August 19, 2014

Inovação é dar vida às ideias incomuns

Fonte: Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha - http://www.acinh.com.br - 18/8/2014

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”

Salmo 127:1

1-Qual a competência essencial das organizações e dos empreendedores?

Este questionamento orientador do  texto que segue, identifica a curiosidade e a grande preocupação de um significativo número de organizações e das pessoas que as dirigem, em abraçar a desafiadora causa  de colocar as suas organizações  em uma condição de destaque nos ambientes onde atuam, os chamados mercados.

O fundamento da melhoria contínua, segue  tendo o seu lugar consagrado tanto nas  organizações de maior , como também nas de menor porte,  e principalmente nas  pequenas e mico empresas. Profissionais atuando  individualmente também recorrem a este princípio,  para aperfeiçoarem os seus desempenhos pessoais e profissionais.

Neste cenário, merece ser chamado  a atenção, uma condição importante, nem sempre considerada pelas organizações e pelos empreendedores individuais: o tempo que nos envolve e   percebido pelo seu avanço de modo contínuo e irreversível, é o fator fundamental ou o combustível para o desenvolvimento destas ações de  melhorar continuamente.

As melhorias e aperfeiçoamentos identificados nas referências anteriores, tem a função de acompanhar e materializar internamente às organizações,  as manifestações de mudança dos desejos e necessidades dos consumidores e dos mercados,  para então aperfeiçoar e adequar   produtos e serviços à estas novas realidades e exigências daquelas partes interessadas.  Esta é a visão da maioria significativa das organizações nos tempos atuais.  Esta postura organizacional é identificada como comportamento organizacional reativo.

Porém os comportamentos das partes interessadas estruturadoras dos mercados e dos consumos,  têm mudado consideravelmente nos últimos tempos, por manifestarem de forma crescente e enfática,  a mobilidade e a rapidez  das suas  “mudança ambientas ”   que  os envolvem e que são  por sua vez, a fonte das mudanças rápidas de suas necessidades de satisfação.  Isto representa dizer que as necessidades dos consumidores e dos mercados  passaram a ser, à medida do  avanço do tempo, identificadas  por uma característica: cada vez mais fugazes e de grande dinamismo.

A estratégia da melhoria contínua como promotora do desenvolvimento da excelência dos  produtos e serviços disponibilizados  aos mercados é o caminho  tradicionalmente utilizado.  Esta estratégia tem a característica de ser “alargadora do tempo de promoção de mudanças”, característica este que os mercados e os consumidores não estão mais dispostos aceitar,  e portanto,  estão abertos para a buscar fornecedores extremamente ágeis,  com  tempos de oferta  de mudanças  e de avanços  nos  produtos e serviços disponibilizados cada vez mais curtos e com mudanças cada vez mais rápidas, significativas e perceptíveis nas suas ofertas.

Os consumidores e os mercados, estão migrando rapidamente para novos fornecedores, pois desejam ser surpreendidos por  mudanças radicais de produtos e de serviços ofertados.

Há uma comprovada migração, da  excelência de produtos e serviços gerados  pelas melhorias contínuas, para o que é substancialmente novo,  para o que é inesperado e para o ainda inexistente, em  termos de produtos e serviços oferecidos.  Isto representa dizer que: A excelência gerada pela melhoria contínua começa cada vez mais perder  o “campeonato  da preferência dos compradores e dos mercados”,  para o que é inédito e inovador.

Reforçando estas considerações, as organizações estão sendo obrigadas para a migração  flagrante da excelência,  para o inédito,  ou seja, esta nova diretriz “para o novo, para o ainda não existente”,  está fazendo a cabeça dos consumidores e dos mercados e da sociedade no seu todo.  É o Tempo, este  fator tão intangível, tão pouco disponível  e tão inexplicável, o gerador desta necessidade e ansiedade crescente  de  ineditismo e do  ainda não imaginado  e não pensado das pessoas e dos consumidores.

Para lidar com o Tempo e sua fluidez, a estratégia é o trabalho com os processos organizacionais onde este fator é uma componente essencial. O estudo dos processos organizacionais passam a ser vistos e avaliados pela duração destes. Quanto maior a sua duração,  mais afetada será a competitividade da organização, pois há um “retardamento” no atendimento das necessidades dos consumidores e dos mercados mesmo que a qualidade ofertada seja de elevados níveis.

