April 30, 2014

Café pode desaparecer de áreas montanhosas

Fonte: Diário do Comércio - http://www.diariodocomercio.com.br/ - 29/4/2014

# Estudo da Informa Economics prevê produtores migrando para locais que permitam mecanização das lavouras

Michelle Valverde

Os custos elevados, principalmente devido à mão de obra escassa, em regiões montanhosas, onde a topografia não permite o uso da mecanização na colheita do café, estão comprometendo a manutenção da atividade e, conseqüentemente, fazendo com que as terras nessas áreas valorizem menos. A conclusão é de estudo feito pela Informa Economics FNP. Segundo a consultoria, a tendência entre 10 e 20 anos é de que os produtores em áreas de grandes declives e dependentes de mão de obra contratada abandonem gradualmente a cafeicultura e migrem para outras atividades, como a suinocultura e a avicultura, que permitam a mecanização.

Conforme o diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz, a migração já vem acontecendo lentamente. "Os custos elevados de produção tornam a atividade inviável nessas regiões pelo comprometimento da competitividade frente ao café de áreas mecanizadas. Essa é uma tendência não só no país, mas no mundo. Além de cara, a mão de obra no campo tende a se tornar cada dia mais escassa, uma vez que os jovens não estão se fixando no meio rural, pois a oferta de empregos em outras áreas é abundante".

No Estado, a tendência é que ocorram reduções em importantes praças produtoras, como na Zona da Mata e no Sul de Minas, onde há muitos pontos com relevo que não permite a mecanização. "A atividade não será extinta nas regiões produtoras, mas haverá uma migração para áreas onde a topografia permita a mecanização. Com isso, o produtor será menos dependente da mão de obra na colheita, o que é fundamental para reduzir custos e ampliar a competitividade", disse.

A migração será gradual, já que a cultura do café é perene e exige grandes investimentos na implantação e manutenção. "Os produtores não irão eliminar os cafezais de uma vez. A tendência é que a migração de culturas ocorra nos momentos de renovação dos cafezais, que exige investimentos significativos. Nesta época, cabe ao produtor avaliar o que é mais viável", disse.

Valor da terra - A inviabilização da atividade cafeeira em regiões onde a mecanização não é possível tem interferido também no valor das terras. O levantamento mostra que o índice de valorização nessas áreas é inferior aos registrados nos locais onde a produção é mecanizada.

Enquanto o preço médio de terras agrícolas em Minas registrou alta de 19% nos últimos 36 meses até março, o valor das áreas cultivadas com o café tiveram valorização de 13%. No período de 12 meses, a alta nos preços de fazendas de café foi de apenas 4% ante 15% na média do Estado. A diferença é ainda mais perceptível nas áreas montanhosas. Segundo a consultoria, na região de Alfenas, Guaxupé e Varginha, por exemplo, os preços das terras de café caíram 10% nos últimos 12 meses.

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