May 14, 2014

Aplicativos vão se tornar obsoletos, diz presidente da Evernote

Fonte: Folha de S. Paulo - 13/5/2014 - 13h17

FELIPE MAIA

EDITOR-ADJUNTO DE "CARREIRAS"

O Evernote, um dos mais populares aplicativos para organização pessoal, permitindo que as pessoas sincronizem recortes, fotos e anotações em celulares, tablets e computadores, chega nesta terça-feira (13) à marca de 100 milhões de usuários, sendo 2,5 milhões no Brasil. Apesar de produzir um app, o presidente-executivo da empresa, Phil Libin, já se prepara para um tempo em que esse tipo de ferramenta estará obsoleta.

Para Libin, com o advento de aparelhos como relógios e óculos inteligentes, caso do Google Glass, o conceito de aplicativo que conhecemos hoje vai perder a importância. Isso porque as pessoas passarão a usar essas ferramentas mais vezes ao dia, mas por períodos muito mais curtos.

"Você não vai abrir um app no carro, no refrigerador, no relógio e decidir qual aplicativo usar. Vai ficar muito difícil", disse o empresário à Folha, por telefone.

Segundo ele, o futuro das fabricantes de aplicativos é se posicionar como provedoras de serviço –algo que você assina "para a vida" e usa em todos os aparelhos. "Em cada um deles, por exemplo, o Evernote sabe que você fez algo diferente. Então você recebe uma notificação no relógio e depois pega seu telefone, que sabe que você já viu uma mensagem no outro aparelho, sem você precisar acionar nada", diz.

Libin explica que a empresa está fazendo testes em aparelhos como o relógio inteligente da Samsung e o Google Glass, mas que as versões atuais desses produtos ainda não serão populares. Eles servem mais para testar o conceito. "O Google Glass tem potencial, mas não é bom o suficiente ainda. Essa não é a versão que vai ser bem-sucedida", afirma.

Hoje, em torno de 4,5 milhões de usuários pagam para usar o Evernote, o que ainda não faz com que o negócio seja lucrativo. Para o presidente-executivo da empresa, no entanto, isso não é exatamente um problema. O executivo tem a tese de que, se uma organização está lucrando, está sem novas ideias e não está investindo para inovar. A companhia recebeu ao menos US$ 250 milhões de investimento.

Ele afirma que não considera buscar fontes alternativas de receita, como abrir a plataforma para anúncios publicitários ou usar, de algumas forma, os dados dos clientes. Como os usuários colocam no Evernote calendário, informações pessoais e informações da internet que consideraram interessantes, haveria espaço para ganhar dinheiro com "big data" (análise de grandes volumes de dados).

"É uma questão de confiança. Nós queremos usar os dados para criar novas funcionalidades para o serviço", diz o empresário. Ele diz que obter receita com publicidade faz ainda menos sentido à medida que o programa passar a ser usado em outras plataformas.

"Em um computador até fazia sentido e em um telefone devotar uma parte da tela para publicidade não é tão ruim. Mas e em um relógio ou nos óculos? Quanto dos meus olhos eu estaria disposto a ceder para uma propaganda? O usuário não toleraria."

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