April 07, 2015

Incêndio atrasa 10 navios e afeta terminais de contêineres

Fonte: A Tribuna - 7/4/2015, página A-3, Cidades

# Uma das empresas já deixou de receber 11.500 caminhões com cargas. Outra reduziu suas equipes de trabalho

FERNANDA BALBINO

DA REDAÇÃO

O incêndio que atinge os tanques com combustível do terminal da Ultracargo, na Alemoa, desde a última quinta-feira, prejudica parte das operações do complexo marítimo. A suspensão do tráfego aquaviário nas proximidades da instalação já impediu a atracação de dez navios, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária.

E um terminal de contêineres já deixou de receber 11.500 caminhões carregados. O impacto tende a aumentar com a proibição da chegada de veículos de carga à Margem Direita do Porto (onde está Santos), medida implantada ontem.

De acordo com a Codesp, os cargueiros com a atracação atrasada têm como destino o Terminal de Granéis Líquidos da Alemoa (Tegla), que fica nas proximidades da unidade da Ultracargo. As operações naquela região foram suspensas pela Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) para minimizar riscos de novos focos de incêndio. Não há previsão para a normalização dos trabalhos.

A atracação de cada um dos cargueiros que seguem para o Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplan) e ao terminal da Usiminas, em Cubatão, está sendo avaliada pela Autoridade Marítima.

Isso ocorre pois os berços das duas instalações ficam no Canal de Piaçaguera, cuja entrada fica em frente à Alemoa.

De acordo com o capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Fernandes Gomes, comandante da CPSP, a análise leva em conta, principalmente, a carga transportada nas embarcações. A Autoridade Marítima verifica se o carregamento não pode pegar fogo com o forte calor.

Outra instalação que teve as operações prejudicadas foi a Brasil Terminal Portuário (BTP), especializada na movimentação de contêineres e que fica na Alemoa, ao lado do Tegla e quase em frente aos tanques da Ultracargo. Logo após o início do incêndio, os navios que estavam operando foram retirados e os trabalhos, inclusive a recepção de cargas no pátio, interrompidos. A empresa retomou as atividades apenas no último domingo, às 19 horas.

Mesmo assim, um de seus três pontos de atracação está sendo usado pelos rebocadores que atuamno combate às chamas.

A BTP ainda não contabilizou os prejuízos. Mas, desde o início do incidente, seis navios deixaram de atracar em seu cais. Foram 7.200 contêineres que deixaram de ser carregados ou descarregados.

TRÂNSITO

Apesar de já ter retornado às suas atividades de embarque e desembarque de navios, a BTP é prejudicada pela proibição da chegada de caminhões. Segundo a empresa, de quinta-feira (início do incêndio) até ontem, cerca de 11.500 veículos de carga deixaram de ser recebidos.

O veto à vinda de caminhões a Santos foi uma determinação do gabinete de gestão de crise instalado pela Prefeitura de Santos e por autoridades estaduais e federais no último sábado, terceiro dia do incêndio da Ultracargo. A medida, que continua hoje, é avaliada ao final de cada dia. Há a expectativa é de que o trânsito de veículos pesados permaneça suspenso até sexta-feira.

Outros terminais de contêineres da Margem Direita já sentem os impactos da proibição em suas rotinas operacionais.

É o caso da Rodrimar, cuja instalação fica no Cais do Saboó, vizinho à Alemoa.

Não houve paralisação nas operações dos navios, mas a empresa está operando com um quadro mínimo desde as 13 horas da última quinta.

Segundo a companhia, o principal impacto está na retirada de contêineres de importação.

E este problema só será resolvido quando for normalizado o tráfego de caminhões na Rodovia Anchieta e na entrada do Porto.

O Ecoporto Santos sente os reflexos da proibição em seu depósito de contêineres vazios (Depot), que fica na Alemoa e teve de ser fechado. Os serviços de estufagem (armazenagem de cargas) em contêineres, que eram realizados na unidade, foram transferidos para outro pátio.

As atracações, em seu terminal no Saboó, acontecem normalmente.

Na Libra Terminais, que opera contêineres na Ponta da Praia, a atracação de navios não foi prejudicada.

Mas com a interrupção do tráfego de caminhões, o temor é que comece a faltar cargas nos pátios em cerca de três dias.

O Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) considera que o momento é de união de esforços. Por isso, se coloca à disposição para auxiliar o município, o gabinete de crise e a comunidade.

 


 

# Cargas ficam

O diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, não acredita em uma migração de cargas do Porto de Santos para outros complexos marítimos do País, durante os trabalhos de contenção do incêndio que atinge os tanques da Ultracargo, na Alemoa.

Para ele, a medida geraria mais custos de transporte de mercadorias para outras cidades ou até estados.

De acordo com o executivo, serão grandes os prejuízos para os usuários do cais santista e também para a Cidade, no entanto, ainda não é possível calculá-los, já que o momento é de colaboração ara que a situação se normaliza no distrito industrial.

 


 

# Fogo em Santos é o 2.º maior na história mundial

Fonte: A Tribuna - 7/4/2015, página C-1, Porto & Mar

# Segundo Bombeiros, marca se refere a total de homens em ação

SANDRO THADEU

DA REDAÇÃO

O incêndio que atinge os tanques de combustível da Ultracargo, na Alemoa, em Santos, desde quinta-feira é considerado o segundo maior do gênero da história mundial, em volume de pessoal empregado, combatido por bombeiros – 118 homens, ante 180 em ocorrência de 2005, na Inglaterra. A declaração é do comandante da corporação no Estado, coronel Marco Aurélio Alves Pinto, feita em reunião com os vereadores de Santos e o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), no Paço Municipal.

