February 04, 2015

Dilma designa Levy para atuar na Petrobras

Fonte:  Valor Econômico  - 04/02/2015 - 05h00

Por Claudia Safatle
De Brasília

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi designado pela presidente Dilma Rousseff para encontrar uma forma de desatar o "nó sem ponta" em que se encontra o balanço da Petrobras, antes que a empresa perca o grau de investimento. Tão logo o balanço esteja solucionado e assinado pela atual diretoria da empresa, a presidente Graça Foster, será substituída, assim como os demais dirigentes, conforme antecipado pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, na segunda­feira.

Também serão trocados os membros do conselho de administração ­ que deixará de ser uma instância política, presidida por um ministro de Estado, para ser estritamente profissional, segundo recente decisão da presidente Dilma Rousseff.

Ontem Graça esteve por mais de duas horas com a presidente, para decidir sobre o seu destino. Saiu sem dar informações, mas fontes do Palácio do Planalto indicaram o cronograma de saída: todo esse processo pode durar até fim deste mês. A atribuição para demitir a presidente da Petrobras é do Conselho de Administração, que reune­se no próximo dia 6, mas a ligação de lealdade é com Dilma, que a indicou para o comando da companhia.

Nos dois últimos dias a Petrobras teve dois rebaixamentos, um da agências de rating Moody's e o outro da Fitch, estando, agora, a um passo de perder o selo de bom pagador.

Divulgado na semana passada, o balanço não auditado, relativo ao terceiro trimestre de 2014, trouxe mais problemas do que soluções. Pior: a estimativa de supervalorização de ativos da companhia de R$ 88,6 bilhões, na visão do Palácio do Planalto, foi produto de cálculos "amadores" feitos sem os devidos cuidados e que misturariam desde impactos cambiais e de congelamento de preços da gasolina aos atos de corrupção que subtraíram recursos da empresa.

A divulgação desse número em comunicado da Petrobras, na última reunião do Conselho de Administração, dia 27, irritou a presidente da República e definiu o futuro de Graça Foster. Até então, ela já havia pedido para sair por várias vezes e só ficou atendendo a apelos de Dilma.

Além de estar com a incumbência de se entender com os órgãos de fiscalização do mercado de capitais (CVM aqui e a SEC nos Estados Unidos) para tratar do balanço, Levy também está ajudando o governo a encontrar substituto para Graça Foster.

"A presidente pediu para o Joaquim [Levy] entrar no jogo e acertar essa novela do balanço", informou um parlamentar da base aliada. Esse é o problema mais urgente ­ dar um arremate tecnicamente correto ao balanço da empresa antes que ela sofra rebaixamento. Se a Petrobras perder o grau de investimento isso trará para o Brasil as mesmas consequências danosas de um rebaixamento da dívida soberana.

Há uma lista de nomes citados por colaboradores da presidente que poderiam vir a presidir a Petrobras. Esta vai do ex­executivo da Perdigão, Nildemar Secches, ao presidente da Vale, Murilo Ferreira. Inclui, ainda, outros nomes já cogitados desde que eclodiu a crise na Petrobras, como os do ex­presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, Rodolfo Landim, ex­funcionário da companhia e hoje da Ouro Preto Petróleo e Gás e Roger Agnelli, que presidiu a Vale. Ontem, uma nova possibilidade foi cogitada: Eduarda La Rocque, ex­secretária da Fazenda do município do Rio, próxima a Levy.

Graça está muito "abalada", segundo interlocutores que estiveram com a presidente da Petrobras nos últimos dias. Amigos e familiares já a haviam aconselhado a deixar a empresa, mas ela resistia. Alegava que Dilma Rousseff lhe pedira para ficar e ela não tinha como não atender a uma amiga.

O primeiro atrito entre a presidente da Petrobras e o Palácio do Planalto ocorreu quando a companhia declarou inidôneas as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, uma solução que o governo quer evitar. Dilma quer um modelo que puna as pessoas que se envolveram na corrupção mas preserve as empresas e seus ativos. Algo na linha do que o Banco Central fez com o sistema bancário nos anos 1990.

Assistindo ao definhamento diário da petroleira, a bancada parlamentar do PT esteve ontem com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e pediu a substituição de toda a diretoria da Petrobras.

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