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Santos, SP/

25/01/2012

Tsunâmi de mudança

Miguel Setas - Vice-presidente de distribuição e inovação da EDP Brasil

Em artigo recente, a consultoria Roland Berger caracteriza um verdadeiro tsunâmi político que vai marcar o ano de 2012 e que poderá provocar uma onda gigante de mudanças no cenário mundial.

Este ano preveem-se eleições e mudanças de lideranças em importantes economias mundiais. Já em março, realizam-se eleições presidenciais na Rússia, depois, em abril, será a vez da França ir às urnas.

Em outubro, realiza-se o 18º Congresso do Partido Comunista Chinês, que elege o seu secretário-geral, que deverá ser presidente em 2013. Em novembro, Obama enfrenta o desafio presidencial nos EUA.

Estes são apenas alguns exemplos, porque no total, segundo a "Election Guide", este ano serão realizadas mais de 90 eleições ou referendos em todo o mundo.

Em 2012, podem ocorrer alterações de lideranças políticas em países que representam 53% da população mundial e mais de 50% do PIB do globo. Este alinhamento quase cósmico de possíveis mudanças políticas não chamaria particularmente a atenção se vivêssemos tempos de serenidade.

No entanto, o atual cenário de instabilidade mundial faz suspeitar que 2012 pode marcar um ponto de viragem na história da era moderna.

As Forças Armadas americanas usam o acrônimo v.u.c.a. para caracterizar o cenário de guerra atual: v de volatility (volatilidade), u de uncertainty (incerteza), c de complexity (complexidade) e a de ambiguity (ambiguidade).

Curiosamente este acrônimo já penetrou no mundo dos negócios, porque o ambiente que nos envolve hoje nas empresas é também, ele próprio, um ambiente v.u.c.a.

Para esta volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade já há quem proponha um antídoto igualmente v.u.c.a., composto por vision, understanding, clarity, agility, ou seja, visão, compreensão, clareza e agilidade, que seriam características necessárias para a liderança no mundo atual.

Independentemente destes jogos de palavras, uma coisa é certa, o exercício da liderança no momento presente exige dos gestores, dos políticos, dos líderes em geral, um conjunto de competências muito distinto daquele que era necessário no século passado, ou mesmo 10 anos atrás.

A questão é que a maioria das lideranças mundiais não passou por experiências semelhantes ao longo das suas vidas. As escolas não prepararam os seus alunos para este regime volátil e incerto.

As organizações tipicamente não estão dotadas nem de competências, nem de instrumentos de gestão para lidar com a complexidade do cenário atual.

Será a Kodak uma das mais recentes vítimas da onda v.u.c.a. do início do novo século? Os seus mais de 130 anos de história e de conhecimento acumulado não lhe valeram para reverter uma situação de declínio acentuado das suas vendas e de desintegração do seu modelo de negócio tradicional.

Efetivamente, no caso da Kodak, deve ter faltado visão para antecipar a morte anunciada do filme, após o advento da fotografia digital. Faltou compreensão da nova dinâmica do mercado.

Faltou clareza sobre as ameaças criadas pelos seus concorrentes substitutos e faltou agilidade para mudar o rumo do negócio a tempo de evitar uma concordata. Faltou v.u.c.a. para combater v.u.c.a.

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Miguel Setas é vice-presidente de distribuição e inovação da EDP Brasil

Fonte: Brasil Econômico - 25/1/2012

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