Questões regulatórias, de certificações, exigências do mercado internacional e logística portuária marcaram a 2ª edição do Sugar Day, realizado nesta quinta-feira (22), no auditório da Associação Comercial de Santos (ACS), reunindo autoridades e representantes do segmento do açúcar para o debate dos desafios do produto que, no ano passado, respondeu por 59% das exportações mundiais do Brasil.
Para o presidente da ACS, Elber Justo, realizar mais uma edição do Sugar Day é também exaltar a força do agronegócio brasileiro e a relevância do Porto de Santos como o principal corredor de escoamento do açúcar brasileiro. “O açúcar é, sem dúvida, o reflexo perfeito de como a integração entre o agronegócio e a logística pode elevar a competividade do Brasil no cenário internacional”.
Representando o prefeito Rogério Santos no evento, o secretário municipal de Assuntos Portuários e Emprego, Bruno Orlandi, lembrou do sucesso do primeiro Sugar Day e da importância do evento para a Cidade. “Estamos aqui para compreender os desafios e buscar as soluções adequadas para que o Porto siga batendo recordes e movimentando a economia”.
Ângela Quintanilha, secretária-executiva da Associação dos Exportadores de Açúcar e Álcool (AEXA), parceira da ACS no evento, pontuou os desafios que o comércio exterior enfrenta e a importância do diálogo entre o setor privado e os órgãos públicos para vencê-los. “O Sugar Day cria esse espaço de discussão para encontrar soluções que impactam o dia a dia das operações, superar problemas e fortalecer a competitividade nas exportações brasileiras”.
Crescimento constante – Principal corredor de escoamento do açúcar brasileiro, o Porto de Santos dominou grande parte dos painéis da manhã. A Infraestrutura Portuária para a Exportação de Açúcar foi apresentada por Fábio Caetano, da Autoridade Portuária de Santos, que destacou o crescimento e os recordes constantes do complexo portuário santista ainda que com longos períodos de chuva. “O açúcar tem crescido na movimentação por contêiner e as ferrovias são fundamentais para isso”.
Cauê Pozzi, coordenador comercial da Unimar, abordou a Operação de Açúcar a Granel, quando mostrou o trajeto do produto da usina até o costado, passando pela rodovia, o transbordo e a ferrovia. O Cadastro CGC: Definição de Procedimentos para Terminais Alfandegados foi o tema abordado por Luiz Levy, presidente da Associação Brasileira de Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres e por Fernando Penariol, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que participou de forma on-line das discussões.
Cristina Castro, superintendente de ESG da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), trouxe a Regulação e Mediação de Conflitos, também em participação virtual. “Temos o desafio de aliar a tecnologia veloz, que acelera processos, com avaliações rápidas e confiáveis, dando respostas de infraestrutura e de políticas públicas que absorvam as necessidades”.
Reforma tributária - A programação da tarde teve início com a palestra “OEA Pós-Reforma Tributária”, conduzida por Elaine Costa, gerente de Comunicação do Centro de Operador Econômico Autorizado (OEA) da Receita Federal.
Durante a apresentação, ela detalhou os programas de conformidade Sintonia, Confia e OEA, além das mudanças trazidas pela reforma tributária. “A conformidade tributária e aduaneira tem um papel cada vez mais importante para as empresas que atuam no comércio exterior. Com a reforma tributária, o programa OEA ganha ainda mais relevância, especialmente pelos benefícios previstos para as empresas que atendem aos requisitos de certificação. A proposta é incentivar boas práticas, fortalecer a relação de confiança entre a Receita Federal e o setor privado e contribuir para operações mais ágeis, seguras e competitivas”, explicou Elaine.
Certificado Fitossanitário - Na sequência, Hugo Sickert, chefe da Vigilância Agropecuária de Santos do Ministério da Agricultura e Pecuária, abordou o Certificado Fitossanitário Internacional e as exigências para a exportação de açúcar.
O especialista destacou as Normas Internacionais para Medidas Fitossanitárias (NIMFs), que estabelecem regras para evitar a disseminação de pragas no comércio internacional, com destaque para as normas 3, 12 e 32.
Também explicou a transição dos certificados em papel para o formato eletrônico e-Phyto e a utilização do sistema SigVig 3 na emissão dos documentos.
“A certificação fitossanitária é essencial para atender às exigências dos países importadores. A digitalização desse processo representa um avanço importante, trazendo mais segurança, agilidade e confiabilidade às operações de comércio exterior”, destacou Hugo.
Comércio internacional - A coordenadora de Regulação e Propriedade Intelectual da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Débora Santiago, abordou as novas exigências e certificações para o comércio internacional.
Ela destacou que, além de preço, qualidade e logística, os exportadores precisam atender a critérios cada vez mais rigorosos de sustentabilidade, rastreabilidade e origem dos produtos. Também chamou a atenção para as exigências relacionadas ao combate ao desmatamento e às certificações específicas de determinados mercados, que podem elevar os custos das exportações.
“É esperado que essas novas exigências venham a se somar aos diferentes requisitos que já são obrigatórios para os exportadores, como os técnicos, de rotulagem, de qualidade e mesmo os sanitários”, explicou.
Certificado de origem - O gerente de Negócios da ACS, Ricardo Melo, destacou a importância dos certificados de origem para o comércio exterior e o papel da entidade na emissão desses documentos.
Segundo ele, a ACS responde por cerca de 40% das emissões de certificados de origem relacionados ao açúcar. A entidade também atua na certificação de diferentes tipos de cargas, com participação expressiva no segmento de commodities agrícolas.
Na ocasião, Ricardo aproveitou para anunciar uma novidade para o setor: o lançamento, em breve, de uma nova plataforma digital para emissão dos certificados de origem, que deverá agilizar os procedimentos, inclusive aos finais de semana.
IA - A inteligência artificial potencializa a capacidade humana, mas é a combinação entre conhecimento, pensamento crítico e domínio tecnológico que diferencia o profissional do futuro.”
Foi com essa mensagem que chegou ao fim o ciclo de palestras do 2º Santos Sugar Day, realizado nesta quinta-feira (22), na Associação Comercial de Santos (ACS).
O último painel abordou o uso da inteligência artificial (IA) nas operações de comércio exterior e contou com a participação de Fernando Ramos, da Covantes, e Luiz Simões, da HX Inteligência Logística, com mediação de Angela Quintanilha, secretária-executiva da Associação dos Exportadores de Açúcar e Álcool.
Durante o debate, os participantes destacaram as oportunidades e os desafios da aplicação da tecnologia nas atividades comerciais, na análise de documentos e no cumprimento de exigências regulatórias.
O 2º Sugar Day conta com patrocínio de CLI, JRD Comex, DP World, Copersucar, Dínamo, ED&FMan Sugar e Intertek.