Fonte: http://www.sidneyrezende.com/ - 7/7/2014 - 9h10
Haroldo Monteiro(*)
Estava assistindo ao jogo entre Costa Rica e Holanda pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2014, quando ao final da prorrogação, de uma partida onde deveria haver um vencedor, seja no tempo normal de jogo ou nos pênaltis, o técnico da Holanda, Louis van Gaal, em atitude inusitada, substitui o seu goleiro titular, que vinha atuando muito bem na partida, pelo seu 3º goleiro reserva, para a disputa de pênaltis, de onde sairia o vencedor da partida.
Na mesma hora, o espanto é geral: e fiz logo um comentário - esse goleiro deve ser um tremendo pegador de pênalti, extremamente treinado. Em seguida, ouço o locutor de TV emitindo sua opinião: O que aconteceu? O goleiro titular vinha fazendo uma ótima partida! Este goleiro deve ser especialista em pegar pênaltis. Ao mesmo tempo, a atitude gera uma polêmica: - Tiraram a grande chance do goleiro titular se consagrar, o Louis van Gaal sempre toma decisões discutíveis, fala o outro comentarista. Um terceiro comentarista chama atenção para o risco de pôr um goleiro em campo que está aquecido o suficiente para defender os pênaltis, ele não está no ritmo da partida, é um risco isto.
Ao mesmo tempo, dou uma olhada no feed do Facebook e lá estão publicadas opiniões que vão no mesmo sentido. Este goleiro deve ser "O cara", "Olha o tamanho dele", "Ele deve ser especialista em pegar pênaltis", "Olha o risco que o treinador está correndo em colocar um goleiro 'frio' para participar desta cobrança de pênaltis".
Bem, se nós, espectadores, tivemos esta reação, com certeza os jogadores da Costa Rica ficaram no mínimo surpresos, e com certeza este ato por si só já abalou a confiança dos batedores de pênalti, pois teriam pela frente um paredão holandês.
Fim da cobrança e a Holanda se classifica, o goleirão pegou dois pênaltis. Ou seja, nada demais, pois vários outros goleiros já fizeram isto. Mas o objetivo foi atingido, ganhar a disputa de pênaltis. Poderia dar errado? Sim, poderia, mas a estratégia inovadora aumentou as chances de vitória da Holanda, com certeza.
No dia seguinte, li uma reportagem no "The Guardian" dizendo que o goleiro substituto, Tim Krul, nem ao menos era especialista em defender pênaltis, ou melhor, até hoje, em sua carreira, só havia defendido 2 pênaltis dos 20 sofridos. Logo, mais surpresa ainda causou esta ação do técnico holandês.
Mas, então, o que na realidade nos mostrou esta estratégia? Como podemos tirar lições da estratégia de Louis van Gaal, um técnico de futebol, e usá-las no dia a dia corporativo?
Esta estratégia teve seus pilares construídos em quatro fatores críticos que devem ser usados no mundo dos negócios.
1) Inove - Para sobreviver no mundo dos negócios, a inovação é fundamental. Seja ela com a criação de novos produtos, ou mesmo a criação de uma nova estratégia de gestão, ou de apresentação de seu produto. Lembre-se: inovar não é só inventar um novo produto!
2) Surpreenda - A estratégia do técnico holandês surpreendeu o adversário, que ficou atônito, e em dúvida do que ele queria fazer. A simples surpresa criou uma vantagem competitiva, pois alterou o emocional dos jogadores costa riquenhos. Surpreender o concorrente é importante, pois, até ele entender a sua ação, já decorreu um tempo necessário para que ele se aproveite do mercado, colocando sua marca numa posição de liderança.
3) Arrisque - Não existe como se destacar entre seus concorrentes sem correr um maior nível de risco. Portanto, seja um tomador de risco. Uma das leis de finanças explica este fato: - Todo retorno é proporcional ao nível de risco tomado.
4) Polemize - A polêmica, desde que seja sobre eventos positivos, sem que denigra a imagem do seu concorrente, é uma ferramenta poderosa. Ela pode ser usada para divulgar sua marca, pois polêmica gera "ibope" , a mídia da ênfase, e também serve de veículo para divulgação boca a boca. Além disto, muitas das vezes, ela gera dúvidas para seu oponente, que não saberá distiguir qual o foco de sua estratégia.
Com certeza, seguindo esta estratégia, suas chances de vitória aumentarão consideravelmente!
(*)Haroldo Monteiro
Formado em Administração de Empresas e Engenharia Econômica pela UERJ. Possui vasta experiência no mercado de varejo tendo atuado como executivo em várias empresas deste setor. MBA em Business Administration pela Ohio University, e sócio da Planning & Mangement, consultoria especializada em gestão e estudos de tendencias economica para o varejo. É professor convidado do Coppead onde ministra Administração Financeira de Curto Prazo.