July 26, 2013

Angola busca no Paraná exemplo para industrialização do país

Fonte: NetMarinha / 26/07/2013


Comitiva foi recebida pelo presidente da Fiep, Edson Campagnolo, nesta quinta-feira (25). O país africano vai elaborar um plano nacional de industrialização e busca exemplos de crescimento do Estado


O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, recebeu nesta quinta-feira (25) a ministra da Indústria de Angola, Bernarda Martins, e demais representantes do país que vieram para o Paraná buscar exemplos de desenvolvimento da indústria visando a construção de um plano nacional de industrialização no país africano. A visita foi organizada pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Fiep.


Segundo a ministra, Angola precisa de industrialização e o Paraná é um Estado exemplo para a construção de um plano nacional que promova o desenvolvimento e o crescimento da indústria. “O auxilio da Fiep será muito proveitoso para nós. Viemos buscar esse exemplo do Paraná e sua industrialização, que tem um ritmo interessante e queremos fazer isso em Angola, promover o crescimento industrial para desenvolver também a sociedade, melhorar a economia e diminuir índices de pobreza no país”, relatou. Outro objetivo da visita, segundo Bernarda, é alavancar investimentos do Paraná e do Brasil para Angola. “Aproveitamos para fazer um convite para que empresas conheçam o nosso país e possam se instalar em Angola”, disse.


Durante a visita, Campagnolo destacou que o Sistema Fiep e suas entidades Fiep, Sesi, Senai e IEL estão a disposição para auxiliar na construção do plano nacional de industrialização de Angola, por meio das expertises, conhecimentos, programas, produtos e serviços ofertados para o desenvolvimento de uma indústria forte e sustentável no Estado. O presidente também destacou a força do associativismo no Estado. “A Fiep incentiva o associativismo no Paraná para o crescimento industrial e traz para dentro da casa da indústria debates sobre os principais gargalos enfrentados por diversos setores produtivos do Estado”, afirmou.

Industrialização no Paraná

Para que a comitiva de Angola conhecesse melhor como foi o processo e história da industrialização do Paraná, o economista da Fiep, Roberto Zurcher, apresentou os principais acontecimentos que auxiliaram no desenvolvimento da indústria do Estado. Ele falou sobre os primeiros passos da indústria, que começou a surgir ainda em 1820, com a extração da erva-mate e a construção da ferrovia que liga Curitiba à Paranaguá, cidade litorânea do Estado.


“Com a erva-mate surgiram mais indústrias para atender demandas desse setor produtivo, entre elas, as de barracarias, metalúrgica, gráfica. O processo de industrialização no Paraná iniciou pela produção agrícola”, destacou. Zurcher falou ainda sobre o crescimento da indústria do café, na década de 40 e da agroindústria na década de 60. “O Paraná percebeu que precisava depender menos da produção de produtos que fossem impactados pelo clima e ai surgiram novas indústrias na década de 70, como foco em mecânica, comunicação, elétrica, petróleo, papel e papelão e fumo”, disse.


O economista comentou ainda sobre a construção da Cidade Industrial de Curitiba em 1973, considerado um marco na industrialização do Paraná, e dos incentivos para indústrias automobilísticas se instalarem no Estado na década de 90 e auxilio do Senai nesta época para formação de mão de obra qualificada.


“O Senai teve um papel importante para formar profissionais competentes para o desenvolvimento da indústria do Estado”, afirmou. Ele destacou que o modelo de industrialização do Paraná é baseado em uma agricultura forte e com tecnologia de ponta, elevada infraestrutura, alto nível educacional, salários em ascensão e incentivos fiscais.


Além de conhecer o cenário da industrialização no Paraná, a delegação de Angola recebeu informações sobre o trabalho realizado pelo Sistema Fiep em diversas frentes, como inovação, saúde e qualidade de vida do trabalhador , qualificação profissional e formação de executivos por meio do trabalho das casas Senai, Sesi e IEL.


“O Paraná terá o primeiro Instituto Senai de Inovação na área de eletroquímica. Ele será lançado em setembro. Além disso, o Senai fornece consultoria empresarial, operacionalização de politicas públicas voltadas para inovação e treinamentos e capacitações de consultores em inovação”, disse o representante do Senai na área de Inovação, Felipe Sanches Couto.


O trabalho realizado pelo Sesi no Estado também foi apresentado pela gerente de negócios da entidade, Maria Aparecida Lopes. Ela destacou para os representantes de Angola que o Sesi cuida da parte social da indústria, visando melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e seus dependentes e busca o desenvolvimento de comunidades no entorno dessas empresas.
“O Sesi conta com 35 unidades em todo o Estado e somente neste ano pretende atender 190 mil trabalhadores com programas de saúde e segurança, além de 80 mil por meio do Sesi Ginástica na Empresa e realização de mais de 82 mil diagnósticos de saúde e estilo de vida do trabalhador”, relatou. O Colégio Sesi e outras iniciativas, como a educação de jovens e adultos e cursos de educação continuada também foram apresentadas pela representante do Sesi.


A comitiva da Angola conheceu ainda o trabalho realizado pelo IEL no Paraná e a Escola de Gestão da Indústria, apresentados pelo gerente executivo do IEL, Eduardo Vaz. Os representantes do país africano também receberam informações sobre o trabalho realizado pela Ocepar, sistema de cooperativas do Estado, e das áreas de fomento e desenvolvimento da Fiep, que disponibilizam informações aos empresários sobre linhas de crédito e fomento, além dos arranjos produtivos locais que auxiliam no crescimento e desenvolvimento da indústria em diversos polos industriais localizados em todo o Estado e a tecnologia “Woodframe”, desenvolvida pela Tecverde em parceria com a empresa alemã Homag-Weinmann, Senai, Fiep e LP Brasil. Trata-se de um sistema eficiente e econômico para construção de casas.


Também participaram da recepção da comitiva de Angola o vice-presidente da Fiep, Rommel Barion, que coordena o Conselho Temático de Comércio Exterior da entidade, e a gerente do CIN, Janet Pacheco. Fazem parte do grupo angolano que veio para o Paraná o consultor e ex-ministro de finanças, José Pedro de Morais, o diretor nacional de industrialização, Antonio Dias da Silva, o presidente da Comissão de Instalação de Polos Industriais, Luis Ribeiro, e o consultor da ministra, Manoel Gomes.

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