Para enfrentar as chamas, os Bombeiros e os brigadistas que atuam no local receberam, à noite, o reforço de novos produtos, segundo o vice-governador Márcio França (PSB).

Um deles é o chamado cold fire (fogo gelado, em português).

Essa espuma especial foi importada e chegou ontem ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, para ser utilizada ainda na madrugada de hoje.

Conforme França, chegarão 4.500 litros desse material, que serão dissolvidos na água, o que rende em torno de 100 mil litros. “Isso nunca foi utilizado (no Estado). Esperamos que dê resultado positivo”.

O chefe da Defesa Civil do Município, Daniel Onias Nossa, explica que esse novo material será adotado em razão de sua grande eficiência e é semelhante à espuma já utilizada.

Além disso, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) destinou um pó químico seco que foi trazido para o Aeroporto de Cumbica num avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e chegaria a Santos nesta madrugada.

Conforme Nossa, o material é semelhante ao de extintores de incêndio de veículos. Virá em um caminhão de grande porte, que tem um lançador

para mandar o produto a dezenas de metros. Normalmente, o veículo é usado para combater incêndio em asas de aviões.

“Como o incêndio persiste em locais de difícil de acesso e em razão de o vazamento ser complicado de combater, vamos ver se essa nuvem de pó

químico consegue abafar e, simultaneamente, com o resfriamento e o uso da espuma, extinguir o fogo”, afirma.

MONITORAMENTO DO AR

O Exército enviou a Santos um aparelho para avaliar precisamente sobre as condições ambientais (referente a gases) no local desejado em um raio de cinco quilômetros. A iniciativa contou com o apoio da FAB para trazê-lo à região.

Instalado na região da Alemoa, o equipamento pertence ao 1.º Batalhão de Defesa Química Biológica Radiológica e Nuclear (Btl DQBRN) dessa força armada e ficará na Cidade o tempo que for necessário.

Seis técnicos desse setor já estão no Município para acompanhar os dados coletados.

O sistema realiza avaliação instantânea e fica ligado a maior parte do tempo. O Exército ressalta que o aparelho está conectado, on-line, com engenheiros e especialistas do Centro Tecnológico do Exército, sediado no Rio de Janeiro.

Na Baixada Santista, há cerca de 250 militares em condições de apoiar a operação, e poderá haver com reforço, se necessário. Os homens são oriundos do 2º Batalhão de Infantaria Leve (em São Vicente), 2.º Grupo de Artilharia Antiaérea (Praia Grande), do 1.º Btl DQBRN e da Bateria Comando da 1.ª Brigada de Artilharia Antiaérea (Guarujá).

 


 

Inglaterra teve incêndio em 2005

RAFAEL MOTTA

A maior ocorrência já registrada em um terminal de combustíveis ocorreu em 11 de dezembro de 2005 na unidade de armazenamento de Hertfordshire, ao sul da Inglaterra – como em Santos, às margens de uma rodovia – e cerca de 40 quilômetros a noroeste de Londres, a capital.

O combate ao fogo demandou 180 bombeiros, 25 caminhões de combate a incêndio e 20 veículos de suporte. Atuaram 16 brigadas, afora a existente no local. Suspeita-se de que o incêndio tenha começado após uma forte explosão provocada pela mistura de ar e combustível. O fogo atingiu 20 tanques do terminal, com capacidade total para 270 milhões de litros. Explosões foram ouvidas em outros países, como França e Holanda.

As consequências do fogo foram mais graves do que em Santos, e as medidas, tomadas mais depressa: 43 feridos, dois deles gravemente; 244 pessoas precisaram de atendimento médico por problemas respiratórios, a maioria bombeiros; 2 mil cidadãos tiveram de deixar suas casas temporariamente; mais de 200 escolas, bibliotecas e prédios públicos foram fechados por dois dias, e autoridades orientaram a população a se atualizar sobre os acontecimentos em uma página criada na internet para esse fim.

Apesar disso, enquanto o incêndio em Santos caminha para o sexto dia, o fogo em Hertfordshire foi extinto em quatro.

O incêndio havia sido debelado no dia 13, mas surgiram chamas no dia 14. Na ocasião, em vez de se apagar o incêndio, os bombeiros esperaram que o fogo se extinguisse à medida que o combustível desse último tanque acabasse. A estratégia se assemelha a uma das que foram adotadas em Santos.

CONSEQUÊNCIAS

O combate ao incêndio também foi parecido no uso de espuma para a contenção do fogo. Material foi enviado de diferentes regiões inglesas.

Porém, cinco meses depois, identificou-se contaminação de água por produtos tóxicos presentes na espuma.

Foi constatado risco à população, e a água para consumo humano recebeu reforço químico, por segurança.

O desastre foi levado à Justiça que, em 2010, condenou empresas e órgãos relacionados ao incidente a pagar indenizações e custas judiciais que, ao todo, somaram 9,4 milhões de libras, o equivalente a R$ 43,8 milhões.

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