March 18, 2015

Escalada do dólar trava crédito e reduz prazos dos exportadores

Fonte: Folha de S. Paulo - 18/03/2015 - 2h00

TONI SCIARRETTA

DE SÃO PAULO

A escalada do dólar foi tão rápida que até os exportadores, que, em tese, se beneficiam da alta da moeda, estão com dificuldade para fechar contratos para adiantar o dinheiro de vendas que já foram acertadas no exterior.

Nessas operações, chamadas ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), o exportador repassa ao banco o direito de receber no futuro o pagamento do que foi exportado, e recebe o valor adiantado, pagando juros.

O exportador recebe em reais, no câmbio atual. Com a imprevisibilidade do câmbio, os prazos desses contratos ficaram menores. De 10 meses, média em 2013, passou a apenas 6.

Diante da instabilidade, a indústria não tem fechado adiantamentos por prazos superiores a 90 dias; apenas grandes exportadores de commodities conseguem prazos de dois anos.

Em fevereiro, o volume dessas operações caiu para US$ 2,177 bilhões –36% menos que os US$ 3,417 bilhões do mesmo mês de 2014. No mês passado, o dólar saltou de R$ 2,689 para R$ 2,856.

A situação continuou instável no início de março, quando o dólar saltou quase 15% –de R$ 2,856 para R$ 3,28 até a manhã desta terça (17). Só foram fechados US$ 685 milhões em adiantamentos na primeira semana do mês, último dado do BC.

O volume diário é quase 15% menor do que no mesmo período do ano passado, mas supera o de fevereiro.

"O problema não é tanto o valor do dólar, mas a volatilidade. O exportador está com dificuldade para encontrar um ponto de equilíbrio. Mas vai terá que achar essa taxa", diz Tarcisio Joaquim, diretor de câmbio do Banco Paulista.

 


 

# Com dólar em alta, negociação fica mais dura para quem exporta

Fonte: Folha de S. Paulo - 18/03/2015 - 2h00

DE SÃO PAULO

Os exportadores comemoram a alta do dólar, mas, desta vez, com ressalvas. A primeira delas é que o real não é a única moeda que está se desvalorizando. Portanto, rivais do Brasil também estariam se tornando mais competitivos.

A falta de previsibilidade afeta as negociações, que estão mais duras.

Cientes da desvalorização do real, os importadores pedem descontos. Para os exportadores, é difícil estabelecer quanto podem conceder. Eles ainda não sabem qual será o impacto do câmbio nos custos, que também serão afetados por reajustes da energia e por mudanças na desoneração tributária da folha de pagamentos.

"Está difícil uma estabelecer negociação. Depois que a taxa de câmbio se consolidar, ficará mais fácil", diz Heitor Klein, presidente da Abicalçados.

"A recuperação de mercados vai depender do grau de desvalorização real da moeda. E essa equação ainda não está fechada", diz Fernando Pimentel, da Abit.

A oscilação do câmbio é outro ponto levantado pelos exportadores. "O empresário não sabe se pode esperar receber, pela mercadoria que vende hoje, o mesmo valor em reais daqui a quatro meses, quando o produto chegar ao destino", diz Fernando Figueiredo, da Abiquim.


# Instabilidade do dólar inibe importações e paralisa empresas

Fonte: Folha de S. Paulo - 18/03/2015 - 2h00

TATIANA FREITAS

DE SÃO PAULO

Os altos e baixos do dólar complicaram o planejamento das empresas, em um ano já marcado por demanda fraca e crédito escasso.

As incertezas sobre o rumo da taxa de câmbio afetam diferentes setores: de importadores ao turismo, passando também pela indústria.

A situação é mais preocupante nos setores com percentual relevante de insumos importados. Em alguns casos, não há substitutos no Brasil.

É o que acontece com fabricantes de eletrônicos, que têm pelo menos 80% dos componentes importados.

"Essa volatilidade do câmbio deixa as importações numa situação muito difícil, os negócios ficam paralisados", diz Humberto Barbato, presidente da Abinee (associação da indústria elétrica e eletrônica). Em 2014, o setor importou US$ 18 bilhões em componentes eletrônicos.

Fabricantes de produtos químicos vivem o mesmo drama. Embora os insumos importados representem 36% do mercado nacional, em alguns casos, como o do metanol, não há alternativa no país.

Isso ocorre porque alguns elos da cadeia local de fornecedores desapareceram ao longo dos anos, devido à falta de competitividade provocada pelo câmbio valorizado.

O presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, diz que os negócios não estão paralisados, e que as compras de insumos ocorrerão à medida que os estoques acabem. Como a maioria das empresas têm trabalhado com estoques baixos, a pressão já existe. "As empresas não têm alternativa a não ser comprar e repassar esse aumento para o preço final."

"Há necessidade de reajustes, mas o espaço é limitado porque a economia está enfraquecida", diz Fernando Pimentel, da Abit (indústria têxtil e de confecções).

Segundo ele, a volatilidade do câmbio atrapalha a programação para a próxima coleção. Em algumas grandes redes de varejo, diz ele, o percentual de insumos importados chega a 80%.

CONSUMO

O câmbio também está tirando o sono de importadores de alimentos e bebidas. "O problema não é o dólar alto, mas instável. Não sabemos o que fazer, quando e como", diz Adilson Carvalhal Júnior, presidente da ABBA (associação do setor).

Segundo ele, a tabela de preços de bebidas importadas foi reajustada em janeiro, mas precisará passar por um novo aumento. "A que dólar? Não sabemos. Tentaremos nos manter competitivos, mas provavelmente perderemos mercado."

Já o setor de turismo diz ainda não ter percebido o impacto do câmbio, pois a alta mais forte do dólar ocorreu após o Carnaval, já em baixa temporada. "Isso foi até um certo alívio para nós", diz Magda Nassar, vice-presidente da Braztoa (associação das operadoras de turismo).

Para Edmar Bull, da Abav (associação das agências de viagens), os turistas esperam a instabilidade passar para programar as próximas férias. "O brasileiro não vai deixar de viajar", diz. A crise pode, no entanto, afetar a "nova classe média", admite.

Share

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.