Deste modo, o desafio organizacional de lidar com o Tempo,  passa então necessariamente  pela  criatividade e pela inovação!. Sem a prática efetiva da criatividade e da inovação, não há como acompanhar as mudanças rápidas e disruptivas dos mercados, definidas pelo andar absoluto do Tempo que avança inexorável.  As organizações perseguidoras do objetivo de se tornarem longévalas,  devem desenvolver a competência essencial de “ter o domínio do Tempo” pois  este é o fator que as conduzirá para um presença reconhecida, de longuíssimo prazo nos mercados.

O domínio do Tempo é portanto, a competência essencial e fundamental  para a geração de inovações, com base  na criatividade.  Frente a esta realidade tão desafiadora, cabe então a pergunta: Podemos ser mais criativos e a partir desta condição,  sermos também  inovadores, para buscar esta condição de longevidade da nossa presença nos mercados?

2-Ser  mentalmente mais criativos e operacionalmente mais inovadores é o desafio irreversível e impostergável  frente ao qual estão as pessoas,  os profissionais e as organizações.

As organizações e as  pessoas nelas atuantes,  não podem pensar que as  inovações surgem ao acaso  como algo que “cai na nossa mente de repente.  Mesmo que isto possa parecer estranho, esta não é a realidade. As inovações são deliberadas como já foi colocado em posicionamentos escritos anteriormente. Elas necessitam, isto sim,  serem  estimuladas,  por  fatores como:

-Riscos, onde os inventores se expoõe à  riscos  para demonstrar a efetividade e utilidade de suas idéias incomuns. Exemplo: Santos Dumont ao voar com o seu 14-BIS comprovando a sua teoria do vôo do mais pesado que o ar, sabia perfeitamente que estava sujeito  à acidentes.

-Dor e sofrimento, onde os inventores são expostos ao descrédito de suas idéias e proposições. Exemplo: O filósofo Paracelso que desenvolveu os métodos experimentais e instituiu a experiência como um método para desenvolver as ciências.  Na época que lançou estas idéias e fundamentos  foi olhado como fora do seu tempo e que isto não era necessário.

-Trabalho Duro: Foi esta a condição pelo qual passou Galileu Galilei, que criou e implementou o conceito de pensamento científico que na Idade Média, onde  viveu, esta forma de pensar inexistia.  O pensamento científico foi uma inovação essencial para o progresso da humanidade

-Mais Intervalo: Mesmo trabalhando duro, é necessário serem dados à mente e ao cérebro, intervalos de descanso, pois é nestes que as inovações afloram.  René Descartes, desenvolvedor dos  fundamentos da matemática hoje utilizada,  sabia bem o valor dos intervalos a   serem dados ao pensamento científico e inovador.  A assimilação de inovações não é rápida pela sociedade e cria até,  uma sobrecarga de coisas novas nas pessoas,   levantando   suspeitas e questionamentos como: “de onde este pensador tira tantas novas idéias e novas proposições?  Nikola Tesla era acusado de buscar suas inspirações para desenvolver inovações junto à seres extraterrestres, em função da velocidade  da sua capacidade de gerar inovações.

-Mais tempo sozinho: As organizações devem oportunizar momentos nos quais os seus colaboradores individual e isoladamente possam desenvolver reflexões para gerar e desenvolver a criatividade longe das pressões do trabalho. Albert Einstein sempre se valeu do estar sozinho para desenvolver a sua fabulosa Teoria da Relatividade. A criatividade e a inovação são originalmente ações pessoais e normalmente exigem uma privacidade e isolamento das pessoas que as desenvolvem.

-Mais sentidos humanos:Os seres humanos não evoluíram ao longo destes milênos de anos que já se passaram, somente olhando e observando os números e como manipulá-los  para desenvolver estatísticas aperfeiçoadoras das organizações. Estas devem dar um sentido à suas existências quando proporcionam aos seus membros as oportunidades de criar algo novo, como aconteceu para Wallace Carothes que descobriu e desenvolveu o neoprene, a borracha sintética, na Dupont.

-Mais questionamentos: Será que os fundamentos da economia mundial  realmente promovem  o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento  social para nós seres humanos?. A negação como resposta a esta pergunta pode gerar a substituição dos fundamentos da economia mundial estruturada por fundamentos de linearidade e sequencialidade, por estruturas econômicas em formato de redes articuladas pela transdiciplinaridade  e operacionalizadas pela simultaneidade operacional:  Henri Bérgson, filósofo, matemático e físico, inovou conceitos da física aplicáveis aos fundamentos econômicos,  ao desenvolver e comprovar o fundamento da simultaneidade no espaço-tempo, aplicável à economia  e aos processos desenvolvidos pelas organizações.  Hoje existem estudos econômicos  que avaliam e comprovam as mazelas  para a humanidade, pelo uso indiscriminado da sequencialidade das linhas de produção.  O fundamento da simultaneidade ainda não foi assimilado como uma inovação que promove á sustentabilidade  plena da humanidade.

-Maior procura pelo belo: O entendimento de que a estética e o belo está relacionado à inovação é uma questão muito pouco considerada e operada.  Há  atividades econômicas onde o belo é a fonte de inovações. No setor da construção civil são incontáveis os desenvolvimentos de inovações na forma de produtos para o embelezamento das  construções cujo resultado é a maior qualidade de vida dos residentes. A inovação neste campo promove também o desenvolvimento de produtos inovadores de baixo custo, embelezadores das construções e que também tem o poder de  alongar significativamente,  a vida útil destas.

-Mais aproximação com os clientes e os mercados: O atendimento local dos clientes e dos mercados, constitui-se certamente em uma das mais poderosas ferramentas geradoras de inovações, pois as respostas a serem fornecidas a esta partes interessadas frente aos  seus questionamentos,   constituem-se  em uma fonte poderosa e infindável de  geração de inovações.

-Mas qualidade de vida pela solução adequada de problemas de saúde: O Raio X, que permite aos médicos terem uma adequada e rápida visão e percepção de dificuldades e de problemas internos ao corpo humano, sem agredí-lo por intervenções cirúrgicas e procedimentos invasívos, é certamente uma das mais expressivas inovações até hoje desenvolvida .  O descobridor do raio o X foi Nikola Tesla.

-Mais qualidade de vida nos ambientes de vivência das pessoas:  A   lâmpada incandescente desenvolvida por Thomas Edison eliminando o uso de velas e de outros recursos rudimentares para iluminar os ambientes de convivência das pessoas, permitiu e assegurou um avanço expressivo na qualidade de vida da humanidade.

-Mais sentidos humanos: Linus Pauling certamente um dos maiores cientistas que atuou  fortemente  pelo desenvolvimento da química e de inovações neste campo, colocava sempre em suas manifestações: A natureza do mundo do amanhã, dependerá do que fazemos hoje, do que fazemos como químicos e do que fazemos como seres humanos.  Este pesquisador  foi certamente um dos mais conscientes cientistas  quanto ao valor e da contribuição das inovações  no  campo da química, para a humanidade.

3-As repercussões e os efeitos “colaterais” não imaginados resultantes da geração de inovações.

As inovações na maioria significativa das vezes, têm tido a capacidade de gerar  “explosões de benefícios” não pensados quando de suas descobertas e desenvolvimentos. Um exemplo disto, é o Raío X,  que quando de sua descoberta,  tornou-se de uso e de utilidade fundamental na área da saúde, tanto em hospitais como em clínicas médicas, para detectar fraturas e outros danos ao corpo humano.

Esta inovação foi também olhada por uma perspectiva mais ampla e sistêmica, mostrando ser uma inovação possível de ser utilizada também para assegurar e proteger a vida daqueles que dependem de alguma forma, do bom funcionamento e da segurança de máquinas.

Deste modo, é possível pela aplicação dos Ensaios Não Destrutivos (END) baseados no Raio X, investigar a sanidade estrutural das máquinas e equipamentos produzidos e destinadas à produção dos mais diferentes bens e produto,  pela não existência de trincas e falhas de materiais,  sem causar-lhes danos  ou  quaisquer alterações nas suas características  de desempenho e funcionalidade projetados.

Estes ensaios por raios X, podem se repetir com a frequência desejada, assegurando por longos períodos as adequadas condições de desempenho desejados às máquinas produzidas e disponibilizadas aos mercados  de produção de bens e utilidades.

Este é um exemplo prático da “derivação ou efeito colateral” de uma inovação da sua  função original. Esta condição de flexibilidade é de extrema importância  pois aumenta sensivelmente o valor de uma inovação.  O desejável  quando se aborda e se examina o valor de uma inovação identificar a universalidade de suas aplicações. Um inovação multi-aplicável  engrandece o valor desta e,  normalmente traz para o seu gerador,  grandes retornos financeiros.

Quem viver, verá!

Referências: Internet

Fonte: Eng. MSc. Fernando Oscar Geib

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