Fonte: Folha de S. Paulo - 24/6/2014- 19h36
PEDRO SOARES
DO RIO
Atualizado às 19h56
A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que a contratação direta pelo governo para a companhia explorar volumes excedentes de óleo de quatro campos do pré-sal "é uma excelente oportunidade".
A maior vantagem, diz, é a redução do risco de procurar novas áreas –o que pode resultar em insucessos.
Com o acordo, a estatal assegura reservas adicionais de petróleo de 10 bilhões a 15 bilhões de barris de petróleo –as reservas atuais da estatal são de 16 bilhões.
Foster disse ainda que outra vantagem é usar a infraestrutura de produção já planejada para os 5 bilhões de barris originalmente previstos para esses campos, repassados à Petrobras em 2010 por meio da cessão onerosa.
Segundo a presidente da Petrobras, a previsão é que as reservas excedentes gerem uma produção adicional de 1 milhão de barris/dia em 2026, no pico. O começo da extração se dará em 2021.
"Isso aumenta muito a previsão da nossa curva de produção", disse.
Atualmente, a produção da estatal é da ordem de 2 milhões de barris/dia.
RECURSOS
A Petrobras, porém, vai adiantar recursos ao governo, que "é o dono do óleo", segundo Foster.
De acordo com a Petrobras, os pagamentos à União pelo repasse dos volumes excedentes se darão de modo escalonado até 2018: R$ 2 bilhões em 2014, R$ 2 bilhões em 2015, R$ 3 bilhões em 2016, R$ 4 bilhões em 2017 e mais R$ 4 bilhões em 2018.
O valor de R$ 2 bilhões neste ano é correspondente a um bônus para ficar com o excedente das reservas, repassadas à Petrobras em 2010.
Os R$ 13 bilhões restantes se referem a uma antecipação da parte do óleo que cabe à União, sob o regime de partilha de produção –a estatal paga em óleo o direito de explorar as áreas, o mesmo adotado no campo de Libra.
Nesse campo, a Petrobras e suas sócias pagaram R$ 15 bilhões em bônus no fim de 2015.
SEM SOBRECARGA
Foster disse que o valor de R$ 2 bilhões em bônus não vai sobrecarregar o caixa da companhia, que investe cerca de R$ 45 bilhões ao ano.
"Mas temos de ter disciplina para manter o crescimento da produção e da política de alinhamento de preço dos combustíveis", disse.
Os R$ 2 bilhões em bônus correspondem a um valor pequeno, se comparado aos R$ 15 bilhões pagos por Libra, um projeto de dimensões semelhantes, mas com mais riscos porque não foram confirmadas as descobertas, segundo Foster.
Diante disso, diz, o governo entendeu que poderia pleitear a antecipação dos recursos, que serão pagos em dinheiro com recursos gerados pela produção de outros campos.
Foster reiterou que não haverá uma saturação do caixa da companhia.
"O governo fez o maior esforço para não sobrecarregar a companhia. São volumes crescentes (de pagamentos), mas enquanto a produção está crescendo."