Três fundos de participações com recursos provenientes do país asiático devem estar disponíveis até o final do ano; setor de infraestrutura deve ser foco
Para incentivar investimentos chineses no Brasil, a Câmara Brasil-China prepara-se para criar três fundos de investimentos em participações até o final do ano, com recursos provenientes de investidores do país asiático que devem somar US$ 2,5 bilhões. O negócio está sendo articulado pelo presidente da Câmara Brasil-China, Charles Tang.
"Os investidores chineses estão diversificando negócios. Eles se queimaram na bolsa de valores, encararam uma bolha ao investirem no mercado imobiliário e a poupança chinesa hoje não rende o suficiente", conta.
O maior interesse dos investidores do país é participar de investimentos previstos para a área de infraestrutura no Brasil, especialmente dos pacotes de portos e aeroportos. O uso do instrumento chama a atenção porque oferece isenção de imposto de renda para estrangeiros.
Somente em portos, o governo federal anunciou que serão necessários cerca de R$ 54,2 bilhões até 2017. A maior parte do investimento, cerca de R$ 31 bilhões, será feita em 2014 e 2015.
O presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), Clóvis Meurer, que reúne gestoras de fundos de participações, aponta que setores como energia, estradas, portos, aeroportos e óleo e gás demandam volumes de recursos para os quais a poupança interna não é suficiente.
"Existem recursos para financiar boa parte dos projetos, mas não há duvida nenhuma de que a demanda de recursos para enfrentar necessidades é maior", conta. "O País precisará de mais investidores estrangeiros".
O capital estrangeiro em fundos brasileiros de participações aumentou. Em 2012, 49% do capital comprometido em investimentos no País tiveram origem estrangeira e 51% nacional. Em 2011, o capital estrangeiro somava 17% e, o capital nacional, 47%.
Meurer aponta que hoje o mercado brasileiro ainda é dominado por investidores americanos e europeus, mas crescem aqueles vindos do Oriente Médio e da Ásia. "A China ganha cada vez mais importância neste cenário". No momento, o presidente da Abvcap conta que a associação faz um esforço para atrair investidores de Dubai para investir no País.
A partir da criação, os fundos devem passar por enquadramento da Comissão de Valores Mobiliários. Posteriormente, a Câmara deve buscar um parceiro para gerir os recursos.
Fonte: IG / 17/5/2013