Fonte: Folha de S. Paulo - 6/6/2014 - 2h00
RAUL JUSTE LORES
DE WASHINGTON
A Câmara de Comércio dos EUA, maior associação empresarial do país, com 3 milhões de sócios, vai pedir o fim do embargo a Cuba ao governo e ao Congresso americanos, depois de enviar a primeira missão comercial ao país caribenho em 15 anos.
A missão levou presidentes de 12 grandes empresas americanas à ilha e terminou no final de semana passado. Eles foram recebidos pelo ditador Raúl Castro e pelo chanceler Bruno Rodríguez, visitaram empresas e cooperativas, além do porto de Mariel, construído com financiamento do BNDES pela Odebrecht e operado por uma empresa de logística de Cingapura.
Até o final do mês, a Câmara enviará um relatório da missão à Casa Branca e ao Congresso. "Minha mensagem em casa será a de que vi muito progresso em Cuba", disse o presidente da Câmara, Thomas Donohue, em palestra na Universidade de Havana.
Depois de citar a decisão do governo cubano de acabar com 600 mil empregos no setor público e de permitir a 400 mil agricultores trabalharem em suas próprias terras (e não para o governo), Donohue elogiou o surgimento de 450 mil pequenos empreendedores (300 mil dos quais na última década) com as reformas econômicas recentes na ilha.
Donohue afirmou que é "hora de mudar a política americana para Cuba e de acabar com o embargo" e que "as atitudes em relação ao embargo mudaram até entre as jovens gerações de cubanos-americanos".
No discurso, ele disse que o presidente Obama deveria tentar mudar essa política. "Ele só tem mais dois anos", afirmou.
Também citou que "40 voos cheios saem de Miami a Cuba semanalmente", graças ao fim do limite de viagens de cubanos-americanos para visitar a família no país.
Donohue ainda pediu por "mais aberturas e reformas econômicas na ilha" e afirmou sua crença "no poder do empreendimento privado e da livre iniciativa".
O encontro da missão com Castro foi apresentado pela TV estatal.
No grupo americano, também estavam Steve Van Adel, presidente do Conselho da Câmara e da Amway, e Marcel Smits, diretor-financeiro da Cargill, que foi responsável pelo primeiro desembarque de produtos agrícolas no porto de Mariel.
O número de turistas dos EUA que visitam Cuba triplicou nos últimos cinco anos e as remessas dobraram.
Segundo pesquisa do Atlantic Council, um centro de estudos, 62% dos americanos defendem que empresas do país tenham permissão para fazer negócios em Cuba.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o senador Bob Menéndez, democrata de Nova York de origem cubana, criticou a missão em carta à Câmara de Comércio."Não é hora de acabar com o embargo, enquanto direitos humanos lá não são respeitados, nem padrões internacionais de trabalho, e onde o governo controla toda a economia", escreveu.
A missão foi autorizada pela Secretaria do Tesouro.