Octávio Costa - Editor-chefe do Brasil Econômico (RJ)
Ex-diretor da Associação Comercial de São Paulo, o vice-governador Guilherme Afif Domingos tem uma árdua tarefa pela frente. Na cota pessoal da presidente Dilma Rousseff, ele foi escolhido para assumir a recém-criada Secretaria das Pequenas e Médias Empresas.
Trata-se de uma demanda antiga desse setor da economia brasileira, que aposta no novo status para fazer ouvir sua voz.
Se Afif estivesse ontem em Salvador no seminário sobre futuros fornecedores da indústria petrolífera, organizado pelo Brasil Econômico, com apoio da Petrobras, teria um exemplo das demandas de que será alvo.
O objetivo do encontro foi plenamente atendido com explicações da área operacional da Petrobras sobre o relacionamento da estatal com o vasto universo de seus fornecedores na Bahia.
A empresa, por sinal, dá atenção especial aos empreendedores baianos. Encomenda no estado 41% de suas compras de bens e serviços, nas mãos de 4.926 fornecedores.
São Paulo, apesar de toda sua força, aparece em segundo lugar, com 24% dos negócios e 2.884 fornecedores.
Diante desses números, era de se acreditar que não houvesse nenhum reparo a fazer à atitude da Petrobras em relação às empresas da Bahia, estado que foi pioneiro na exploração do petróleo no país.
Mas, em sua intervenção, Geraldo Queiroz, da RedePetro Bahia, que reúne os fornecedores da estatal, ajustou o foco na participação dos pequenos e médios empresários no mercado de petróleo e gás.
E afirmou que o setor, até pelo porte dos investimentos que exige, fica nas mãos das grandes empresas.
Ele admite que a Petrobras é atenta à questão e, na medida do possível, abre espaços para as PMEs.
Desde 2003, mantém convênio com o Sebrae, em busca de mecanismos que permitam maior inserção das pequenas empresas. Tem desenvolvido arranjos produtivos nessa mesma direção e dá suporte às incubadoras de empresas nas universidades.
Mas os responsáveis pelas PMEs querem mais. Citam o exemplo dos EUA, onde 23 mil empresas participam da exploração de petróleo e geram 300 mil empregos para exigir uma abertura maior no Brasil aos pequenos e médios fornecedores.
Acreditam que eles dariam maior dinamismo principalmente à exploração das áreas de shale gas. Sabem que seriam necessárias mudanças na legislação, já que as riquezas do subsolo pertencem à União, mas dizem que já é tempo de pensar em mudanças.
E argumentam que nas grandes empresas o gestor é muitas vezes um técnico desinteressado, enquanto nos micro e pequenos negócios o gestor é o próprio dono.
As propostas são ousadas e mereceriam uma discussão mais ampla e acurada, que vai além do setor de petróleo e gás.
Se a Petrobras tem compromisso com as pequenas e médias empresas, em outras áreas que têm avançado na Bahia, como a mineração e a energia, as PMEs continuam à margem.
E as demandas certamente vão chegar ao gabinete de Guilherme Afif.
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Octávio Costa é editor-chefe do Brasil Econômico (RJ)
Fonte: Brasil Econômico - 24/4/2013