Fonte: Opinião & Notícia - http://opiniaoenoticia.com.br/ - 23/2/2014
# Benefícios do petróleo de xisto são maiores do que os americanos se dão conta, mas as políticas e os regulamentos precisam ser atualizados
A Pioneer Natural Resources, uma petrolífera americana, se encontra no centro da Bacia Permiana, um mar pré-histórico que, junto à Eagle Ford no sul do Texas e Bakken, na Dakota do Norte, são as maiores fontes de petróleo comprimido, uma categoria ampla para as rochas densas, tais como xisto, as quais geralmente se encontram sob os reservatórios que contêm petróleo convencional. Desde 2008 a produção de petróleo comprimido nos EUA disparou de 600.000 para 3,5 milhões de barris por dia. Graças ao petróleo comprimido e ao gás natural do xisto, os combustíveis fósseis estão contribuindo ainda mais para o crescimento econômico: 0,3 pontos apenas no ano passado, de acordo com o J.P. Morgan, e de 0,1 a 0,2 ao ano até o fim de 2020, de acordo com o Peterson Institute, um centro de estudos.
Em 2008 produtores independentes americanos começaram a adaptar as novas tecnologias de fraturamento hidráulico e perfuração horizontal, usadas inicialmente para explorar gás de xisto, para a extração de petróleo. A produção americana total desde então aumentou para 7,4 milhões de barris por dia. A Agência Internacional de Energia estima que até 2020 os EUA terão ultrapassado a Arábia Saudita como o maior produtor de petróleo do mundo, bombeando 11,6 milhões de barris por dia.
Bob McNally, da Rapidan Group, uma consultoria do setor, prediz que os EUA podem vir a ser forçados a voltar a desempenhar o papel de estabilizador que desempenhava na década de 60, dessa vez respondendo pela mão invisível do mercado em vez de atuar por meio de decretos governamentais. Isso funcionará na prática? É possível que já esteja funcionando. Desde 2008, observa o Peterson Institute, conflitos no Sudão, sanções sobre o Irão e uma produção em queda do Mar do Norte retiraram muito petróleo do mercado. Sem os EUA, que responderam por metade do crescimento em produção global nesse período, os produtores do Golfo Pérsico poderiam não ter sido capazes de compensar a perda. Os preços poderiam ter subido rapidamente, prejudicando consumidores em todo o mundo. Isso, no entanto, não aconteceu.
Fontes: The Economist-Saudi America