December 29, 2014

Conheça exemplos reais de tendências de consumo e veja como atrair consumidores

Fonte: Folha de S. Paulo - 29/12/2014 - 2h00

ANA MAGALHÃES

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O pessimismo com a economia em 2015 já afeta os planos dos consumidores. Pesquisa da consultoria BCG com 2.000 pessoas, cujo perfil reflete os dados do censo de população e do país, mostra que 72% delas planejam reduzir seus gastos em itens supérfluos no ano que vem.

Olavo Cunha, sócio do escritório de São Paulo do BCG, diz que as empresas deverão estar preparadas para uma competição mais intensa nos próximos anos. "Elas vão ter que ajustar sua estrutura de custos e melhorar a sua capacidade de inovação".

Como 2015 pode não ser fácil para empreendedores, é preciso ficar atento a tendências e a campanhas criativas, recomenda Marcelo Moreira, coordenador de pesquisas do Sebrae-SP. "Com diferenciação e inovação, os pequenos e médios empresários terão maior taxa de sucesso."

Luciana Stein, líder de estratégia da Trendwatching, empresa que analisa tendências de mercado, diz que a criatividade e o fortalecimento de marcas dependem de iniciativas que não são necessariamente caras ou exclusivas de grandes empresas.

A empresa levantou tendências de consumo e marketing para os próximos anos.

IGUALDADE E POSICIONAMENTO CRÍTICO

Quando começaram os "rolezinhos" em São Paulo, em 2013, os pesquisadores da Trendwatching consideraram que aquela era uma oportunidade para marcas se posicionarem. "Mas a maioria não se manifestou ou se colocou contra", analisa Stein.

Na avaliação dela, as corporações ganham pontos ao se posicionar de maneira crítica diante de assuntos sociais -como homofobia e racismo e igualdade. Um exemplo aconteceu na Colômbia em setembro de 2014, quando 120 marcas se uniram no movimento Soy Capaz, defendendo a paz social no país.

A marca de cigarros Malboro lançou maços que traziam relatos reais de ex-guerrilheiros.

CONECTE AS PESSOAS

A Biscoitos Zezé, de Pelotas, no Rio Grande do Sul, investiu na conexão entre pessoas em locais públicos.

A companhia marcou assentos de ônibus com adesivos com frases como "você tem animais de estimação?" com o objetivo de incentivar de ajudar as pessoas a começar a bater papo com quem está sentado ao lado.

RECOMPENSAS DIVERTIDAS

Marcas que rompem com a seriedade e usam o humor nas redes sociais ou para brindes e descontos divertidos tendem a se sintonizar de maneira mais profunda com seus consumidores.

Na Costa Rica, a Claro criou uma campanha em que oferecia minutos grátis de ligações para os minutos de prorrogação dos jogos de futebol.

Em São Paulo, a editora Lote 42 lançou durante a Copa uma promoção que prometia 10% de desconto para cada gol tomado pelo Brasil.

Na tragédia dos 7 x 1 contra a Alemanha, a empresa manteve sua promessa e vendeu todo o seu estoque com 70% de desconto.

AMOR PELO SABER

As redes sociais estimulam que as pessoas compartilhem e demonstrem conhecimento -e marcas podem aproveitar essa onda.

A FreeSurf, marca de moda surf do Rio Grande do Sul, fez uma parceria com a editora L&PM Pocket e lançou uma coleção de calças e bermudas com trechos de poesias nos bolsos.

(DES)CONECTE

Os brasileiros passam mais tempo conectados que a média global. Por isso, pesquisadores de tendências apostam em serviços que ajudam a melhorar ou administrar a vida on-line ou que incentivam as pessoas a se desconectar.

O Google lançou neste ano uma versão mais leve de sua página para ajudar quem tem conexão lenta no Brasil.

Em direção oposta, a agência de publicidade Lew'Lara\TBWA criou um totem anticelular. A caixa fica do lado de fora das salas de reuniões, e os profissionais e clientes são convidados a deixarem ali seus smartphones para evitar distrações.

MORDOMIA

Marcas vêm desenvolvendo estratégias para aproveitar o sentido de urgência dos consumidores. No Brasil, neste ano, a Hellmann's criou a campanha #PreparaPraMim, em que convidava as pessoas a usar a hashtag no Twitter dizendo os ingredientes disponíveis na sua geladeira. A empresa respondia com receitas personalizadas.

A loja de roupas Forever 21 foi mais ousada na Costa Rica. A empresa aproveitou o clássico problema feminino do "não tenho o que vestir hoje" e criou a campanha SOS Closet.

Cem clientes ganharam a possibilidade de receber, em casa, uma arara com possibilidades de roupas e acessórios caso enfrentassem esse dilema.

PRODUTO SEM PREÇO

Máquinas que vendem livros com os dizeres "pague o quanto quiser" já se espalharam por estações de metrô de São Paulo. E a ideia vem sendo implantada por outros pequenos empresários.

Em setembro de 2014, o analista de TI Robson Felix, 28, criou a empresa Techboy, que oferece suporte a computadores por meio do Skype.

Depois da videoconferência e da resolução do problema, o usuário recebe um e-mail com sugestão de preço a ser pago -mas a decisão é do cliente. "80% dos clientes pagam, e alguns deles até oferecem mais do que o sugerido", comenta o empreendedor, que também oferece o suporte para ONGs gratuitamente.

TOME AS RUAS

Movimentos urbanos estão incentivando o uso do espaço público. Em São Paulo, a ONG Instituto Mobilidade Verde começou a fomentar a implantação de "parklets" -pequenas áreas com plantas, bancos e mesas que são instalados nas ruas, em vagas destinadas a carros.

Um dos proprietários do restaurante Vito, Pedro Ferraz Cardoso, contratou a instalação de um espaço assim na frente do seu estabelecimento. "Tem sido muito positivo para a nossa marca. Hoje, é comum virem nos procurar para falar a respeito."

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