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05/03/2012

Vespas da “empresa mais inovadora do Brasil” reduzem custos do agronegócio

Insetos que combatem pragas na lavoura colocam a Bug, de Piracicaba (SP), na frente de Petrobras e Embraer em prêmio internacional

Pedro Carvalho, iG São Paulo | 05/03/2012 05:55

Na última sexta-feira, os sócios da Bug Agentes Biológicos almoçaram em uma churrascaria de Piracicaba (SP) com quase 70 funcionários da empresa. Foi uma comemoração merecida. Em sete anos, a companhia passou da fase experimental para um negócio com faturamento milionário e vendas em todo o país. Nos últimos dias, essa ascensão surpreendeu até os fundadores. Eles se viram, no acanhado escritório perto da cidade de Charqueada (SP) onde trabalham, segurando inesperadamente o título de “empresa mais inovadora do Brasil”.

A escolha é da respeitada revista americana Fast Company, que passou a acompanhar a Bug após descobri-la num livro sobre inovação e empreendedorismo, escrito pela jornalista Sarah Lacy. A empresa ficou na 33ª posição mundial, numa lista liderada pelo Facebook – e na frente de Petrobras, Embraer, OGX e outras potências nacionais. “Os editores acharam que a gente tinha relevância suficiente para ser premiado porque estamos em duas culturas muito importantes no País, a cana e a soja”, diz o empresário Diogo Carvalho.

A Bug vende basicamente insetos e ácaros. O principal produto é a trichogramma, uma vespa tão pequena que um grama do preparado vendido pela empresa contém 37 mil ovos fertilizados com pequenas vespinhas. Ela é cultivada nesses ovos e, quando nasce, solta na lavoura. Ali vai parasitar outros ovos, de mariposas e borboletas, que são as principais pragas – quando em fase de lagarta – das grandes culturas brasileiras. A trichogramma responde por metade do faturamento da Bug.

A empresa tem como clientela 350 mil hectares de lavoura no País. Atende grandes grupos do setor de açúcar e álcool, como Raízen, Zilor e São Martinho – as vespas já substituem totalmente o agrotóxico numa usina de 35 mil hectares, para dar um exemplo. Tem clientes que plantam cana no Maranhão, soja no Centro-Oeste, morango no Espírito Santo, flores e pimentão em Minas Gerais, melão no Rio Grande do Norte, algodão, milho, tomate e assim por diante.

Os insetos da Bug proporcionam, segundo a empresa, uma economia de 30% em relação aos agrotóxicos. Além disso, as vespas normalmente só precisam ser aplicadas uma vez, no início do plantio, enquanto agentes químicos são borrifados até seis vezes durante a safra.

Mas não haveria nisso um perigo biológico? Será que o Brasil não vai acabar cheio dessas vespinhas? Bem, os argumentos dos sócios são convincentes. O principal é de que a trichogramma – que sempre existiu por aí, na natureza – parasita apenas os ovos dessas pragas. Logo, ela só poderia se reproduzir descontroladamente se a praga também se tornasse abundante. Acontece que a própria trichogramma evita isso – e os testes para comprovar a tese são feitos há mais de 30 anos nas universidades.

Na verdade, o Brasil usa insetos para controlar pragas faz tempo. A mosquinha cotésia é empregada na luta contra a lagarta “broca de cana” (a mesma combatida pela vespa da Bug) desde os anos 1980, no maior programa de controle biológico do mundo. Nos anos 1990, o País importou moscas da Califórnia para ajudar nas plantações de laranja. Numa busca no Google, é fácil achar mais de 300 mil pesquisas sobre a própria trichogramma. Era uma velha conhecida do meio acadêmico. A grande inovação da Bug foi conseguir produzi-la em escala comercial.

Fonte: iG - 5/3/2012

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