Fonte: Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha - http://www.acinh.com.br - 18/8/2014
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”
Salmo 127:1
1-Qual a competência essencial das organizações e dos empreendedores?
Este questionamento orientador do texto que segue, identifica a curiosidade e a grande preocupação de um significativo número de organizações e das pessoas que as dirigem, em abraçar a desafiadora causa de colocar as suas organizações em uma condição de destaque nos ambientes onde atuam, os chamados mercados.
O fundamento da melhoria contínua, segue tendo o seu lugar consagrado tanto nas organizações de maior , como também nas de menor porte, e principalmente nas pequenas e mico empresas. Profissionais atuando individualmente também recorrem a este princípio, para aperfeiçoarem os seus desempenhos pessoais e profissionais.
Neste cenário, merece ser chamado a atenção, uma condição importante, nem sempre considerada pelas organizações e pelos empreendedores individuais: o tempo que nos envolve e percebido pelo seu avanço de modo contínuo e irreversível, é o fator fundamental ou o combustível para o desenvolvimento destas ações de melhorar continuamente.
As melhorias e aperfeiçoamentos identificados nas referências anteriores, tem a função de acompanhar e materializar internamente às organizações, as manifestações de mudança dos desejos e necessidades dos consumidores e dos mercados, para então aperfeiçoar e adequar produtos e serviços à estas novas realidades e exigências daquelas partes interessadas. Esta é a visão da maioria significativa das organizações nos tempos atuais. Esta postura organizacional é identificada como comportamento organizacional reativo.
Porém os comportamentos das partes interessadas estruturadoras dos mercados e dos consumos, têm mudado consideravelmente nos últimos tempos, por manifestarem de forma crescente e enfática, a mobilidade e a rapidez das suas “mudança ambientas ” que os envolvem e que são por sua vez, a fonte das mudanças rápidas de suas necessidades de satisfação. Isto representa dizer que as necessidades dos consumidores e dos mercados passaram a ser, à medida do avanço do tempo, identificadas por uma característica: cada vez mais fugazes e de grande dinamismo.
A estratégia da melhoria contínua como promotora do desenvolvimento da excelência dos produtos e serviços disponibilizados aos mercados é o caminho tradicionalmente utilizado. Esta estratégia tem a característica de ser “alargadora do tempo de promoção de mudanças”, característica este que os mercados e os consumidores não estão mais dispostos aceitar, e portanto, estão abertos para a buscar fornecedores extremamente ágeis, com tempos de oferta de mudanças e de avanços nos produtos e serviços disponibilizados cada vez mais curtos e com mudanças cada vez mais rápidas, significativas e perceptíveis nas suas ofertas.
Os consumidores e os mercados, estão migrando rapidamente para novos fornecedores, pois desejam ser surpreendidos por mudanças radicais de produtos e de serviços ofertados.
Há uma comprovada migração, da excelência de produtos e serviços gerados pelas melhorias contínuas, para o que é substancialmente novo, para o que é inesperado e para o ainda inexistente, em termos de produtos e serviços oferecidos. Isto representa dizer que: A excelência gerada pela melhoria contínua começa cada vez mais perder o “campeonato da preferência dos compradores e dos mercados”, para o que é inédito e inovador.
Reforçando estas considerações, as organizações estão sendo obrigadas para a migração flagrante da excelência, para o inédito, ou seja, esta nova diretriz “para o novo, para o ainda não existente”, está fazendo a cabeça dos consumidores e dos mercados e da sociedade no seu todo. É o Tempo, este fator tão intangível, tão pouco disponível e tão inexplicável, o gerador desta necessidade e ansiedade crescente de ineditismo e do ainda não imaginado e não pensado das pessoas e dos consumidores.
Para lidar com o Tempo e sua fluidez, a estratégia é o trabalho com os processos organizacionais onde este fator é uma componente essencial. O estudo dos processos organizacionais passam a ser vistos e avaliados pela duração destes. Quanto maior a sua duração, mais afetada será a competitividade da organização, pois há um “retardamento” no atendimento das necessidades dos consumidores e dos mercados mesmo que a qualidade ofertada seja de elevados níveis.
