Fonte: UOL - http://www.uol.com.br/ - 28/7/2015 - 13h21 > Atualizada 28/7/2015 - 13h26
Do UOL, em São Paulo
A agência de avaliação de risco Standard & Poor's (S&P) manteve, nesta terça-feira (28), a nota de crédito de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em "BBB-", mas trocou a perspectiva de "estável" para "negativa" ---isso significa que a tendência é de rebaixamento, em vez de manutenção.
Com isso, o país manteve o chamado "grau de investimento", uma espécie de selo de bom pagador. Isso que dizer que, segundo a S&P, o país ainda é considerado um lugar recomendável para os investidores aplicarem seu dinheiro.
O país ainda mantém o "grau de investimento" de acordo com as três principais agências de classificação de risco do mundo: Fitch, Moody's e Standard & Poor's. A Fitch já indicou que deve rever essa nota. Na semana passada, a agência brasileira Austin Rating tirou o grau de investimento do país.
Segundo a S&P, o país enfrenta circunstâncias políticas e econômicas "desafiadoras", apesar de "correção significativa de política" durante o segundo mandato de Dilma Rousseff.
A agência afirmou, ainda, que as investigações de corrupção envolvendo empresas e políticos têm tido cada vez mais peso sobre o cenário econômico e fiscal do Brasil.
Avaliação de agências indica risco de calote aos investidores
Um governo consegue dinheiro vendendo títulos no mercado. Os investidores compram papéis com a promessa de receberem o dinheiro de volta no futuro com juros. Quando um governo tem avaliação ruim, considera-se que há risco de dar um calote e não pagar esses investidores.
Se houver desconfiança sobre essa devolução, fica difícil conseguir vender esses títulos, e o país tem de pagar mais juros aos investidores para compensar o risco maior. O país com mais confiança são os EUA.
O chamado grau de investimento indica aos investidores que uma economia tem baixo risco de dar calote, e que as aplicações financeiras feitas por investidores estrangeiros nesse país terão risco próximo a zero.
Cada agência de risco tem uma escala própria de avaliação. A nota "BBB-", pela S&P, indica que o país ainda está no chamado "grau de investimento", que recebeu da S&P em 2008.
Entenda como as agência fazem o cálculo da nota
O rating, ou classificação de risco, refere-se ao mecanismo de classificação da qualidade de crédito de uma empresa ou um país.
Ele busca medir a probabilidade de calote de obrigações financeiras. O rating é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião independente a respeito do risco de crédito do objeto analisado.
Do ponto de vista econômico, é bastante vantajoso, pois uma vez feito, pode ser utilizado para vários objetivos e por diversas instituições. Com a globalização, o rating se apresenta como uma linguagem universal que aborda o grau de risco de qualquer título de dívida.
Agências de risco falharam na crise
As agências de classificação de risco, que dão notas para países, empresas e negócios, determinando sua suposta credibilidade financeira, foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009.
Elas deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.
O rating, ou classificação de risco, refere-se ao mecanismo de classificação da qualidade de crédito de uma empresa, um país, um título ou uma operação financeira.
Ele busca mensurar a probabilidade de calote de obrigações financeiras, ou seja, o não-pagamento, incluindo-se atrasos e ou falta efetiva do pagamento. O rating é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião supostamente independente a respeito do risco de crédito do objeto analisado.
(Com Reuters)