November 11, 2014

CNI e câmara americana estudam acordo Brasil-EUA

Fonte: Folha de S. Paulo - 11/11/2014 - 2h00

PATRÍCIA CAMPOS MELLO

DE SÃO PAULO

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) assina nesta terça (11) um acordo com a US Chamber of Commerce, maior associação empresarial dos EUA, para fazer um estudo de impacto sobre um eventual acordo comercial entre Brasil e EUA.

A CNI espera que, em um ano, a proposta de acordo esteja sobre a mesa dos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama.

"Nossa indústria está debilitada, mas quando retomarmos o crescimento, onde vamos desaguar a produção?", diz Carlos Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial da CNI. "Não basta ter só mercados pequenos da América Latina, já sentimos o baque da Argentina na balança; precisamos procurar parceiros."

As negociações vão começar por propostas para eliminar barreiras não tarifárias (como as sanitárias, que afetam carne bovina), uniformização de padrões, estudos para eliminar a bitributação, acordo de previdência e facilitação de trânsito de pessoas.

Os dois últimos iam ser assinados na visita de Estado que Dilma faria a Washington no ano passado, mas foram para a geladeira depois do cancelamento, por causa das revelações de que o governo americano espionou líderes mundiais, inclusive ela.

SETORES

Abijaodi admite que alguns setores, como o de máquinas, resistem à redução de tarifas de importação e precisariam de prazo maior.

"Mas setores que tradicionalmente queriam proteção, como o de eletroeletrônicos, querem o acordo, pois precisam importar não só muitos componentes, mas também serviços como software", diz.

O setor químico e o setor farmacêutico também teriam interesse no acordo.

O governo brasileiro tem afirmado que sua prioridade é fechar um acordo entre o Mercosul e a União Europeia, mas as negociações empacaram porque a Argentina se recusa a reduzir tarifas no mesmo ritmo que os outros países do bloco, e a UE tem problemas para formalizar sua oferta na área agrícola.

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