Deste modo, o desafio organizacional de lidar com o Tempo, passa então necessariamente pela criatividade e pela inovação!. Sem a prática efetiva da criatividade e da inovação, não há como acompanhar as mudanças rápidas e disruptivas dos mercados, definidas pelo andar absoluto do Tempo que avança inexorável. As organizações perseguidoras do objetivo de se tornarem longévalas, devem desenvolver a competência essencial de “ter o domínio do Tempo” pois este é o fator que as conduzirá para um presença reconhecida, de longuíssimo prazo nos mercados.
O domínio do Tempo é portanto, a competência essencial e fundamental para a geração de inovações, com base na criatividade. Frente a esta realidade tão desafiadora, cabe então a pergunta: Podemos ser mais criativos e a partir desta condição, sermos também inovadores, para buscar esta condição de longevidade da nossa presença nos mercados?
2-Ser mentalmente mais criativos e operacionalmente mais inovadores é o desafio irreversível e impostergável frente ao qual estão as pessoas, os profissionais e as organizações.
As organizações e as pessoas nelas atuantes, não podem pensar que as inovações surgem ao acaso como algo que “cai na nossa mente de repente. Mesmo que isto possa parecer estranho, esta não é a realidade. As inovações são deliberadas como já foi colocado em posicionamentos escritos anteriormente. Elas necessitam, isto sim, serem estimuladas, por fatores como:
-Riscos, onde os inventores se expoõe à riscos para demonstrar a efetividade e utilidade de suas idéias incomuns. Exemplo: Santos Dumont ao voar com o seu 14-BIS comprovando a sua teoria do vôo do mais pesado que o ar, sabia perfeitamente que estava sujeito à acidentes.
-Dor e sofrimento, onde os inventores são expostos ao descrédito de suas idéias e proposições. Exemplo: O filósofo Paracelso que desenvolveu os métodos experimentais e instituiu a experiência como um método para desenvolver as ciências. Na época que lançou estas idéias e fundamentos foi olhado como fora do seu tempo e que isto não era necessário.
-Trabalho Duro: Foi esta a condição pelo qual passou Galileu Galilei, que criou e implementou o conceito de pensamento científico que na Idade Média, onde viveu, esta forma de pensar inexistia. O pensamento científico foi uma inovação essencial para o progresso da humanidade
-Mais Intervalo: Mesmo trabalhando duro, é necessário serem dados à mente e ao cérebro, intervalos de descanso, pois é nestes que as inovações afloram. René Descartes, desenvolvedor dos fundamentos da matemática hoje utilizada, sabia bem o valor dos intervalos a serem dados ao pensamento científico e inovador. A assimilação de inovações não é rápida pela sociedade e cria até, uma sobrecarga de coisas novas nas pessoas, levantando suspeitas e questionamentos como: “de onde este pensador tira tantas novas idéias e novas proposições? Nikola Tesla era acusado de buscar suas inspirações para desenvolver inovações junto à seres extraterrestres, em função da velocidade da sua capacidade de gerar inovações.
-Mais tempo sozinho: As organizações devem oportunizar momentos nos quais os seus colaboradores individual e isoladamente possam desenvolver reflexões para gerar e desenvolver a criatividade longe das pressões do trabalho. Albert Einstein sempre se valeu do estar sozinho para desenvolver a sua fabulosa Teoria da Relatividade. A criatividade e a inovação são originalmente ações pessoais e normalmente exigem uma privacidade e isolamento das pessoas que as desenvolvem.
-Mais sentidos humanos:Os seres humanos não evoluíram ao longo destes milênos de anos que já se passaram, somente olhando e observando os números e como manipulá-los para desenvolver estatísticas aperfeiçoadoras das organizações. Estas devem dar um sentido à suas existências quando proporcionam aos seus membros as oportunidades de criar algo novo, como aconteceu para Wallace Carothes que descobriu e desenvolveu o neoprene, a borracha sintética, na Dupont.
-Mais questionamentos: Será que os fundamentos da economia mundial realmente promovem o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social para nós seres humanos?. A negação como resposta a esta pergunta pode gerar a substituição dos fundamentos da economia mundial estruturada por fundamentos de linearidade e sequencialidade, por estruturas econômicas em formato de redes articuladas pela transdiciplinaridade e operacionalizadas pela simultaneidade operacional: Henri Bérgson, filósofo, matemático e físico, inovou conceitos da física aplicáveis aos fundamentos econômicos, ao desenvolver e comprovar o fundamento da simultaneidade no espaço-tempo, aplicável à economia e aos processos desenvolvidos pelas organizações. Hoje existem estudos econômicos que avaliam e comprovam as mazelas para a humanidade, pelo uso indiscriminado da sequencialidade das linhas de produção. O fundamento da simultaneidade ainda não foi assimilado como uma inovação que promove á sustentabilidade plena da humanidade.
