Redes de varejo de Cingapura, Japão e China miram tanto o mercado popular quanto a venda para a classe A
Redes chinesas de franquias começam a se articular para instalar seus negócios no Brasil. Conhecidas por atuarem nos mercados de tecnologia e educação, agora elas querem realizar aportes no varejo. Em comum, têm operações globais, e são negócios que envolvem milhões de dólares.
"As empresas chinesas perceberam que a margem de lucro não fica com quem fabrica, mas com quem detém a marca e a franquia. Então, aprenderam com as franquias americanas, presentes no Brasil desde a abertura econômica, na década de 1970, e criaram suas próprias marcas", diz Charles Tang, presidente da Câmara Brasil-China.
"Se hoje existem muitos produtos 'made in China', nada impede que o país traga suas próprias marcas. E isso não é sinônimo apenas de preço acessível, mas também design e qualidade", Explica Tang.
Entre as dezenas de marcas de franquias que estão de olho no Brasil, uma delas chama a atenção pelo nome e tamanho. A rede de moda jovem Yishion, uma espécie de versão chinesa da espanhola 'Zara', é dona de cinco parques industriais, tem 50 mil funcionários e produz 4 mil modelos por estação, desenhados por designers de diversas partes do mundo.
Para trazer a Yishion para cá, o investidor terá de desembolsar entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões. O negócio tem potencial para atrair redes de varejo nacionais, interessadas em agregar um potencial competidor sob suas asas, além de diversificar negócios.
A Yishion começou a se internacionalizar no início dos anos 2000 e está presente em 18 países, a maioria na Ásia e Oriente Médio. Agora, mira a África do Sul, Rússia e o Brasil.
A ideia é importar as mercadorias e, posteriormente, fabricá-los aqui. "É uma 'Zara' chinesa, com roupas voltadas para a classe média, com produtos na faixa de R$ 50 a R$ 250", explica Paulo Cesar Mauro, presidente da consultoria Global Franchise, que faz o 'meio de campo' entre o investidor brasileiro e as franquias estrangeiras. "O Brasil tem produtos muito caros. A rede quer oferecer qualidade, mas por um preço acessível", conclui.
A rede cogita a possibilidade de ter uma distribuidora brasileira. A estratégia é ter uma loja conceito bem localizada para divulgar a marca, e posteriormente ampliar a rede. Enxerga um potencial de 500 pontos em todo o País, com prioridade para a região Sul e Sudeste.
Já a Osim, rede de produtos tecnológicos de massagem de Cingapura, demandará investimentos de US$ 1 milhão, o que pode atrair um investidor nacional. A Osim tem foco na classe A e, como consequência, o número de franquias deve ser limitado no País a no máximo 30 pontos. A rede de franquias já está na Europa e nos Estados Unidos.
A rede japonesa Daiso, de utilidades domésticas e decoração de baixo preço, abriu a primeira loja por aqui em dezembro, no centro de São Paulo. Agora, se prepara para inaugurar a segunda loja na cidade, e posteriormente, pode abrir franquias.
"Nossa prioridade são lojas físicas. Talvez ano que vem podemos pensar, depende do retorno do investimento. Sabe como é, no Brasil é tudo difícil: tem burocracia para liberar pontos", diz André Yashiro, coordenador da Daiso. Hoje a rede tem modelo de franquias nos Estados Unidos e México. Chegou aqui com investimento direto, sem parceiros.
Anteriormente, a rede japonesa de educação de matemática e línguas Kumon, havia desembarcado por aqui, na década de 70. Ela é formada por pequenas lojas, mas que somam milhares de unidades.
"As redes são atraídas pelo tamanho e potencial do mercado nacional, e também para solucionar gargalos", conta Mauro. "Elas atingiram maturidade, ou encontraram um nicho inovador para realizar este movimento", diz Mauro.
Assim como franquias brasileiras começam a olhar para o continente asiático, entre elas a rede de ensino de línguas Wizard, o Brasil desperta a atenção das franquias na Ásia, que ve o país como uma entrada para a América Latina.
Modelo preferido
O modelo de negócios de franquia chama atenção pela facilidade. "As empresas montam algumas lojas. Se vender bem, basta replicar a marca. O crescimento, neste caso, é mais acelerado", diz o consultor.
Enquanto as franquias americanas, que começaram a chegar com mais força no País na década de 1990, são fortes na área de alimentação, tecnologia e serviços, as asiáticas são fortes na área de varejo, estética, educação e tecnologia, e são o último mercado a desembarcar aqui.
Mesmo diante de um sistema tributário que o consultor Marcelo Cherto define como "assustador", isso não é impeditivo para redes estrangeiras, que aceleraram o processo de internacionalização desde a crise de 2008. "O Brasil é complexo, não é para amadores. Mas tem um mercado consumidor maravilhoso, e uma baixa taxa de desemprego, o que é apetitoso para as redes", diz Cherto.
Fonte: IG / 14/5/2013