Fonte: Folha de S. Paulo - 8/5/2015 - 2h00
Vaivém das Commodities
Por Mauro Zafalon
Como o Brasil, os Estados Unidos sofrem o efeito da desaceleração dos preços das commodities no mercado mundial.
Além de perder receitas com a queda nos preços, o país também exporta menos devido à valorização do dólar.
A atualização dos dados desta semana do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indica que o saldo comercial obtido pelo país no mês de março foi o menor dos últimos seis anos para o período.
Os Estados Unidos estão exportando menos, mas importando mais. E o Brasil, concorrente dos norte-americanos na área de grãos, poderia se aproveitar do aumento de importações deles em outros setores.
Barreiras sanitárias nas carnes e falta de aptidão do Brasil para produtos como frutas e vegetais -frescos ou industrializados- deixam o país fora de uma das maiores demandas dos EUA.
A importação de carne vermelha pelos EUA subiu para US$ 5,1 bilhões neste ano fiscal (outubro de 2014 a março de 2015), 61% mais do que em igual período anterior.
As compras norte-americanas de carne bovina aumentaram 88% no período, enquanto as de suínos cresceram 18%.
No setor de frutas, os gastos dos EUA foram de US$ 7 bilhões neste ano fiscal, com avanço de 10%. Já as importações de vegetais consumiram US$ 6,3 bilhões de receitas do país.
Os principais fornecedores de frutas e de vegetais para o mercado dos EUA são todos países latino-americanos, mas o Brasil está ausente dessa lista.
No setor de grãos, os norte-americanos perderam espaço nas vendas externas de trigo e de milho, mas ganharam nas de soja.
Os dados do Usda indicam que venderam 42,6 milhões de toneladas da oleaginosa, principalmente para a China, que comprou 28,4 milhões.
Mas os chineses estão participando menos do mercado. Adquiriram apenas 871 mil toneladas de soja dos EUA em março, 40% menos do que em igual mês de 2014.
As exportações totais do setor de agronegócio dos EUA somaram US$ 79,2 bilhões neste ano fiscal, 8% menos do que em igual período anterior. Já as importações subiram para US$ 56,8 bilhões, 8% mais.
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Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.