October 22, 2013

Câmbio pode reativar indústrias extintas

Fonte: Brasil Econômico / 22/10/2013

Eletroeletrônicos, lâmpadas, gravatas e guarda-chuvas deixaram de ser fabricados no país. Mas a indústria já fala em reindustrialização

Após décadas de competição com produtos importados, sobretudo asiáticos, algumas atividades industriais desapareceram do mapa brasileiro. A lista inclui a produção de bens de alta tecnologia - como componentes eletroeletrônicos, tais como telas de computadores e peças para aparelhos telefônicos - e outros nem tanto, como gravatas e guarda-chuvas.

Desde a década de 90, 230 fábricas de peças de eletroeletrônicos fecharam as portas, informa a Associação Brasileira Elétrica e Eletrônica (Abinee). Assim como três indústrias encerraram a produção de lâmpadas compactas fluorescentes. Outros segmentos não chegaram a sumir, mas reduziram significativamente de tamanho. É o caso dos produtores de tênis esportivos, de roupas de tecido sintético e de equipamentos médicos.

O processo de "desindustrialização" - termo usado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) - atingiu novo patamar em 2011. Parte da indústria parou as máquinas e restringiu-se à distribuição de importados. Mas, com a perspectiva de desvalorização contínua do real ante o dólar em 2013, a própria Federação já vislumbra e inicia uma campanha pela "reindustrialização" e retorno de segmentos extintos.

"Não falamos mais de desindustrialização, mas de reindustrialização , a partir do desenvolvimento tecnológico e ganho de competitividade. O primeiro passo já foi dado, com a desvalorização do real. Se ainda não estamos como patamar desejado, a moeda também já não está sobrevalorizada. Outros fatores que irão contribuir para a reindustrialização estão relacionados ao Custo Brasil. É claro que as medidas mais difíceis não serão tomadas em ano de eleição, mas não tenho dúvida de que a indústria nacional tem base para retomar produções perdidas", afirma o diretor-adjunto de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Tomás Zanotto.

O retrato fiel da desindustrialização é desconhecido. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), assim como entidades representativas da indústria e as dezenas de associações setoriais consultadas informaram não saber exatamente os segmentos extintos nas últimas décadas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 17,2% para 13,3%, de 2000 a 2012. Mas a perda de 3,9 pontos percentuais em 12 anos não está no radar.

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