18/04/2011

Uma “Metrópole Digital” para combater fanatismos

Lélia Chacon - Jornalista e editora do site e revista Onda Jovem, do Instituto Votorantim

Um projeto está abrindo futuro para a inovação, a pesquisa tecnológica e a educação de milhares de estudantes de ensino médio de escolas públicas. É o Metrópole Digital, iniciado há dois anos na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRG), com estudantes de Natal e de outros sete municípios próximos, com apoio do poder público e organizações da sociedade civil.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, concedeu R$ 14 milhões ao projeto para a construção de uma grande edificação na universidade, já licitada e iniciada. Será a sede do Centro Integrado de Vocação Tecnológica (CIVT) e do Núcleo de Pesquisa e Inovação em Tecnologia da Informação (NPITI), os dois eixos do Metrópole Digital.

Focado na informática industrial e na robótica, o Metrópole Digital tem como metas a inclusão social e digital, a pesquisa e inovação tecnológica e o desenvolvimento de empresas de base tecnológica.

O primeiro objetivo inclui a promoção de acesso à internet por meio de uma rede metropolitana sem fio, de alta velocidade, e o programa educacional para jovens do ensino médio, 70% oriundos da escola pública. Identificar e formar talentos entre eles é ponto estratégico do programa.

Os cursos, semipresenciais, têm 15 meses de duração. São orientados por equipe multidisciplinar, liderada por professores doutores em ciências e engenharias. Há um módulo básico e um avançado. Para participar, os alunos recebem ajuda de custo de R$ 161,00.

Um dia por semana frequentam a universidade, no contraturno escolar, com acesso a laboratórios, pesquisadores e suas atividades. Estudantes de graduação da UFRN atuam como monitores e os de pós-graduação como mentores.

Primeiro, a turma é iniciada nas ciências da computação e tem aulas de português, matemática, inglês, além de temas relacionados à cidadania.

No módulo avançado, desenvolvem habilidades para web e em eletrônica. Maurício França, responsável na Finep pela área de inovação com aplicação educacional, e que acompanha de perto as etapas do Metrópole, se diz impressionado com a sagacidade dos alunos.

Um deles, nas aulas de web, está desenvolvendo um sistema para o transporte público. O usuário poderá saber, pelo celular, os horários do ônibus no ponto.

Cerca de 7 mil estudantes inscreveram-se para a primeira seleção do projeto, no ano passado. Da primeira turma, com 1,2 mil jovens, 870 se habilitaram para os cursos do módulo avançado e concluirão em breve a formação.

Para eles se abrem oportunidades de estágios em empresas tecnológicas regionais, de empreender a própria empresa ou se integrar ao desenvolvimento de outras na incubadora do Metrópole Digital.

Ou, ainda, seguir com o aprendizado em nível superior na UFRN. A universidade, que já tem graduação e pós-graduação em ciência e em engenharia da computação, abriu recentemente, por conta de demandas do Metrópole Digital, um bacharelado em engenharia de softwares.

Para não deixar sem nota a tragédia de Realengo, projetos como o Metrópole Digital representam a verdadeira providência - para muito além de segurança ou prevenção de saúde mental - capaz de "matar" ignorâncias, fanatismos e seus produtos.

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Lélia Chacon é jornalista e editora do site e revista Onda Jovem, do Instituto Votorantim

Fonte: Brasil Econômico - 18/4/2011
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