Fonte: A Tribuna On-line - 26/3/2014 - 7h00
Da Redação
Em 26 de março de 1894, circulava pela primeira vez um exemplar de A Tribuna. O jornal, fundado com o nome Tribuna do Povo pelo maranhense Olímpio Lima, trazia em sua primeira edição de quatro páginas quase sem gravuras um destaque para o editorial do redator-chefe e também proprietário. Ele afirmava o compromisso do veículo em denunciar os males que afligiam a população, no artigo denominado À guisa de Programa.
Suas páginas denunciavam muitos políticos e criticavam ações que prejudicavam a população. Por isso, a redação era alvo constante de ataques. Foram várias depredações, incluindo um incêndio ao prédio e até agressões a jornalistas e funcionários.
Em seu segundo ano, a Tribuna do Povo passou por vários percalços. Olímpio Lima chegou a ser preso arbitrariamente algumas vezes e quase foi assassinado.
Em março do ano seguinte, quando completava exatos dois anos, a Tribuna do Povo virou diário e ganhou mais páginas. Mas a saúde financeira do jornal não era lá essas coisas. Doente, endividado e encurralado por inimigos públicos, Olímpio passou o jornal para outro empresário, o coronel Manuel Monjardim. Quatro meses depois foi decretada a falência. Em leilão judicial, o jornal foi arrematado por Manuel Teixeira de Souza.
Depois de tentar, sem sucesso, rever o jornal na Justiça, Olímpio Lima mudou-se para São Paulo, onde restabeleceu a antiga folha Comércio de São Paulo. Mas o polêmico maranhense, que já se considerava santista de coração, não esquecia sua Tribuna do Povo.
Retorno
Em 19 de dezembro de 1899, mesmo frágil fisicamente, o jornalista regressou a Santos e fundou A Tribuna, jornal que logo teve o reconhecimento da população como uma legítima continuidade da Tribuna do Povo.
Na sua primeira década, o jornal lutava tal como a Cidade, pela própria sobrevivência e prosperidade. Enquanto outros jornais sucumbiam, o periódico de Olímpio Lima completava em 1904 dez anos de atividade, resistindo bravamente.
Três anos depois, aos 45 anos, o empresário maranhense morreu durante uma viagem para o norte do País. Na ocasião, A Tribuna, que era editada em papel cor-de-rosa, dedicou ao seu diretor e fundador toda a primeira página tarjada e com seu perfil em bico de pena.
Começa a era Nascimento Júnior
Em 1909, o cearense Manoel Vicente do Nascimento Júnior, um jornalista de 33 anos que já havia passado pelo carioca Jornal do Brasil e também pelo O São Paulo, da Diocese do Estado, soube que tinha ido à basta pública um jornal cujo diretor acabara de morrer.
Recém-chegado a Santos, Nascimento Júnior sentiu-se atraído pelo desafio de reanimá-lo e deu o maior lance do leilão. Em companhia de seu amigo e futuro sócio, Róssio Egídio de Souza Aranha, Nascimento Júnior conseguiu adquirir o acervo do jornal. Meses depois, por problemas de saúde, Róssio resolveu propor ao amigo a venda de sua parte na empresa. E assim foi feito. O cearense passou a ser o único dono do diário santista.
E o leitor começava a sentir a diferença. Em janeiro de 1911, os primeiros clichês em zincografia e fotogravura preparados no ateliê de clichagem iniciavam a evolução técnica e as transformações gráficas do periódico. As páginas róseas ficaram no passado, com a substituição, em 25 de outubro daquele ano, pelo papel branco.
Em 1925, o editor-chefe era Roberto Molina Cintra e A Tribuna se diferenciava das demais folhas por contar com jornalistas setoristas, que se especializavam em determinado tipo de assunto. Nessa época, também foi introduzida na Redação a figura do fotógrafo contratado.
A década de 30 chega com menos dinheiro circulando na Cidade e menor poder aquisitivo. O desafio de A Tribuna era, de novo, manter-se como item de primeira necessidade dos santistas. Porém, na época, as cidades viviam um momento de grande insatisfação popular. Como os ânimos estavam exaltados, os jornais eram alvos constantes de atentados e, em 1930, as instalações do jornal também sofreram depredações.
O prédio na General Câmara 90/94, adquirido havia apenas dez anos, foi praticamente destruído pelo empastelamento político. A rotativa, no entanto, escapou inteira, o que permitiu que o jornal voltasse a rodar com 24 páginas, 35 dias após o atentado.
Giusfredo Santini assume a direção
Em 26 de março de 1944, A Tribuna publicou edição comemorativa de seu cinquentenário. Nascimento Júnior completava 37 anos à frente do jornal. Em 29 de maio de 1959, ele morreu na Santa Casa de Santos, aos 83 anos, 50 deles dedicados ao jornal.
A partir daí, coube ao genro Giusfredo Santini, que já atuava em A Tribuna, assumir a direção de A Tribuna. O filho, Roberto Mário Santini, assumiu o cargo que era dele, o de superintendente.
Tribuninha - Em 24 de agosto de 1960, circulou pela primeira vez o suplemento com foco nas crianças "A Tribuninha". O encarte ficou sem circular entre os anos de 2001 e 2012, quando passou por uma reformulação e voltou a ser encartado no jornal A Tribuna, aos sábados.
Nos anos 60, A Tribuna seguia aprimorando o Jornalismo e as técnicas de impressão para melhorar e agilizar o conteúdo que chegava ao leitor. Na década seguinte, em 1974, os métodos de composição e impressão no sistema quente (linotipos e telhas de chumbo antimônio) foram sendo substituídos pelo sistema a frio (lâminas de náilon, utilizando naylon print).
Em 1982, a substituição de antigas máquinas por computadores melhorou muito a parte gráfica e deixou a comunicação extremamente rápida. Dois anos depois, a empresa de comunicação iniciava a substituição das máquinas de escrever por terminais de vídeo computadorizados.
Em 1989, e Giusfredo e Roberto Mário Santini encomendaram, nos Estados Unidos, uma nova rotativa: a Goss Urbanite, máquina com avançado sistema de impressão que exigiria instalações próprias para seu funcionamento. Mas Giusfredo Santini não viu o novo equipamento em ação e morreu em 20 de novembro de 1990, aos 93 anos, um ano antes da inauguração do moderno Parque Gráfico da empresa.
A Rádio Tribuna FM de Santos foi inaugurada em 10 de maio de 1981 com transmissão, ao vivo, para todo o Litoral Paulista (de Peruíbe a São Sebastião). Vários programas são marcas registradas da emissora: Amor a Dois, há 25 anos no ar; Expresso da Meia Noite e Paquera na Tri, há 20 anos; além dos mais recentes: Samba Tri, Liga e Toca, Coração Sertanejo, Música da Hora e Seleção Brasil, com o sambista Luiz Américo.
Do jornal para a televisão
A morte de Giusfredo Santini e a inauguração do Parque Gráfico foram apenas dois das dezenas de acontecimentos que marcaram a publicação nos anos 90. Já em 1º de fevereiro de 1992 entrava no ar a TV Tribuna – primeira emissora de televisão do Sistema A Tribuna de Comunicação.
Em 1992, A Tribuna implantou o Jornal, Escola e Comunidade (JEC), um dos pioneiros entre os Programas de Jornal e Educação no País. A iniciativa leva o jornal diário às mãos dos estudantes, atuando como suporte e recurso pedagógico nesses locais e estimulando o gosto pela leitura, contribuindo para a formação de cidadãos leitores conscientes e participativos.
Em 1996, a prestação de serviços e os casos pitorescos abordados pelo jornal passaram também a ser disponibilizados na internet. Entrava no ar o site de A Tribuna, repassando para o mundo inteiro as notícias da nossa região.
No mesmo ano, a fotocomposição foi eliminada e repórteres e editores começaram a trabalhar com computadores no sistema DOS. Com e editoração eletrônica, o jornalista digitava a matéria no seu computador e o setor de Diagramação abria o texto para compor a página em outro terminal.
O primeiro número do Expresso Popular circulou em 2 de abril de 2001. O jornal nasceu com o objetivo de defender a comunidade, mostrando seus problemas e cobrando o Poder Público, assim como de oferecer o máximo de serviços possíveis, facilitando a vida de quem estivesse lendo.
Em seu 110º aniversário, um novo veículo surgiu no Sistema A Tribuna de Comunicação (SAT). Em dezembro de 2004, nascia a AT Revista, que passou a ser companheira inseparável dos leitores de domingo.
O adeus a Roberto Mário Santini
Em 2 de janeiro de 2007, quando o jornal estava com 112 anos, chegava ao fim uma relação de amor e profissionalismo que rendeu frutos históricos e serviu de exemplo para a população da Baixada Santista. O diretor-presidente de A Tribuna, Roberto Mário Santini, morreu durante a madrugada no Hospital Ana Costa, em Santos.
Aos 114 anos, quando Marcos Clemente Santini registrava seu primeiro ano no comando do jornal centenário, um novo software de editoração eletrônica foi implantado para agilizar a produção e no fechamento das matérias. No mesmo ano, o Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) fez, pela primeira vez, sondagens de intenção de voto para as prefeituras e câmaras municipais da Baixada Santista.
Em 2009, A Tribuna adotou um novo ajuste em seus cadernos. As mudanças facilitaram a leitura e a localização das seções e editorias. As alterações seguiram, porém, os mesmos padrões de estilo e tipologia adotados em 2007, ano da última reforma gráfica.
Aos 116 anos, o jornal tinha um novo editor-chefe, que assumiu em agosto do ano anterior: Carlos Conde, que permanece até hoje. Santista, com passagens pelos mais importantes jornais do País, como O Estado de São Paulo e Correio Braziliense, imprimiu novo ritmo à publicação.
No ano passado, a aposta foi integrar melhor o noticiário. Terminou o caderno Local e ficou apenas o caderno Cidades, para todos os municípios da região. Os assuntos começaram a ser separados conforme sua importância e não pela cidade onde o fato ocorreu.