Fonte: O Estado de S. Paulo - 2/10/2013 - 2h15
# Parques e museus permaneceram fechados, contas deixaram de ser pagas e até atendimento médico foi comprometido
MICHAEL D. SHEAR, THE NEW YORK TIMES, WASHINGTON - O Estado de S.Paulo
Barricadas e cadeados impediam o acesso às autarquias federais por todo o país, com a vasta máquina do governo federal encerrando sistematicamente as atividades, pela primeira vez em quase duas décadas.
Americanos que buscavam atendimento nos órgãos federais encontraram as portas fechadas. Mais de 700 mil funcionários públicos preparam-se para um futuro financeiro incerto com empregadores apagando as luzes e ordenando que permaneçam em casa. Os turistas também não conseguiram entrar nas centenas de parques nacionais e monumentos.
Em Washington, um grupo de 90 veteranos da 2.ª Guerra Mundial, vindos do Mississipi e Iowa, contornaram as barricadas do Memorial da 2.ª Guerra com ajuda de alguns parlamentares republicanos. E também na estátua da Liberdade em Nova York, turistas da Noruega e China foram impedidos de se aproximar do monumento.
Tony, de nove anos, sobrinho de Haiyan Wang, "queria ficar um longo tempo dentro da estátua da Liberdade", disse a senhora Wang. Seus parentes que a visitavam não compreendiam o que ocorreu em Washington, porque "o governo chinês nunca fecha", afirmou ela.
A realidade dessa paralisação ficava nítida à medida que as horas passavam: os playgrounds dos parques em torno do Capitólio estavam fechados. Academias militares suspenderam todas as competições esportivas intercolegiais. O website PandaCam, do Zoológico Nacional, parou de mostrar imagens do mais novo bebê panda.
Num dos impactos mais visíveis dessa primeira paralisação na era da internet, muitos websites do governo foram substituídos por notícias de uma página como a que apareceu no Census.gov, declarando que "por causa do lapso no financiamento do governo, os sites census.gov, serviços e outros pedidos de pesquisa online estão indisponíveis até novo aviso". As contas no Twitter do governo também não podem ser acessadas.
O que não parou. O serviço de correio continuou funcionando porque é financiado pelas taxas pagas pelos usuários e não depende do orçamento federal. Os trens Amtrak também não pararam. Segundo as autoridades, a inspeção sanitária, os postos de controle de fronteira e agentes do Departamento de Transportes encarregados da fiscalização nos aeroportos continuarão funcionando. Mas muitos serviços prestados pelo governo simplesmente desapareceram ontem, quando as agências ordenaram que a maioria dos funcionários não comparecessem ao trabalho.
Na Receita Federal, no centro de Denver, Andres Decasas não conseguiu pagar o imposto de US$ 500 da sua empresa de transporte de pedregulho e areia. O pagamento do imposto vencia ontem, mas ele teve de ir embora. "Posso pagar amanhã? Preciso renovar minha licença para poder trabalhar."
Os centros de prevenção e controle de doenças concederam licença para 68% dos funcionários. E informaram que não poderão ajudar as autoridades estaduais e locais na vigilância de doenças infecciosas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO