June 11, 2013

Castro Neves: 'Problema no comércio com os EUA é a competitividade brasileira'

# Infraestrutura ruim, impostos e empresariado 'mal acostumado' limitam trocas, diz diplomata

Fonte: iG - 11/6/2013 - 6h00

As dificuldades na relação comercial Brasil-Estados Unidos, hoje, estão dentro das fronteiras brasileiras: infraestrutura deficiente, carga tributária elevada e empresariado pouco acostumado a disputar o mercado externo. Ou seja, na falta de competitividade brasileira, avalia Luiz Augusto Castro Neves, reeleito presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), em entrevista ao iG.

“O acesso ao mercado americano é relativamente fácil. A sobretaxa sobre o etanol [ aplicada sobre o produto brasileiro ] foi eliminada [ em 2011 ] e o Brasil venceu a disputa sobre [ os subsídios do governo americano ao ] algodão na Organização Mundial do Comércio. O problema é a competitividade brasileira”, diz o diplomata, que faz palestra nesta terça-feira (11) no 3º Fórum Brasil-Estados Unidos, no Rio. “E sem competitividade não dá para ter uma postura mais agressiva.”

Segunda maior economia do hemisfério, o Brasil foi, em 2012, o terceiro maior fornecedor dos EUA no continente americano, atrás de México e Venezuela, segundo dados sem ajuste sazonal do Censo americano. De janeiro a abril de 2013, o valor exportado em bens caiu 30% na comparação com o mesmo período do ano passado, de US$ 11,9 bilhões para US$ 8,3 bilhões.

Além disso, o Brasil respondeu em 2012 por apenas 10% das compras americanas de produtos com alta tecnologia feitas nas Américas do Sul e Central – e 0,3% das realizadas em todo o mundo.

“Os problemas são de natureza interna: alta carga tributária, infraestrutura que deixa desejar, lei trabalhista antiquada e burocracia para poder exportar”, diz o presidente do Cebri, cujo presidente de honra é Fernando Henrique Cardoso. Para o diplomata, entretanto, o empresariado brasileiro tem sua parcela de culpa.

“Somos muito fechados e voltados para nós mesmos. E o empresariado de certa maneira refelte isso, à exceção de um empresariado mais moderno e inserido nas cadeias produtivas internacionais como a Embraer ou Vale”, diz o Castro Neves. “Agora, há um segmento do empresariado formado na época de substituição de importações com direito a reserva de mercado, crédito subsidiado do BNDES e forte protecionismos tarifário para evitar a concorrência externa, que está muito pouco habituado a competir.”

Interesse renovado

Os EUA têm dado sinais de um interesse renovado pela região e pelo Brasil. Em visita ao Rio e Brasília em maio, o vice-presidente americano, Joe Biden, declarou que os dois países podem multiplicar o comércio bilateral por sete. A presidente Dilma Rousseff visitará seu homólogo americano, Barack Obama, em outubro.

A baixa competitividade brasileira, entretanto, pode limitar as possibilidades abertas por esse novo flerte de Washington com o Sul. Uma situação agravada por iniciativas como a Aliança do Pacífico – formada por Chile, Colômbia, México e Peru –, avalia Castro Neves.

“Na medida em que os demais países formam alianças comerciais e de investimentos e se tornam mais competitivos, se o Brasil não fizer o mesmo vai ficar menos competitivo, vai perder mercado não só nos EUA, mas em outros mercados também.”

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