November 11, 2014

Brasil terá colheita recorde em 2015 apesar da seca

Fonte: Época Negócios - 11/11/2014 - 12h39

ATUALIZADA EM: 11/11/2014 13h02 - POR AGÊNCIA EFE E ESTADÃO CONTEÚDO

# IMPULSIONADA PELA REGIÃO CENTRO-OESTE E PELA SOJA, COLHEITA DEVE ALCANÇAR 198,3 MILHÕES DE TONELADAS DE GRÃOS NO ANO QUE VEM, SEGUNDO IBGE

O Brasil, um dos maiores produtores mundiais de alimentos, prevê para 2015 uma colheita recorde de 198,3 milhões de toneladas de grãos, quantidade 2,5% superior ao projetado para 2014, apesar da seca que afeta uma parte do país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira (11/11).

Para calcular a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2015, o IBGE se baseou não apenas no comportamento do clima mas também no mercado, o que reduziu o peso dos efeitos da seca no sudeste. "A recuperação do preço estimula novas plantações. Quanto mais caro é o produto, mais incentiva o produtor a produzir. Para 2015 previmos uma colheita recorde, maior que a de 2014", afirmou o gerente de Coordenação Agropecuária do IBGE, Mauro Andre Andreazzi.

Entre os seis produtos de maior importância, cinco apresentam variação positiva, enquanto só o algodão herbáceo sofrerá uma queda de produção (-8%), segundo os dados do IBGE. A colheita do feijão terá uma alta de 11%, o amendoim (com crosta) de 10,7%, a soja de 9%, o arroz de 1,4% e o milho de 0,3%.

Soja

A soja deve levar o Brasil a bater novo recorde na safra de grãos do ano que vem, segundo o primeiro Prognóstico da Produção Agrícola Nacional para 2015, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa é de que a safra de soja seja 9% maior que a de 2014, com aumento de 1,6% na área prevista.

Segundo o IBGE, apesar da ligeira retração do preço da soja, o preço ainda é atrativo para os produtores. A área plantada em 2015 será de 30,7 milhões de hectares. A produção totalizará 94 milhões de toneladas, devido, principalmente, ao crescimento de 7,2% na estimativa do rendimento médio em relação à safra anterior. O Mato Grosso deve se manter como principal produtor nacional, com 26,8 milhões de toneladas, seguido por Paraná, com 17,4 milhões, e Rio Grande do Sul, com 14,4 milhões de toneladas.

"Como é previsão, tem um pouco de otimismo também. A seca que ocorreu nesse ano é normal. A previsão é de que não ocorra no ano que vem. A previsão otimista é muito em função da soja", contou Mauro Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE. "Está se plantando mais soja em detrimento do algodão e do milho. O produtor está dando preferência para a soja", completou. Segundo ele, a expectativa é que a chuva ajude a cultura nos principais centros produtores. Como resultado, a soja ampliará sua participação na produção nacional de grãos de 44,6% em 2014 para 47,1% em 2015.

2014

A colheita neste ano será de 193,5 milhões de toneladas de grãos, o que representa um crescimento de 2,8% em relação ao ano passado (188,2 milhões de toneladas), segundo a última projeção de outubro. O aumento da produção neste ano será possível principalmente pois a área cultivada chegará a 56,2 milhões de hectares, o que significa um crescimento de 6,3% ante 2013 (52,8 milhões de hectares).

O arroz, o milho e a soja - que somados representaram 91,4% da estimativa da produção - responderam por 85,0% da área a ser colhida em 2014. Em relação ao ano anterior, houve aumento de 660 hectares na área de arroz e de 8,3% na área da soja. Na direção oposta, o milho teve sua área a ser colhida reduzida em 0,7%. Quanto à produção, o arroz terá um aumento de 3,4%, e a soja um crescimento de 5,6%. Já o milho prevê diminuição de 2,7% na comparação com 2013.

Estiagem em 2014

A estiagem no Sudeste e Nordeste do país levou a revisões na produção de grãos deste ano, segundo o IBGE. Em relação a setembro, houve queda nas estimativas de café arábica (-0,5%), feijão 3ª safra (-2,4%), feijão 1ª safra (-2,6%), feijão 2ª safra (-4,5%) e cana-de-açúcar (-7,1%). "No Sul foi o contrário, o excesso de chuvas afetou a qualidade e também o rendimento do trigo", contou Andreazzi. "Ainda assim será safra recorde", ressaltou.

A safra de trigo será 5,2% menor do que o previsto em setembro. A estimativa de outubro é que a safra totalize 7.467.880 de toneladas, com rendimento médio esperado de 2.698 kg/ha, 6,7% menor que o dado do mês anterior. Já a área plantada, de 2.768.439 hectares, é 1,6% maior. A região Sul, responsável por 93,7% da produção nacional, prevê uma produção de 6.998.528 toneladas, com um rendimento médio esperado de 2.670 kg/ha, menores, respectivamente, 6,8%, e 7,4%, quando comparados aos dados do mês anterior.

Centro-Oeste

A região Centro-Oeste vem puxando três anos consecutivos de recorde na safra de grãos no país. Em 2014, o região responderá por 82,1 milhões de toneladas da safra de grãos; seguida pelo Sul, com 72,3 milhões de toneladas; pelo Sudeste, com 17,8 milhões de toneladas; Nordeste, com 15,8 milhões de toneladas; e Norte, com 5,5 milhões de toneladas. O Mato Grosso liderou o ranking de maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 24,4%, seguido pelo Paraná (18,5%) e Rio Grande do Sul (15,6%), que somados representaram 58,5% do total nacional previsto.

"A Região Centro-Oeste está se tornando uma grande produtora de grãos. Era grande produtora de gado, que está cada vez mais confinado, cedendo espaço para plantações. O clima lá está normal e tem essa vantagem de conseguir duas safras, coisa que o Sudeste e Nordeste não conseguem", explicou Andreazzi.  Segundo ele, diante de adversidades climáticas em outras regiões, o Centro-Oeste vem salvando a safra nacional desde 2012. "Depois da estiagem de 2012, a safra ia deixar de ser recorde, mas plantou-se milho de segunda safra no Centro-Oeste, o que recuperou o total nacional", lembrou.

 

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