22/07/2011

Vulcão paralisa economia de áreas turísticas nos Andes

A temporada de turismo de inverno no Chile e na Argentina chegou perto do colapso nas últimas semanas por causa do vulcão chileno Puyehue. O vulcão entrou em atividade no dia 4 de junho, lançando densas colunas de cinzas. E, ainda que tenha havido uma redução em sua atividade, ele continua ameaçando diversas localidades do sul do continente. Foram 100 milhões de toneladas de areia e cinza expelidas. As perdas acumuladas em vários setores da economia são de centenas de milhões de dólares.

Bariloche e Villa La Angostura, dois dos pontos turísticos de neve e esqui nas províncias argentinas de Río Negro y Neuquén, foram fortemente afetados. Primeiro pelas cinzas e depois pelo semi-isolamento. O aeroporto de Bariloche, por exemplo, só voltou a reabrir na segunda-feira. Durante um mês e meio, os poucos turistas que chegaram à cidade tiveram de percorrer um caminho de ônibus por quase quatro horas a partir do aeroporto mais próximo.

"Vamos perder o inverno porque a erupção ainda está ocorrendo, as cinzas continuam no ar. Podemos receber as pessoas, mas elas não ficariam satisfeitas", disse Santiago Perrota, dono do complexo de hotéis Lomas del Correntoso, de Villa La Angostura.

Para piorar o pesadelo dos hoteleiros, em Bariloche e no Valle Nevado no Chile, praticamente não havia neve nas estações de esqui. A situação começou a mudar apenas nos últimos dias, quando ocorreram intensas nevascas.

No Chile, a cidade turística de Puerto Varas foi uma das mais atingidas pelas cinzas e por dificuldades de acesso. Na Reserva Huilo Huilo, um importante complexo turístico no sul do país - com neve e esqui, a 70 km do vulcão -, as dificuldades foram menores, segundo a gerente comercial, Ximena León. "Fomos afetados por voos atrasados e cancelados, mas por aqui não ficamos cobertos de cinzas. Poderia ter sido melhor, mas mesmo assim recebemos em junho um pouco mais de hóspedes que em junho do ano passado."

No Chile, as dificuldades parecem ter sido amargadas principalmente pelas empresas aéreas. Com vários voos cancelados ou atrasados devido às partículas vulcânicas na atmosfera, o tráfego aéreo no Cone Sul enfrentou uma temporada de problemas. Milhares de passageiros ficaram horas em aeroportos na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Brasil.

A analista Helane Becker, do banco de investimento Dahlman Rose, calcula que as perdas só do setor aéreo chegam a US$ 50 milhões. As Aerolíneas Argentinas e a chilena LAN foram as mais castigadas, segundo Becker.

Um levantamento divulgado nesta semana pela Confederação Argentina das Médias Empresas (Came) apontou forte prejuízo ao comércio na cidades do sul do país, com contração média de 49,3% na primeira quinzena de julho. Em Villa La Angostura, o recuo foi de 90% e em Bariloche, de 78% - as maiores quedas.

A retração nas vendas da região reflete a "paralisia econômica que afeta importantes cidades como Bariloche, Villa La Angostura, Ushuaia, Puerto Madryn, Río Gallegos e Comodoro Rivadavia, que ficaram completamente isoladas do movimento turístico nacional", avaliou a entidade empresarial. O turismo é a principal fonte de receita de algumas dessas cidades.

Em três Províncias da Patagônia - Río Negro, Chubut e Neuquén - o governo decretou situação de emergência agropecuária por um ano, o que garante benefícios tributários aos produtores. Além do turismo, um dos setores mais afetados é o de carne ovina. Cerca de 1,5 milhão de ovelhas, o equivalente a pouco mais de 12% do rebanho nacional, estão ameaçadas de morte, segundo estimativas da Sociedade Rural Argentina. O prejuízo pode chegar a US$ 250 milhões, levando em conta o valor das cabeças e o preço da lã que seria vendida.

Nas proximidades de Bariloche, onde se concentram 95% da criação de trutas arco-íris da Argentina, estima-se que o prejuízo já tenha alcançado 40 milhões de pesos (cerca de R$ 16 milhões). A camada de cinzas em lagos como Nahuel Huapi, próximo do vulcão Puyehue, impede a captura dos peixes, bem como sua fecundação (realizada por indução externa).

Aproximadamente 70% da produção argentina de trutas são para consumo doméstico. O restante se exporta. Estados Unidos e Europa são os principais clientes. Os produtores recebem entre US$ 6 e US$ 10 por quilo, dependendo dos cortes e das características do peixe comercializado.

Daniel Rittner e Marcos de Moura e Souza | De Buenos Aires e São Paulo (Com Associated Press)

Fonte: Valor Online - 22/7/2011

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