-Maior procura pelo belo: O entendimento de que a estética e o belo está relacionado à inovação é uma questão muito pouco considerada e operada. Há atividades econômicas onde o belo é a fonte de inovações. No setor da construção civil são incontáveis os desenvolvimentos de inovações na forma de produtos para o embelezamento das construções cujo resultado é a maior qualidade de vida dos residentes. A inovação neste campo promove também o desenvolvimento de produtos inovadores de baixo custo, embelezadores das construções e que também tem o poder de alongar significativamente, a vida útil destas.
-Mais aproximação com os clientes e os mercados: O atendimento local dos clientes e dos mercados, constitui-se certamente em uma das mais poderosas ferramentas geradoras de inovações, pois as respostas a serem fornecidas a esta partes interessadas frente aos seus questionamentos, constituem-se em uma fonte poderosa e infindável de geração de inovações.
-Mas qualidade de vida pela solução adequada de problemas de saúde: O Raio X, que permite aos médicos terem uma adequada e rápida visão e percepção de dificuldades e de problemas internos ao corpo humano, sem agredí-lo por intervenções cirúrgicas e procedimentos invasívos, é certamente uma das mais expressivas inovações até hoje desenvolvida . O descobridor do raio o X foi Nikola Tesla.
-Mais qualidade de vida nos ambientes de vivência das pessoas: A lâmpada incandescente desenvolvida por Thomas Edison eliminando o uso de velas e de outros recursos rudimentares para iluminar os ambientes de convivência das pessoas, permitiu e assegurou um avanço expressivo na qualidade de vida da humanidade.
-Mais sentidos humanos: Linus Pauling certamente um dos maiores cientistas que atuou fortemente pelo desenvolvimento da química e de inovações neste campo, colocava sempre em suas manifestações: A natureza do mundo do amanhã, dependerá do que fazemos hoje, do que fazemos como químicos e do que fazemos como seres humanos. Este pesquisador foi certamente um dos mais conscientes cientistas quanto ao valor e da contribuição das inovações no campo da química, para a humanidade.
3-As repercussões e os efeitos “colaterais” não imaginados resultantes da geração de inovações.
As inovações na maioria significativa das vezes, têm tido a capacidade de gerar “explosões de benefícios” não pensados quando de suas descobertas e desenvolvimentos. Um exemplo disto, é o Raío X, que quando de sua descoberta, tornou-se de uso e de utilidade fundamental na área da saúde, tanto em hospitais como em clínicas médicas, para detectar fraturas e outros danos ao corpo humano.
Esta inovação foi também olhada por uma perspectiva mais ampla e sistêmica, mostrando ser uma inovação possível de ser utilizada também para assegurar e proteger a vida daqueles que dependem de alguma forma, do bom funcionamento e da segurança de máquinas.
Deste modo, é possível pela aplicação dos Ensaios Não Destrutivos (END) baseados no Raio X, investigar a sanidade estrutural das máquinas e equipamentos produzidos e destinadas à produção dos mais diferentes bens e produto, pela não existência de trincas e falhas de materiais, sem causar-lhes danos ou quaisquer alterações nas suas características de desempenho e funcionalidade projetados.
Estes ensaios por raios X, podem se repetir com a frequência desejada, assegurando por longos períodos as adequadas condições de desempenho desejados às máquinas produzidas e disponibilizadas aos mercados de produção de bens e utilidades.
Este é um exemplo prático da “derivação ou efeito colateral” de uma inovação da sua função original. Esta condição de flexibilidade é de extrema importância pois aumenta sensivelmente o valor de uma inovação. O desejável quando se aborda e se examina o valor de uma inovação identificar a universalidade de suas aplicações. Um inovação multi-aplicável engrandece o valor desta e, normalmente traz para o seu gerador, grandes retornos financeiros.
Quem viver, verá!
Referências: Internet
Fonte: Eng. MSc. Fernando Oscar Geib