June 25, 2026

Exposição “Garoto, a Revolução das Cordas” entra em cartaz nesta sexta (26)

A Associação Comercial de Santos (ACS) inaugura nesta sexta-feira (26), às 18h, a exposição “Garoto, a Revolução das Cordas”, realizada em parceria com o Clube de Choro de Santos. A mostra será aberta no Salão de Mármore da ACS, na Rua XV de Novembro, 137, no Centro Histórico de Santos, com apresentação dos alunos da Escola de Choro e Cidadania Luizinho 7 Cordas.

Composta por 14 painéis, a exposição apresenta a trajetória de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, um dos principais nomes da música instrumental brasileira. Reúne fotografias cedidas pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ), além de partituras, objetos pessoais, materiais de divulgação, registros históricos e itens ligados à memória do músico, compositor e multi-instrumentista que marcou profundamente a evolução do choro e da música popular brasileira.

Nascido em 28 de junho de 1915, em São Paulo, Aníbal Augusto Sardinha cresceu em um ambiente familiar ligado à música. Ainda menino, começou a se destacar pela habilidade com instrumentos de cordas e recebeu o apelido de “Moleque do Banjo”, posteriormente simplificado para Garoto, nome pelo qual se tornaria conhecido em todo o Brasil.

Ao longo da carreira, Garoto se destacou como violonista, compositor e multi-instrumentista, dominando instrumentos como violão, violão tenor, violão de sete cordas, cavaquinho, bandolim, banjo, guitarra elétrica, guitarra havaiana e guitarra portuguesa. Sua técnica refinada, sua criatividade e sua capacidade de unir tradição brasileira a novas harmonias ajudaram a transformar a linguagem do choro e do violão brasileiro.

A exposição percorre diferentes momentos da trajetória do artista, desde sua origem familiar e o início precoce na música até a atuação nas rádios, a mudança para o Rio de Janeiro, a temporada internacional com Carmen Miranda e o Bando da Lua, o contato com o jazz, a participação no Trio Surdina e o sucesso de “São Paulo Quatrocentão”, composto em parceria com Chiquinho do Acordeon.

Internacional - Entre os destaques da mostra está o sobretudo usado por Garoto em 1939 e 1940, durante a turnê pelos Estados Unidos e Canadá com Carmen Miranda e o Bando da Lua. A viagem, iniciada em outubro de 1939, marcou a projeção internacional do músico, com apresentações históricas, incluindo passagem pelo Pavilhão Brasileiro da Feira Mundial de Nova York. A peça foi doada ao Clube do Choro de Santos em 2015, ano do centenário de nascimento de Garoto, por iniciativa de seu filho, Antônio Augusto de Castro Sardinha.

Outro item de grande valor simbólico é o violão tenor branco utilizado por Garoto em apresentações nos cassinos do litoral e nos estúdios da Rádio Atlântica de Santos, que na época operava sob o prefixo PRG-5. O instrumento pertence ao acervo de Jaime Mesquita Caldas e Jorge Maciel.

A mostra também apresenta a partitura manuscrita do choro “Pequenininho”, composta por Garoto em 25 de dezembro de 1944 e integrante do acervo de Jaime Mesquita Caldas e Jorge Maciel. A obra foi dedicada a Nelsinho, Nelson Baptista Campos, conhecido como o “malabarista do violão tenor”, profissional da Rádio Atlântica de Santos. Na mesma data, Garoto compôs também o choro “Gentilíssimo”, dedicado a Gentil Castro, outro nome ligado à emissora santista.

Essas duas composições, “Pequenininho” e “Gentilíssimo”, ganharam gravações inéditas no CD “Almanach de Choro”, produzido por Luiz Antônio Pires, diretor e um dos fundadores do Clube do Choro de Santos. O álbum reforça a importância do trabalho de preservação e difusão da obra de Garoto, especialmente em sua relação com a memória musical santista.

Também integra a exposição um selo personalizado e um carimbo comemorativo emitidos pelos Correios em 26 de junho de 2015, durante evento promovido pelo Clube do Choro de Santos em celebração ao centenário de nascimento de Garoto. O selo comemorativo foi criado pela designer Márcia Okida.

A exposição reúne ainda a Revista Cultural do Clube do Choro e folder alusivo à comemoração do Dia Estadual do Choro. Celebrada em 28 de junho, data de nascimento de Garoto, a efeméride homenageia o legado de um dos maiores instrumentistas e compositores da história paulista.

A relação do artista com Santos ocupa lugar especial na mostra. Garoto esteve diversas vezes na Cidade, apresentou-se em importantes espaços culturais e de entretenimento da região, como o Teatro Coliseu, a Rádio Atlântica e os cassinos do litoral, e manteve vínculos com a cena musical santista.

Segundo Sérgio Willians, curador da exposição, a iniciativa reforça a vocação do Espaço Cultural da Associação Comercial de Santos. “O Espaço Cultural da Associação Comercial de Santos é plural, pois traz exposições de ordem artística, memorialística e biográfica, lembrando grandes nomes da cultura local, nacional e internacional, que de alguma forma possuíram alguma relação com a cidade de Santos”, afirma.

Garoto faleceu em 1955, aos 39 anos, mas deixou uma obra que segue influenciando gerações de músicos. Sua contribuição para a música brasileira é reconhecida como uma ponte entre a tradição do choro e a modernidade que marcaria a segunda metade do século XX.

A mostra permanece aberta ao público até o final de julho, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

A relação do artista com Santos ocupa lugar especial na mostra

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