August 01, 2014

Inovação chega à roça

Fonte: www.paranacooperativo.com.br - 31/7/2014 - 9h00

Opinião

José Nascimento*

O setor do agronegócio há anos vem dando sinais de força e independência. A virada aconteceu a partir do momento em que os produtores pararam, literalmente, de “chorar o leite derramado” e passaram a agir como empreendedores rurais.

Investir em pesquisa, tecnologia e arcar com os riscos do negócio são algumas das receitas. Fugir da dependência do governo, que historicamente subsidiava o setor, foi outra. Claro, não podemos deixar de citar o mercado internacional comprador, que gerou terreno fértil para o investimento e crescimento.

No final da década de 1980 o Brasil festejou a marca de 100 milhões de toneladas de grãos colhidos. Hoje, 20 anos depois, o país está perto das 200 milhões de toneladas e se posiciona entre os maiores produtores do mundo, com espaço para crescimento. O melhor de tudo é que o aumento não passa, necessariamente, pela abertura de novas áreas agricultáveis, mas pelo aumento da produtividade, fruto da inovação.

Cooperativas, instituições governamentais de pesquisa, universidades e agricultores se uniram com uma única missão: aumentar a rentabilidade das lavouras, qualidade dos produtos, otimização dos recursos e sustentabilidade. O resultado desta união foi, recente, a falta de silos para armazenamento, fila nos portos e crescimento na balança comercial brasileira. Algumas dores, diga-se de passagem, positivas, mas que apontam para gargalos que precisam ser resolvidos.

E, neste caso, novamente, os agricultores, já dão sinais que não estão para brincadeira. Quando os governos demoram em dar as soluções necessárias, colocam a mão no bolso e na massa: estão construindo estradas, silos e abrindo suas porteiras para projetos de Pesquisa e Desenvolvimento. Aliás, o famoso P&D (pesquisa e desenvolvimento) é o passaporte para os grandes projetos de sucesso. O interessante é ver que foi de onde menos se esperava, da roça, tida pelos urbanos como “terra de caipira”, que vem esta lição.

Esta semana, por exemplo, o Paraná, um dos principais estados produtores do Brasil, comemora um título, em muito superior ao Hexa do vexame na Copa.  O produtor Alexandre Seitz, de Guarapuava, com o consultor José Carlos Sandrini Jr, sagraram-se campeões do Desafio Máximo de Produtividade de Soja. Vão erguer um troféu por terem alcançado a marca de 117 sacas de soja por hectare. Concorreram com mais de 1.000 produtores. Esses, sim, verdadeiros Campeões do Mundo. Batem um “verdadeiro bolão” no campo e ainda alimentam o Brasil e o mundo.

*José Nascimento é jornalista e diretor de produção da RIC TV

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