16 de abril de 2026

Exigências e desafios do agronegócio são destaque do 2º Santos Grain Day

A exigência do mercado internacional quanto ao agronegócio brasileiro e os desafios para manter o País o maior exportador de grãos do mundo foram a tônica da abertura do 2º Santos Grain Day, realizado nesta quinta-feira (16), na sede da Associação Comercial de Santos (ACS), em parceria com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), reunindo os principais agentes da cadeia de grãos.

Em 2025, o agronegócio trouxe 170 bilhões de dólares de divisas para o Brasil ou 48% de todo o valor que foi exportado no ano passado.  E 30% dos embarques das commodities agrícolas do País passam pelo Porto de Santos, atestando a importância do complexo portuário e da solução de questões de infraestrutura, logística e de gargalos.

“São muitos desafios e estamos abordando todos, da geopolítica, à qualidade, à infraestrutura aos problemas regulatórios para manter e melhorar a excelência no que o Brasil entrega, uma vez que nossos parceiros comerciais estão cada vez mais exigentes quanto à tecnologia, inovação e excelência”, destacou o gerente-executivo da ACS, Eduardo Lopes.

Sérgio Mendes, diretor geral da Associação Nacional do Exportadores de Cereais ANEC), ressaltou a importância do fortalecimento da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para vencer os desafios do futuro na exportação.

 “Ela é uma instituição que perdeu força com o tempo, mas precisamos reconstruí-la para enfrentar os desafios, como as exigências da China com relação à soja. Eles querem um produto mais bem cuidado e precisamos atender para não perder mercado. E os portos têm um papel fundamental para entregar um produto de qualidade”.

Normas internacionais - No painel Qualidade e Classificação Física, Fátima Parizzi, consultora de Qualidade da ANEC e da ABIOVE, destacou que o Brasil vem buscando com a soja alinhamento com as normas internacionais e já possui padrões semelhantes aos chineses, argentinos e americanos. “Temos que nos preocupar com a qualidade do produto para atender a todos os clientes. Mais qualidade traz melhor preço e a classificação contribui para isso de maneira indireta”.

Tiago Rodrigo Lohmann, coordenador geral de Fiscalização e Certificação Fitossanitária Internacional do Ministério da Agricultura e da Pecuária, abordou a Análise de Risco de Pragas (ARP) destacando que a Organização Mundial do Comércio (OMC) define as diretrizes mundiais para os países se basearem quanto às medidas sanitárias e fitossanitárias. “Sempre com o objetivo do livre comércio, com exceções, para proteger a saúde humana e a animal e a sanidade vegetal”.

 Segurança jurídica - A Importância da Criação de Varas Especializadas para a Solução de Conflitos relacionados ao transporte marítimo internacional de cargas foi abordada pelo Dr. Frederico Messias, juiz coordenador do Núcleo Regional da Escola Paulista da Magistratura, e pelo Dr. Leonardo Grecco, juiz coordenador do Núcleo Especializado em Direito Marítimo do TJSP.

Frederico defendeu a segurança jurídica no setor. “O empresário coloca na conta do investimento o grau de segurança jurídica que tem na operação. Estamos falando de algo concreto, de investimento e de produtividade”.

Já Leonardo colocou a importância de os exportadores estarem próximos do porto. “São eles que empurram o Brasil e eles precisam conhecer os players do porto. Essa aproximação é importante”.

Geopolítica e logística - No painel Geopolítica do Agro: O Brasil no tabuleiro do mundo, Carolina Pavese, diretora da Impacta Consultoria Estratégica, falou de como os riscos geopolíticos impactam nas cadeias produtivas, as oportunidades e os riscos para o Brasil. "É importante que a gente se atualize e monitore esses riscos para traçar estratégias de mitigação e de otimização de oportunidades".

Elisângela Pereira Lopes, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), destacou no painel A Logística no Brasil – Perspectiva Macro, a relação da logística com a competitividade no País. "Quando falamos de logística no Brasil, falamos necessariamente de modais de transporte, de infraestrutura e de capacidade de escoamento. Hoje, a produção do agro avança em ritmo superior à expansão da estrutura logística, o que eleva custos, pressiona rodovias, ferrovias, hidrovias e portos e compromete a competitividade do setor. Por isso, é urgente discutir soluções concretas e planejamento de longo prazo para reduzir esses gargalos.”

Felipe Fray Buschinelli, gerente de Controle de Acessos Logísticos da Diretoria de Operação da Autoridade Portuária de Santos, falou da Logística dos Grãos no Porto de Santos, dos investimentos para logística mais eficiente e resiliente e das perspectivas de crescimento em números e obras.

O 2º Grain Day se consolidou como um espaço de diálogo permanente, reunindo lideranças e especialistas para discutir desafios atuais e antecipar tendências que impactam toda a cadeia logística e exportadora.

Estiveram presentes produtores, exportadores, traders, operadores de terminais portuários e retroportuários, prestadores de serviços e autoridades do setor. O evento ocupou o auditório e os salões do segundo andar da ACS e foi transmitido ao vivo pelo canal da ACS no YouTube @acsmais.

O patrocínio é de JRD Comex, Mediterranean, Nikkey Controle de Pragas, Williams Brasil, Intertek e CLI.

 

 

Evento reuniu lideranças e especialistas para discutir desafios atuais e antecipar tendências que impactam toda a cadeia logística e exportadora

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