# Indústria europeia nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança fabrica helicópteros em Minas Gerais, tem contratos vultosos com o governo e quer avançar nos países vizinhos
Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro
A EADS, gigante europeia nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança, pretende usar o Brasil como hub para crescer e se expandir na América Latina, afirmou Anne Tauby, vice-presidente sênior para a região, em encontro com jornalistas, nesta segunda-feira (08). A América Latina representa 11% da operação total do grupo, que inclui empresas como a Airbus, a Eurocopter (dona de 75% da Helibras) e a Cassidian. A EADS pretende partir em busca do mercado continental.
O Brasil responde por metade desse volume de negócios. Nos últimos cinco anos, as receitas no País mais que dobraram no portfólio do grupo, segundo a executiva francesa, no Brasil para a LAAD (Feira Internacional de Defesa e Segurança da América Latina), que começa nesta terça (9). A região vem crescendo recentemente em importância para o grupo; seis anos atrás correspondia a 4%, e atualmente significa 11% dos negócios – a Europa equivale a 24%. Eram 500 os funcionários na América Latina até 2009, hoje são 1.300 – 850, ou dois terços, no Brasil.
“O Brasil pode ser um hub para a América Latina. Não almejamos só o Brasil, que por si só é um importante ator regional. Podemos começar a exportar em breve para a região”, afirmou Anne.
O principal produto inicial poderia ser o helicóptero. A fábrica da Helibras em Itajubá (MG) é a única do gênero na América Latina e produz cerca de 60 aeronaves por ano. Um EC 725, como os fabricados para as Forças Armadas brasileiras, leva de 12 a 18 meses para ficar pronto; um Esquilo, menos complexo, demora apenas quatro meses.
Estratégia Nacional de Defesa impulsionou compras
Boa parte dos negócios recentes no País se deve à Estratégia Nacional de Defesa, que redefiniu as prioridades nacionais de reequipamento das Forças Armadas e liberou novas e vultosas compras de aeronaves e sistemas de segurança. Um dos maiores contratos foi fechado no governo Lula, para a compra de 50 helicópteros – com manutenção, logística e centro de pilotos – para as três Forças, por 1,9 bilhão de euros.
Outro acordo vultoso no setor militar foi a aquisição de 21 aviões para a Força Aérea – 12 da série C295, já entregues, e nove P3-AM, dos quais faltam três – prometidos para este ano, segundo o diretor regional de vendas da Airbus Military, Eduardo Pérez Valverde. As compras de aviões Airbus pela TAM, que detém cerca de 200 aeronaves, também garantem outro importante quinhão.
América Latina é novo alvo
Já estabelecida no Brasil, a EADS pretende partir em busca do mercado continental. Em desenvolvimento, a América Latina é uma opção de renovação e um novo horizonte de negócios, em comparação aos competitivos e relativamente saturados mercados da Europa e dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a região é carente de inovação e know-how de ponta nos setores de tecnologia aeroespacial, de defesa e segurança. Exemplo disso é a feroz concorrência para a compra, pelo Brasil, dos caças FX, ainda indefinida.
México, Venezuela e Chile são os principais novos mercados em que o grupo está de olho, tendo em vista o seu tamanho e necessidade de modernização. Na Venezuela, estima-se que os entraves para novos negócios no país sejam minimizados em um novo governo, ainda que do chavista Nicolás Maduro, após a morte do personalista Hugo Chávez. A PDVSA, estatal venezuelana de petróleo, fez uma compra de helicópteros do grupo há cerca de dois anos.
O Chile, que comprou recentemente um satélite de observação, é outro alvo em ascensão.
Perspectivas no Brasil
Apesar da intenção de se lançar na América Latina, a EADS tem como foco manter o mercado brasileiro, onde vê boas perspectivas de avanço no setor.
“O Brasil vai crescer no segmento de defesa, terá suas necessidades e existe vontade politica para isso. Outra área em desenvolvimento importante é a de óleo e gás, com as plataformas, que também vão demandar 100 helicópteros até 2015. A Força Aérea precisa de aviões de transporte, e o Brasil está pensando em como desenvolver suas atividades no espaço. Neste momento, nossa prioridade máxima são os satélites de telecomunicações, em licitação”, afirmou Anne Tauby.
De acordo com Bruno Gallard, CEO no Brasil, uma vantagem é que o grupo tem laços de 35 anos no País e a tradição de estabelecer parcerias, com transferência de tecnologia, como exigido pela Estratégia Nacional de Defesa. “Nenhum país, além dos Estados Unidos, tem capacidade para desenvolver produtos sozinho e preservar a competitividade”, afirmou Gallard.
Fonte: iG - 9/4/2013