Mauro Roberto Schlüter - Diretor do IPELOG
Desde que iniciei na carreira docente, tenho assistido a um fato que se repete a cada final de semestre. Alunos de cursos de graduação e pós-graduação procuram os professores para solicitar provas em épocas especiais ou então um relaxamento na entrega nos prazos de entrega dos trabalhos.
O principal argumento para justificar tais pedidos decorre das necessidades de viagens e treinamentos a que são submetidos nas empresas em que exercem as suas atividades profissionais. Tenho percebido também um recrudescimento deste tipo de solicitação nos últimos anos, decorrente do aumento da atividade econômica do país.
Este fato acontece com maior intensidade em cursos de logística, comércio exterior e administração (pura). Mesmo que O cronograma das disciplinas seja entregue por ocasião do início do semestre, incluindo as datas de provas intermediárias, entrega dos trabalhos e provas finais, não significa que os pedidos sejam menores.
Para os professores, que recebem este tipo de solicitação, se torna impraticável atendê-las pois o final de semestre é a época em que o professor mais trabalha fora de sala de aula.
É justamente nesta época que há um acúmulo de trabalho dos professores, decorrente da elaboração e correção de provas, análise de trabalhos da disciplina ou análise de trabalhos de conclusão.
Isto requer tempo de dedicação e por óbvio os professores priorizam as atividades planejadas em relação às demandas não planejadas.
Muitos professores que conheço (e me incluo neste conjunto), não atende as demandas pontuais, seja por falta de tempo ou pela possibilidade de generalização da solicitação, o que aumentaria o problema.
É fato notório que os profissionais de logística têm uma intensidade de trabalho muito acima dos demais profissionais e sua principal atividade está centrada na busca de soluções para problemas inesperados. Isto se explica em parte, pois as atividades de logística envolvem vários atores externos à empresa, onde a autoridade de planejamento não pertence ao gestor de logística.
Mas isto não se aplica a programação de atividades desses profissionais, principalmente em relação a viagens, reuniões, congressos, treinamentos, etc.
Quando essas atividades são coincidentes às provas e outras atividades com cronograma conhecido, surgem as demandas especiais dos alunos que atuam na logística. Quando essas demandas não são atendidas, surge um ambiente onde muitas vezes os alunos entendem que existe animosidade por parte do professor.
Cabe uma reflexão a respeito da postura desses alunos em relação à estratégia da sua carreira profissional. Será que priorizar a carreira em relação à atividade profissional é correto?
Sem particularizar situações pontuais, a regra é priorizar o ensino. O ensino amplia o conhecimento, que servirá para melhorar o planejamento das atividades, que por decorrência diminui as contingências.
Seria muito interessante também que os seus superiores também pensassem da mesma forma ao programar atividades que levam ausência do aluno neste período.
Fonte: NetMarinha / 25/6/2012