatedores avaliaram que, embora as startups mais notórias, como Facebook, Google ou Whatsapp tenham obtido muito sucesso e valor comercial, não se trata da realidade da maioria dos empreendedores. Para Marcelo Pimenta, professor de Gestão da Inovação da ESPM, o propósito do empreendimento não pode ser o enriquecimento, mas ter um propósito específico. E o sucesso, conforme Caio Bonatto, responsável pela implantação de tecnologias inovadoras para a construção civil no Brasil, está relacionado à resiliência dos empreendedores.
Denis Rezende, pós-doutor em Cidades Estratégicas, defende a necessidade de se desenvolver projetos estratégicos pelas administrações públicas, que beneficiem a coletividade. Além dos três, o debate contou com a participação de Charles Stepaniack, da startup Smart Bee; José Marinho, da RCD, que planeja a implantação de cidades digitais; Mario Almeida, presidente da Associação Brasileira de Startups; com a mediação de Allan Costa.
Educação em debate
As ideias inovadoras dessa startups estão diretamente relacionadas às novas maneiras de educar, tema da palestra de Aragon. De acordo com ele, 65% das crianças de hoje vão trabalhar em profissões que não existem hoje.
E o aprendizado da nova geração está relacionado à tecnologia, seja com a inserção das aulas de programação no currículo ou em novos formatos de educar, alterando o modelo atual do ensino. “Podemos falar de ensino adaptativo, no qual, por meio de algoritmos, é possível acompanhar o aprendizado de cada estudante, de forma individual. Ou mesmo da gameficação, que torna os conteúdos mais atrativos, permitindo até mesmo que os alunos compitam entre si”, explicou.
Nesse contexto, de mudança de gerações, o professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Renato Dagnino, em sua palestra sobre tecnologias sociais, afirmou que a cadeia formada por consumo, produção e emprego não funciona mais e as tecnologias sociais podem aumentar a eficiência das cidades. “A tecnologia social é crescentemente percebida como uma proposta necessária para garantir a sustentabilidade dos empreendimentos solidários frente ao mercado formal”, ressaltou.
O professor defendeu a necessidade de implantar a que o fato de o Brasil ser líder em reciclagem de alumínio evidencia que se pode estender sua cadeia produtiva da economia solidária – que hoje termina na venda de sucata aos atravessadores – até as esquadrias, fogões, panelas, móveis para as casas que serão construídas. Para tal, defende o uso de 4% no PIB para as cooperativas. “Com isso, poderíamos aumentar a eficácia e efetividade das cidades e garantir o emprego das pessoas”, disse.